Arthur virou o rosto para olhar Alana.
No exato instante em que ele se voltou, a lágrima que escorria pelo rosto dela pingou bem nas costas da mão dele.
Ela nem percebeu; estava tão travada que não se deu conta de estar chorando na cara dele.
O silêncio durou, sem resposta. Quando Alana estava prestes a botar tudo a perder, escutou de repente: — Tudo no mundo tem preço. Já que está insistindo tantas vezes, é melhor eu ver a sua boa intenção.
Alana travou.
Ela pegou o sentido oculto na frase.
E assim que voltou a si, respondeu:
— Ok, mas será que rola de eu entregar a comida uma vez ao dia? Preciso me esforçar muito, esse trabalho significa tudo para mim, e não quero acabar sem nada no final. Quero me elevar um pouco. Sobre as ações, manda o Advogado Lima trazer a papelada para eu assinar, bota o novo Acordo Matrimonial de Conveniência, tira a parte das ações e aquele 'salário' de dois milhões todo mês. Fechado... Agradeço a você.
Arthur tirou os olhos dela e botou a mão no volante. Aquela lágrima nas costas da sua mão escorreu pela sua pele: — Deixa para lá. Esse trocado não vale nada para mim.
Por fim, não olhou mais para Alana e só disse: — Desce, dorme bem, alguém entra em contato com você amanhã.
Alana assentiu e, antes de bater a porta, disse mais uma vez, do fundo do coração: — Muito obrigada, Sr. Campos.
Arthur olhou para aqueles olhos vermelhos de chorar.
Um silêncio pesado tomou conta do interior do carro. Arthur ligou para o assistente e mandou a letra: — Vai ver o que a patroa quer aprontar indo para fora do país.
Assim que o cara respondeu que sim do outro lado, Arthur soltou: — Esquece, deixa isso para lá.
Com a relação deles daquele jeito, o que a Alana fazia ou queria, ele não precisava ficar fuçando, nem tinha o menor pique para ir atrás.

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