O sorriso não alcançava os seus olhos, emanando um frio aterrorizante.
— Ah — ele retrucou. — Srta. Santana, meus parabéns. Acha mesmo que eu vou servir de trouxa para assumir o filho de outro? Sabe onde está agora a última pessoa que ousou falar assim comigo?
Os joelhos de Carlos Santana fraquejaram, e ele quase caiu no chão de joelhos.
Vitória enterrou as unhas nas próprias palmas.
A dor a perfurava.
Era bom doer; a dor a mantinha lúcida.
— Mamãe, não tenha medo! — A vozinha soou ansiosa dentro do ventre, macia e doce, porém cheia de uma determinação audaciosa. — Eu sou 100% filho do papai! Se você conseguir provar isso, ele com certeza não vai virar as costas para a gente!
— Tendo o papai como apoio, eles nunca mais vão ousar te maltratar! E então você vai ser a Jovem Senhora Lacerda!
Vitória sorriu com amargura no coração.
Como iria provar aquilo?
Aquela afirmação havia escapado em um momento de puro desespero, e agora ela só podia improvisar, sem fazer a menor ideia do que aconteceria em seguida.
Carlos Santana correu até ela, o rosto vermelho como um fígado de porco: — Maldita! Se você falar mais algum absurdo, vai acabar matando a família inteira!
Vitória nem sequer olhou para ele.
Ela forçava a memória para tentar resgatar os detalhes daquela noite; um fragmento solto, uma lembrança difusa.
— Sr. Lacerda — ela começou, a voz surpreendentemente tranquila —, o senhor se lembra do que aconteceu há três meses, na Suíte Presidencial do Clube Privado Fênix?
O sorriso nos lábios de Leonardo desapareceu.
— Srta. Santana, você acha que basta inventar uma história qualquer para se engrandecer com o nome da família Lacerda?
— Eu não estou inventando nada. Naquele dia, o senhor foi drogado, não sei se ainda se lembra disso?
— Provas.
Apenas uma palavra breve, cortando qualquer margem de negociação.
— Mamãe, pensa rápido! Você viu alguma coisa fora do comum naquele dia? — A vozinha esganiçava-se de preocupação.
Os olhos de Vitória reluziram de súbito.
Ela deu um passo à frente.
Ficou muito perto de Leonardo.
Tão perto que podia sentir a fragrância gélida e amadeirada de cedro emanando dele.
Então, ela ficou na ponta dos pés, aproximou-se de seu ouvido e disse em uma voz leve e quase inaudível como a fumaça:
Aquele magnata da capital, Leonardo Lacerda, que nunca deixava nenhuma mulher chegar perto, acabou... de fato...
Adolfo ficou verde de raiva. Ele tentou avançar, mas foi contido pelos braços por dois seguranças, incapaz de mover um músculo sequer.
— Sr. Lacerda! Você não pode acreditar no que ela diz! Ela é só uma maluca...
Yasmin permanecia de pé, pálida como um fantasma.
Ela cravava os olhos em Vitória, um misto puro de incredulidade e inveja doentia a consumia.
Aquele bastardo... aquele bastardozinho nojento, como ele poderia ser filho do Leonardo Lacerda?!
Era absolutamente impossível!
Leonardo observou Vitória, com o tom de voz notavelmente mais moderado: — O filho no seu ventre é realmente meu?
Vitória não disse uma única palavra; apenas correspondeu ao seu olhar e acenou devagar com a cabeça.
A voz fofa começou a tagarelar dentro dela, doce e vitoriosa:
— Não tenha medo, mamãe! Eu sou, com toda certeza, o filho do meu papai!
— Quando vocês ficarem juntos, eu te ensino a fazer o papai comer na palma da sua mão e virar o seu cadelinho obediente! Eu prometo!

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