Leonardo observou Vitória em silêncio por três segundos.
O olhar dele era como um poço sem fundo, onde nenhuma emoção podia ser decifrada.
Então, sob os olhares chocados de todos, ele subitamente removeu seu paletó e colocou a luxuosa peça de alfaiataria sobre os ombros de Vitória.
O paletó, exalando o calor e o aroma de cedro de seu corpo, envolveu os ombros nus da jovem.
Vitória ficou sobressaltada.
— Vamos.
Apenas uma palavra, sucinta e contundente.
Leonardo colocou o braço em volta da cintura dela, com firmeza e uma imposição inquestionável, mas sem excesso de força.
Sem nem processar o que estava acontecendo, Vitória foi levada por ele para fora.
Nas costas deles, Adolfo debatia-se histericamente: — Sr. Lacerda! Você não pode levá-la daqui! Ela é a minha noiva!
Os seguranças imediatamente intervieram, bloqueando o avanço de Adolfo sem o menor esforço.
As pernas de Carlos Santana fraquejaram e ele despencou no chão, de joelhos.
— Acabou... Está tudo arruinado...
Ele havia ofendido o Magnata Lacerda?
Maldição, quem imaginaria que aquela garota desgraçada teria toda essa audácia?
Assistindo a tudo, Yasmin cravou as unhas nas palmas das mãos tão fortemente que formou marcas de sangue.
Com que direito?
Com que direito aquela desgraçada da Vitória conseguiu seduzir o Leonardo Lacerda?!
Diana Zambelli agarrou firmemente a mão da filha e sussurrou: — Pare de olhar, vamos embora!
— Mãe...
— Vamos! — O olhar de Diana era venenoso. — No momento, as coisas não estão favoráveis para o nosso lado. Mas aquela vadia não vai ter vida mansa por muito tempo, não é tão fácil entrar pelas portas da família Lacerda. Ela está adentrando na cova do leão, pode apostar que ainda teremos o nosso momento de glória!
Afinal, todos sabiam que a influência da família Lacerda era muito superior ao que aparentava.
A convivência entre famílias ricas não era uma tarefa nada fácil.
Sendo Vitória uma inútil, como ela iria encontrar seu lugar dentro da família Lacerda?
O corpo de Yasmin estremeceu, e ela finalmente retomou sua lucidez.
Tinha razão!
Como podia ter esquecido um detalhe tão óbvio?
Aquela puta achava que, só por ter se atrelado à família Lacerda, poderia dormir despreocupada e feliz?
Ha!
Na porta do hotel, um Maybach preto já a aguardava no pé da escadaria.
A voz grave de Leonardo surgiu bruscamente, tirando Vitória de seu mar de pensamentos delirantes.
Vitória umedeceu os lábios: — Eu fui drogada, e acabei entrando no quarto errado.
— Drogada?
— Foi obra do Adolfo. Ele queria contratar um homem para estragar minha inocência e ter o controle de mim para sempre. Mas eu me perdi e acabei no seu quarto.
Leonardo virou a cabeça, fitando os olhos dela.
Era um olhar pacífico, mas que transmitia a sensação de penetrar através da sua alma.
— Então, você está querendo dizer que foi dopada, entrou no meu quarto e em seguida...
Ele pausou, incapaz de continuar a frase.
O rosto de Vitória corou quase de imediato.
Ela recordou as palavras exatas da vozinha infantil: "Como você o abraçou e o beijou tanto, a paixão entre vocês pegou fogo..."
— Eu... — O tom de voz de Vitória encolheu. — Eu não me recordo direito.
Ela estava falando a verdade.
As lembranças que ela tinha daquela noite eram turvas, resumia-se somente à dor e aos suspiros descompassados que ecoavam bem ao lado do seu ouvido.
Leonardo estudou-a durante alguns segundos, e logo esboçou um riso fraco.
— Você não se recorda de quase nada, mas memorizou perfeitamente a marca de nascença que eu tenho na bunda?

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