Vitória: "..."
O rosto dela estava inteiramente escarlate, e até mesmo as pontas das suas orelhas ferviam.
A vozinha apareceu em boa hora, cheia de deleite travesso: — Mamãe, o papai está só te provocando! Ele, no fundo, já acreditou, só estava afim de te ver envergonhada!
Vitória: "..."
Não tem como você ficar quieto?
— Aquela marca... — ela tentou falar da forma mais neutra possível —, foi algo que eu notei sem querer.
— Sem querer?
— Sabe... sabe, foi durante... aquilo...
Ela não conseguia mais terminar o que estava dizendo.
Leonardo observava a vermelhidão atingindo até o limite das orelhas dela, enquanto um pequeno brilho passava pelo fundo dos seus olhos.
Ele desviou o olhar, recostando-se no banco, sua voz recuperou toda a frieza de antes: — E aí, o que você pretende fazer?
Vitória congelou subitamente: — Como é?
— Sobre a criança. — Ele ressaltou. — O que pretende fazer?
As mãos de Vitória subitamente envolveram seu próprio ventre, com uma atitude de proteção instintiva.
O que ela iria fazer?
A verdade é que ainda não havia chegado a uma conclusão.
Antes daquele dia, sempre presumira que a criança fosse do Adolfo, e embora a gestação houvesse sido inesperada, considerou que, já que o casamento iria acontecer, teria que aceitar tudo.
Porém, ali, naquele momento...
— Eu vou dar à luz a esse bebê. — exclamou, sua voz não sendo nada forte, mas demonstrando bastante convicção.
Leonardo arqueou as sobrancelhas.
— Esta criança também pertence a você — Vitória retribuiu o olhar. —, contudo, não estou esperando que assuma qualquer responsabilidade sobre nós. Eu apelei para a sua ajuda apenas pela falta de outra alternativa. Quando tudo isso terminar, prometo não voltar a perturbá-lo.
Leonardo continuou com os olhos fixos nela, exibindo uma postura insondável.
A parte interna do carro ficou em puro silêncio durante uns instantes.
Após isso, ele começou a falar: — Por acaso, faz ideia de quantas garotas querem estar em minha cama, dar à luz um herdeiro meu e usar isso para se infiltrar no Grupo Lacerda?
Vitória apenas obedeceu e respondeu balançando a cabeça: — Eu faço ideia.
— Não me importo com a tática que usou para descobrir a marca do meu corpo, muito menos me convenci sobre a autenticidade dos seus fatos; contudo, aviso que invadir a família Lacerda não será nenhuma caminhada no parque, é bom já se fortalecer psicologicamente. — advertiu Leonardo, rudemente.
Assim que a criança chegasse a esse mundo, caso realmente carregasse o sangue da família Lacerda, ele lhe daria o cargo de Jovem Senhora, caso o contrário, não mediria o seu perdão, o castigo viria direto a contar por aquele salvamento.

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