Capítulo 5: Segunda vez na noite
Katherine
— Isso.
Me aproximei rapidamente, quebrando qualquer distância entre nós, e o beijei.
No início, o movimento foi desajeitado. Mesmo com o efeito do álcool nublando meus sentidos, a velha Katherine ainda estava ali, a Kat reprimida, que passou a vida inteira tentando ser perfeita, pisando em ovos com medo de ousar ou errar e acabar sendo rejeitada novamente.
Meus lábios tocaram os dele com uma hesitação quase infantil, um desespero desajeitado de quem só queria calar os próprios pensamentos. Mas, para a minha total surpresa, o estranho lindo correspondeu.
Ele não me afastou. Em vez disso, senti sua mão firme subir devagar pela minha nuca, os dedos longos se enroscando no meu cabelo com uma possessividade que me fez estremecer.
O beijo mudou de ritmo instantaneamente. O que começou como um impulso meu transformou-se em algo avassalador ditado por ele. A boca dele era quente, firme, e me dominou com uma facilidade assustadora, sugando minha alma de um jeito que Adam jamais havia feito em anos de relacionamento.
Quando finalmente quebrei o contato, o ar faltou nos meus pulmões. Recuei um pouco, encarando-o, e a realidade me atingiu como um balde de água gelada.
O choque do que eu tinha acabado de fazer dissipou parte da névoa da bebida. Olhei para o maxilar marcado dele, para os olhos cinzas que me fitavam com uma intensidade analítica, e senti minhas bochechas queimarem de pura vergonha.
— Desculpe... — sussurrei, a voz trêmula enquanto eu tentava me levantar do estofado. — Eu não sei... eu acho que eu... me desculpe.
Ele não disse uma única palavra. Vi algo brilhar naquelas íris tempestuosas, uma faísca de reconhecimento ou curiosidade que não consegui decifrar. Ele apenas esticou o braço com calma, pegou o copo de uísque sobre a mesa e deu um gole lento, mantendo os olhos cravados em mim.
Me afastei da mesa dele com pressa, quase tropeçando nos meus próprios pés. Voltei para o balcão do bar, sentindo o rosto arder tanto que tinha certeza de que estava vermelha. Aquilo não era do meu feitio. Eu nunca fui o tipo de mulher que beija desconhecidos em bares de hotel.
— Mais uma dose, por favor — pedi ao barman, precisando de qualquer coisa para afogar o constrangimento.
O homem assentiu e encheu meu copo. Eu estava prestes a levá-lo à boca quando um homem de meia idade se aproximou, sentando-se no banco ao meu lado com um sorriso pretensioso.
— Uma mulher bonita assim não deveria beber sozinha a essa hora da noite — ele começou, inclinando-se na minha direção.
— Prefiro beber sozinha, obrigada — respondi com polidez, cortando o assunto de imediato e me virando ligeiramente para o lado oposto.
Nesse exato momento, a tela do meu celular acendeu sobre o balcão. O nome de Adam brilhava no visor pela vigésima vez. Ele não tinha parado de ligar desde o segundo em que saí cantando pneu da mansão.
Olhei para o foto dele na tela e senti apenas repulsa. Ignorei a chamada, virando o aparelho com a tela para baixo.
— Sabe, eu posso te fazer companhia... — o homem chato insistiu, ignorando completamente o meu fora. Ele se aproximou mais, o cheiro de loção barata misturado com álcool me incomodando. — Você parece precisar de um amigo.
Exausta, decidi que já tinha dado pra mim aquela noite. Tudo o que eu mais queria era subir para o meu quarto, me trancar, dormir por dez horas e tentar esquecer que o dia de hoje sequer existiu.
Mas, assim que fiz menção de me levantar do banco, a mão do homem se fechou firme ao redor da minha cintura, me puxando de volta com força para perto do corpo dele.
— Calma aí, gatinha. Não precisa fugir assim — ele disse, com um hálito pesado.
— Me solta — pedi, tentando me desvencilhar do aperto dele, mas os dedos dele se enterraram na minha pele, mostrando que ele era bem mais forte do que aparentava.
Olhei em súplica para o barman. O funcionário entendeu o recado na hora, largando o pano de prato e dando um passo à frente no balcão.
— Senhor, acho que o ideal seria deixar a senhorita ir — o barman interveio, o tom profissional, mas firme.
O homem ignorou o funcionário e os meus protestos, rindo com escárnio.
— Não se mete. Vamos lá, gatinha, vamos subir para o meu quarto. Assim a gente se conhece muito melhor...
Ele começou a me arrastar à força em direção à saída do bar. O pânico subiu pela minha garganta, e eu estava prestes a gritar quando uma presença maciça se projetou atrás de nós. O ar ao redor pareceu esfriar instantaneamente.
— Três segundos — uma voz grave, absurdamente fria e autoritária ecoou logo atrás do homem. — É o tempo que te dou para soltá-la.
O sujeito congelou. Ele virou a cabeça devagar e deu de cara com o estranho dos olhos cinzas. O homem era consideravelmente mais alto, mais forte e exalava uma aura de perigo que faria qualquer um recuar.
— Cara, não se mete, ela está comigo... — o chato tentou blefar, mas a voz dele vacilou.



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