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Meu Marido é o Pai do Meu Ex romance Capítulo 4

Capítulo 4: Acho melhor…

Katherine

A realidade das palavras do Adam me atingiu como um raio.

Se eu ficasse ali, aceitando aquela humilhação, eu manteria a minha empresa. Se eu fosse embora, corria o risco de perder tudo o que era meu e ainda continuar sendo humilhada por cada um deles.

Todos me olhavam vitoriosos. Esperando que eu desabasse, que eu fosse a Kat carente que sempre rastejava por atenção e carinho. A Kat que temia a solidão e só queria ser amada.

Essa Kat ainda existia. Eu sabia. Mas hoje ela não daria as caras.

Eu não chorei. Não desabei, não solucei e nem implorei por misericórdia ao meu pai como fiz tantas vezes no passado. Dessa vez, ergui o queixo. E mantive a minha postura firme.

Adam estava certo em uma coisa: a minha agência de design era a melhor da cidade. E ela era a melhor porque eu a comandava. E se eu comando uma agência como aquela, eu posso muito bem comandar a minha vida.

Dei um sorriso de canto, encarei o canalha na minha frente.

— Meu pai nunca irá colocar as mãos no que é meu por direito e competência — afirmei, a voz saindo fria e cortante. — E você... nunca mais vai me ter ao seu lado.

Adam abriu a boca para rebater, mas levantei a mão, interrompendo-o drasticamente.

— Já que se casar com a cretina da minha irmã é o suficiente para chamar a atenção do seu pai, que, convenhamos, finge que você nem existe... — vi a expressão dele murchar instantaneamente com a menção ao pai, mas ignorei dando os ombros antes de concluir:

— Vá em frente. Seja feliz com essa aprendiz de meretriz.

Virei as costas e caminhei em direção à saída do quarto, ignorando os protestos e resmungos indignados que ecoaram atrás de mim. Antes de cruzar a porta de vez, parei e olhei por cima do ombro.

— Ah, e mais uma coisa. Eu vou me casar. Vou manter a minha empresa e tudo o que me pertence. E quando isso acontecer... eu quero todos vocês fora da minha casa.

Sem esperar resposta, saí dali. Desci os degraus da escada principal a passos rápidos, ouvindo os passos apressados e a voz desesperada do Adam ecoando pelo hall de entrada.

— Kat, não ouse sair! — ele gritou, vindo atrás de mim. — Eu juro para você que, se passar por aquela porta agora, acabou!

Soltei uma risada alta, ríspida e totalmente sem humor.

— Achei que eu já tivesse deixado bem claro lá em cima que acabou mesmo, Adam.

Ele correu mais um pouco e se plantou na minha frente, bloqueando a passagem para a porta da rua.

— Saia da minha frente! — ordenei, entre dentes.

Ele esticou as mãos e segurou meus braços com força.

— Você vai mesmo jogar anos de relacionamento fora desse jeito, Katherine? Assim, por nada?

— Anos de uma mentira, você quer dizer, né? — Puxei meus braços com violência, me libertando do aperto dele.

Adam pareceu suavizar a expressão, mudando a tática. Ele ergueu as mãos e segurou o meu rosto, me forçando a olhá-lo nos olhos.

— Kat, pensa bem. Está tudo arranjado. Meu pai transferiu a matriz da empresa para cá, essa... essa é uma oportunidade única para mim! Se você cancelar o casamento agora, não sou só eu quem perco. Você também perde!

Bati em suas mãos, as tirando do meu rosto com nojo.

— Você realmente acha que eu vou manter esse noivado depois de pegar você na cama com a minha irmã? Depois de você jogar na minha cara que ela é melhor do que eu?

Ele passou a mão pelos cabelos, visivelmente frustrado.

— Eu só disse aquelas coisas porque você me provocou!

Olhei para ele, genuinamente incrédula.

— Eu te provoquei? Você está se ouvindo, Adam? Você é patético.

— Querida, me escuta — ele insistiu, fechando o espaço entre nós mais uma vez. — Nós podemos resolver isso. Eu prometo que não procuro mais a Ester. Está satisfeita?

— Como é que é, Adam?! — Uma voz estridente cortou o hall.

Olhei para o pé da escada e vi Ester descendo, o rosto vermelho de raiva.

— Você está disposto a me deixar por ela? Logo agora?

Adam sequer se virou totalmente para ela, focado em não perder o controle da situação comigo.

— Agora não, Ester! Nós dois nos entendemos depois.

E depois veio outra. E mais outra.

O calor da bebida começou a flutuar na minha cabeça, deixando minhas reações lentas e a minha inibição completamente esquecida no fundo do copo. Foi exatamente nesse momento, enquanto eu olhava vagamente pelo salão meia-luz do bar, que eu o vi.

Sentado em uma mesa mais reservada, estava um homem deslumbrante. Ele tinha ombros largos e uma postura imponente; mesmo sob o tecido fino da camisa social escura, dava para perceber o contorno de um corpo focado e musculoso. O maxilar dele era marcado, a expressão séria, quase intocável.

Com toda certeza ele era um homem poderoso.

O álcool gritou na minha mente que eu precisava de uma distração. Qualquer uma. E não tinha entretenimento melhor que um Adônis daquele.

Desci do banco do balcão, sentindo minhas pernas ligeiramente moles pela bebida. Caminhei firme até a mesa dele e, sem pedir licença, me sentei no estofado, colando o meu corpo inteiramente ao dele.

O perfume dele, algo amadeirado, caro e absurdamente masculino, invadiu meus sentidos.

— Preciso dizer... você é um dos homens mais lindos que eu já conheci — sussurrei, encarando-o de perto.

Ele não se moveu. Apenas levou o copo aos lábios, deu um gole calmo em sua bebida e me olhou de soslaio, com uma frieza imperial.

— Acho melhor você voltar para o balcão, menina.

A voz dele era um barítono grave que vibrou no meu peito. O encarei de frente. Os olhos dele eram de um cinza hipnotizante, tempestuoso e profundo.

Por um milésimo de segundo, aqueles olhos me lembraram alguém, uma semelhança incômoda que tentei afastar imediatamente da minha mente nublada.

— E eu acho melhor fazer outra coisa... — respondi, umedecendo os lábios, deixando o desespero e a audácia da bebida tomarem o controle.

Ele colocou o copo de volta na mesa de vidro, virando o rosto totalmente para mim. As sobrancelhas escuras se ergueram de leve.

— E o que seria?

Com a voz baixa, quase um sopro, e um sorriso malicioso desenhado nos lábios, eu respondi.

— Isso.

Me aproximei rapidamente, quebrando qualquer distância entre nós, e o beijei.

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