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Meu Marido é o Pai do Meu Ex romance Capítulo 9

Capítulo 9: Estaria disposta?

Henry

Ela entrou no bar tentando passar despercebida, mas foi completamente inútil. Meus olhos a notaram no exato instante em que ela atravessou o salão, com uma postura que tentava parecer firme, mas que denunciava uma fragilidade latente.

Quando ela tomou a iniciativa de sentar-se à minha mesa e me beijar com aquele jeito agridoce, uma mistura desconcertante de timidez e ousadia repentina, todo o meu corpo reagiu ao toque dela.

Mas eu não estava ali para aquilo. Ela era uma mulher bonita, absurdamente atraente, mas aparentava ser consideravelmente mais nova do que eu. E, na minha idade, isso costuma ser um problema. Garotas novas são instáveis, impulsivas e raramente pensam nas consequências do amanhã.

Só que no instante em que ela bateu na porta do meu quarto, tudo mudou.

No começo, pensei que fosse apenas o tesão acumulado daquele beijo, e decidi resistir. Eu não ficava com mulheres como ela. Mulheres jovens, vulneráveis, claramente sob o efeito do álcool, que provavelmente acordariam arrependidas ou sem se lembrar de metade do que havia acontecido na noite anterior.

Mas o choro dela, aquela confissão dolorosa despejada no meio do quarto, acendeu algo diferente dentro de mim. Uma necessidade que ia muito além do desejo carnal. Foi como se eu tomasse para mim a obrigação de provar que ela, e cada um dos idiotas que a fizeram se sentir insignificante, estavam completamente errados.

E eu provei.

Acordei com os primeiros raios de sol batendo contra a janela de vidro do quarto do hotel. Olhei para o lado e Katherine ainda dormia profundamente, a respiração calma, os cabelos espalhados pelo travesseiro.

Sorri de canto. Acho que o feitiço virou contra o feiticeiro; no final de tudo, quem acabou cansando foi ela.

Com todo o cuidado do mundo para não acordá-la, retirei o braço dela de cima do meu peito e segui em direção ao banheiro. Joguei uma água fria no rosto e no corpo, despertando de vez.

Ao me encarar no espelho, não pude conter um riso baixo ao notar as marcas vermelhas de unhas desenhadas no meu ombro.

— Gatinha arisca... — murmurei para mim mesmo, balançando a cabeça com um sorriso genuíno que há muito tempo não aparecia no meu rosto.

Terminei o banho rápido, me enrolei na toalha e voltei para o quarto. Peguei o terno que havia deixado separado e me vesti sem pressa. Estava diante do espelho, ajustando o nó da gravata de seda escura, quando o meu celular começou a vibrar insistentemente sobre a mesa de cabeceira.

Caminhei até lá e atendi, a voz saindo no meu tom seco de sempre.

— Mason.

— Henry, vou mandar um carro te buscar em meia hora — a voz do meu advogado e amigo de longa data soou do outro lado da linha, apressada.

Olhei de soslaio para Katherine, que ainda se mantinha imersa em um sono pesado e tranquilo sob os lençóis.

— Em uma hora, Mason. Ainda tenho algumas coisas pessoais para resolver aqui.

Ele soltou um suspiro audível, claramente irritado.

— Coisas? Que coisas podem ser mais importantes do que o nosso encontro com o senhor Sherman em um café executivo?

Voltei a me encarar no espelho, ajeitando as dobras do paletó antes de responder.

— O velho Sherman não vai gostar de ser surpreendido no meio do seu café da manhã, Mason. Dê espaço ao homem.

Meu amigo bufou do outro lado da linha. Eu quase podia ouvi-lo andando de um lado para o outro na sala, como um predador enjaulado.

— Eu sei, cara, mas nós precisamos agir rápido. Você me fez trabalhar de forma incansável por anos para conseguirmos colocar as mãos nessa empresa. Estamos a um maldito passo de distância. Eu só preciso que você siga o meu comando agora.

Soltei um riso soprado, totalmente sem humor.

— O seu comando é que eu fique noivo da afilhada dele. Belo comando o seu, Mason.

Ouvi um ruído na linha, confirmando que ele estava inquieto.

— Henry, o senhor Sherman é um homem extremamente conservador. Ele já deixou bem claro que só vai transferir o controle da empresa para alguém que ele julgue ser um homem de família, exatamente como ele é. Cara, você é um solteiro de quarenta e três anos. A afilhada dele é uma moça bonita, de boa família. Veja os benefícios práticos disso. Você fecha o maior contrato da sua vida e ainda leva uma esposa jovem de brinde.

Senti uma pontada de irritação e tive uma vontade imensa de desligar o telefone na cara dele, mas me contive.

— Henry... se você não se apresentar como o homem que ele espera, pode esquecer esse negócio — Mason continuou, o tom subindo. — Esqueça conquistar o que o seu avô tentou, o que o seu pai morreu lutando para conseguir e o que você me fez trabalhar como louco nos últimos anos. Se você não estiver casado em breve, pode abrir mão de tudo e pegar o primeiro voo de volta para Londres.

Nesse exato momento, um ruído suave vindo da cama chamou a minha atenção. Virei o rosto e vi Katherine se mexendo preguiçosamente sob os lençóis brancos, os olhos se abrindo devagar.

Um sorriso sutil surgiu nos meus lábios diante daquela imagem.

— Eu não preciso da afilhada do Sherman — respondi a Mason, a mente resgatando imediatamente a confissão desesperada que Kat havia feito na noite anterior: “...eu vou perder tudo em uma semana se eu... se eu não me casar!”, afastei o pensamento e garanti ao meu amigo. — Eu já tenho uma noiva.

​Capítulo 9: Estaria disposta? 1

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