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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 143

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

Enfrentar o Brynjar e os seus capangas da Shadow Claw no saguão de um hotel cercado por espectadores, também conhecidos como testemunhas, era uma coisa. Já encará-los nas paredes frias e sem lei do Labirinto era absolutamente aterrorizante.

Quando eles invadiram a câmara, o ambiente ficou pesado como fumaça sufocando em um incêndio. Poeira subiu da entrada destruída, trazendo o fedor acre de pedra queimada e o cheiro metálico de sangue.

E, ó céus, eles estavam um caos.

Cortes riscavam os seus braços, rostos e torsos, visíveis através das camisas rasgadas. A manga de um dos caras estava encharcada de vermelho por causa de um ferimento que ainda nem havia sido estancado. Eu praticamente podia sentir o cheiro do tecido queimado e imaginei que um deles deve ter acionado uma armadilha de fogo.

Era óbvio que essa Alcateia de lobos cabeça-dura tinha forçado o caminho através do labirinto, acionando sabe-se lá quantas armadilhas para chegar aqui.

Mesmo com as evidências da batalha, o sorriso do Brynjar se espalhou.

Seus olhos escuros pousaram imediatamente no Altar atrás de mim e, por um instante, eu vi seu triunfo se transformar em raiva.

Porque nós já estávamos lá. Chegamos antes da equipe dele.

"Muito bem," ele falou, sua voz carregada de exaustão e arrogância, principalmente arrogância. "Parece que os filhotes chegaram ao banquete antes de nós."

Seus companheiros se espalharam, nos cercando como hienas famintas ao redor de uma refeição. Com ombros firmes e punhos cerrados, os machucados não diminuíram em nada a ameaça que emanava deles.

"Afastem-se," Roxy rosnou, sua voz vibrando com a promessa de violência. Ela se postou ao meu lado direito, com o queixo erguido e as mãos se fechando em punhos. "Vocês não vão tocar neste Altar."

Eu podia sentir o calor da raiva dela, pronta para explodir ao menor estopim, e isso era reconfortante. Mas só um pouco.

Por mais que eu soubesse que ela era forte no combate, e por mais que eu também fosse boa, nós cinco não tínhamos chance contra eles cinco.

Um combate terminaria com vários ossos quebrados e o sangue da minha equipe tingindo o Altar do Eco.

"Calma," murmurou Judy, chegando perto o suficiente da Roxy para colocar uma mão tranquilizadora no seu braço. "Não deixa eles te provocarem."

Os lábios do Brynjar se retorceram e um lampejo de graça apareceu: "Fofo. Você realmente acha que pode nos impedir?"

O olhar dele passou por nós e se fixou no Finn e na Talia, que estavam logo atrás de mim, identificando instantaneamente os mais fracos entre nós.

Ele sorriu com desdém. "Vocês nerds já decifraram a sequência, né? Entreguem a resposta pra gente e talvez eu deixe vocês saírem andando."

Eu me movi antes que ele pudesse dar outro passo, o instinto me empurrando entre o Brynjar e as duas outras pessoas que sabiam a sequência.

"Isso não vai acontecer," eu disse, direta.

A mão do Finn roçou as minhas costas, me estabilizando, mas eu não o deixei sair de trás de mim. De jeito nenhum.

Brynjar inclinou a cabeça e estreitou os olhos. "Eu nunca tive problemas em conseguir o que eu quero. Na verdade," ele estalou os dedos e os lábios se curvaram de maneira ameaçadora, "tô ansioso por isso."

Por um momento aterrorizante, pensei que ele fosse avançar.

Os ombros dele se mexiam com uma impaciência mal contida e os seus homens apertaram o círculo.

Mas, então, a Judy deu um passo à frente.

"Ou," ela disse friamente, "você poderia seguir as regras pela primeira vez na sua vida."

Brynjar bufou. "Regras?"

"Sim," a Judy disse, com um tom propositalmente afiado. Ela ergueu os ombros, parecendo a guerreira que estava treinando para ser. "Os desafios permitem confrontos entre os competidores. Se você tá tão desesperado para provar que é melhor, mande os seus cachorros se afastarem e me enfrenta cara a cara."

Meu estômago deu um nó. "Judy..."

Ela me ignorou e se abaixou, arrastando a ponta da bota contra o chão de pedra empoeirado. Todos assistiram com expectativa enquanto ela se movia, até que um círculo fechou o espaço entre nós e os lobos da Shadow Claw.

"Desafio do círculo," ela anunciou, erguendo o queixo. "Saiu do limite, perde. O vencedor reivindica o Altar."

Eu inspirei profundamente e os meus olhos se arregalaram com a tensão do desafio que pairava no ar.

O silêncio se seguiu, rompido apenas pelas paredes distantes do labirinto se movendo. Os lábios do Brynjar se curvaram devagar, exibindo os dentes.

"Você contra mim?" Ele riu, o som carregado de desdém. "Você é menor que a minha sombra."

"Tamanho não importa," Judy retrucou. "A menos que esteja com medo de ser derrotado por uma Ômega?"

O ar parecia eletrizado com a tensão enquanto o Brynjar se recuperava da provocação. Ele rapidamente se recompôs e soltou uma gargalhada: "Com medo? Jamais."

Ele estalou o pescoço e acenou para os seus homens darem um passo atrás.

"Muito bem. Vou te tirar do seu pequeno círculo," ele rosnou. "Talvez quebre alguns dos seus ossinhos no processo."

Ela bufou e deu um passo à frente. Segurei o seu pulso e olhei para a sua bota dentro do limite do círculo com apreensão. "Judy, pensa bem."

Ela se virou para mim e os nossos olhares se encontraram. Pisquei diante da confiança absoluta que vi neles, que não tinham nenhum sinal de medo.

"Confie em mim," ela murmurou baixinho.

Pedi que os deuses me ajudassem.

Por mais ridícula e assustadora que fosse a ideia dela de enfrentar um gigante como o Brynjar, eu torcia por ela. Então, assenti e deixei a minha mão cair ao lado do corpo. "Acaba com ele," sussurrei.

Seus lábios se curvaram levemente. "Não precisa dizer duas vezes."

Eles se prepararam dentro do círculo. Brynjar estufou o peito, cada movimento seu exalando aquela arrogância marrenta. Já a Judy, por outro lado, estava leve, com olhos afiados e calma como uma lâmina equilibrada na ponta de um dedo.

É claro que o Brynjar avançou primeiro, pura força bruta sem qualquer controle. Fiz uma careta quando o punho dele cortou o ar, mirando direto na cabeça da Judy. Ela se abaixou com um movimento fluido e sem esforço que deixaria a Maya orgulhosa.

O ímpeto dele o levou perigosamente perto da borda do círculo antes que ele se recuperasse e girasse com um rosnado. Judy dançava fora de alcance, obrigando-o a persegui-la dentro do círculo.

Ele se lançava cegamente, guiado pelo ego e pela raiva crescente, e ela sempre se abaixava, fora de alcance apenas o suficiente para deixá-lo mais furioso. Raramente ela atacava, mas quando o fazia, era rápida e cirúrgica, dando uma cotovelada nas costelas onde um hematoma era visível através da camisa rasgada e um chute na coxa onde um corte reluzia. Eram golpes que nunca teriam derrubado um poderoso Beta como o Brynjar, mas que, lenta e seguramente, começaram a afetá-lo. Cada golpe dela arrancou um gemido dolorido dele, contribuindo para o seu desequilíbrio.

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