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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 144

PERSPECTIVA DE SERAPHINA

Desviei o olhar da Celeste quando o meu time foi levado para a área de descanso, o estrondo da multidão ainda ecoando levemente nos meus ouvidos.

Ao nosso redor, o ambiente vibrava com a energia inquieta dos times se reorganizando, dos curandeiros passando entre eles e dos espectadores esticando o pescoço das arquibancadas acima.

Meus pulmões ardiam e as minhas costelas ainda pulsavam por causa do mergulho desesperado que fiz para desviar das armadilhas do Labirinto. Cada respiração arranhava contra o cansaço e o puro alívio.

Meus colegas de equipe estavam perto de mim. Judy estava radiante de alegria. Roxy alongava os ombros como se ainda estivesse pronta para a luta que não aconteceu. Finn estava pálido, mas os seus olhos brilhavam de orgulho e as mãos se contorciam nervosamente como se ainda estivesse calculando as combinações na cabeça. Talia permanecia no fundo, com o queixo erguido apesar do tremor nas pernas.

Mas o brilho do triunfo se apagou assim que um perfume inconfundível cortou o ar salgado: jasmim, com um toque amargo de veneno de cobra.

Preparei-me. Vamos lá.

"Acho que devo te dar os parabéns."

A voz da Celeste era melosa e adoçada para quem ouvia, mas o veneno por trás dela era inconfundível. Ela apareceu com a graça de alguém que nunca caiu na lama que mandava os outros limparem.

Enquanto nós parecíamos ter rastejado por uma tempestade brutal de areia, ela parecia ter saído de um baile. Nenhum fio de cabelo estava fora do lugar e a sua blusa branca (branca, incrível!) brilhava, intocada pela sujeira ao nosso redor.

Cerrei os dentes e não respondi, me agarrando à minha compostura. Eu podia sentir a minha irritação aumentando, esperando que ela adicionasse o toque mordaz à sua declaração.

A querida Celeste não decepcionou. Ela estendeu as mãos na frente do seu rosto, posicionando os dedos como se formassem uma moldura, e riu enquanto olhava através deles: "Que visão. Os pequenos azarões triunfantes."

Seus lábios se esticaram quando ela varreu o olhar sobre nós: botas arranhadas, roupas encharcadas de suor, cabelos emaranhados e cobertos de poeira e hematomas florescendo.

"Desleixada é pouco pra descrever", ela disse, largando as mãos e dando de ombros. "Mas suponho que é isso que acontece quando alguém assume um desafio para o qual não tá qualificada."

Soltei o ar lentamente pelo nariz e repeti para mim mesma em pensamento: 'Não morde a isca. Não dê esse gostinho a ela.'

Mas, então, ela se recostou, falando em um tom alto o suficiente para que os outros ouvissem: "Claro, não deveria me surpreender que você tenha conseguido sair viva do Labirinto. Acho que devemos agradecer o Lucian por isso. Sem a... atenção especial dele, não consigo imaginar como você teria sobrevivido lá dentro."

Senti o calor subir pelo meu pescoço. Cerrei os punhos, as unhas cravando nas palmas. Era exatamente por isso que o Lucian e a Maya precisaram se distanciar de mim, para que urubus como a Celeste não destruíssem a honra deles... e a minha.

"Cuidado, Celeste", eu disse com firmeza, embora a minha voz estivesse mais tensa do que eu gostaria.

Ela zombou. "O quê? Como se fosse novidade que você é o projetinho favorito do Lucian Reed." Ela se inclinou, olhando com desdém. "Todo mundo sabe a verdade, Sera. O que você e a sua equipe diversa conquistaram nessas provas não é mérito próprio."

Meus companheiros de equipe se mexeram e eu senti os olhares deles sobre mim, esperando a minha resposta.

Meu coração batia forte contra as costelas enquanto o calor se espalhava pelo meu peito.

Depois de tudo pelo que passamos, a ideia da Celeste, ou qualquer um, insinuando que não merecíamos avançar no Torneio me fazia querer cuspir fogo.

A injustiça queimava dentro de mim, tensionando cada músculo do meu corpo e ameaçando desfazer todo o orgulho que eu senti momentos antes.

Mas, então, eu vi o deleite nos olhos frios dela, vi o quanto ela se divertia me provocando e decidi dar a ela um pouco do próprio veneno.

Respirei fundo duas vezes para me acalmar e cruzei os braços. Uma faísca de satisfação me percorreu quando ela piscou, surpresa com minha mudança repentina da raiva para a calma.

"Se vamos falar de tratamento especial", continuei, forçando a voz a permanecer firme, "não vamos esquecer que o próprio Kieran me treinou antes das provas. Ou que o nosso querido irmão Ethan gastou horas me ensinando estratégia. Então, se vou ser acusada de ser 'favorecida', pelo menos não vamos fingir que foi só o Lucian." Sorri de lado. "Parece que tô colecionando sabedoria de todos os Alfas."

Claro, foi uma mentira descarada. O Kieran não tinha nem me dado dicas de postura, o Ethan tinha interrompido uma única aula e Lucian não me treinava desde que a Maya assumiu as aulas.

Mas, ahhhh, a expressão no rosto da Celeste!

Imagine um tomate. Agora faça um furo nele. E encha de suco. Mais. Mais. Até que fique tão cheio que esteja prestes a estourar. Agora, adicione cabelos dourados encaracolados e olhos de um azul glacial.

Tão. Infernalmente. Satisfatório.

Eu tive que morder os lábios para não cair na risada enquanto a satisfação tomava conta de mim.

Meus companheiros de equipe não tiveram a mesma contenção. Judy deu uma risadinha na hora. Roxy sorriu de canto. Talia se virou, cobrindo a boca com a mão para abafar as risadas. Até o Finn deixou escapar um pequeno sorriso.

Por um segundo, só se ouvia o som da respiração da Celeste, como um motor superaquecido, e o seu rosto de tomate prestes a explodir.

Inclinei a cabeça, levantando uma sobrancelha em falsa preocupação: "Algum problema?"

A boca dela abriu e fechou e eu vi o exato momento em que ela percebeu que não tinha nada no seu arsenal para rebater o meu ataque.

Então, ela se virou para os meus colegas: "Me digam uma coisa..." Eu fiquei tensa enquanto o olhar dela passava lentamente por cada membro do meu time. "Como é seguir alguém sem loba? Alguém tão fundamentalmente incompleta? Alguém que é basicamente um peso morto?"

As perguntas caíram como meteoros e eu tive que pressionar as mãos com firmeza contra as coxas para evitar que tremessem.

"Isso inspira confiança?" A expressão da Celeste se transformou em falsa compaixão. "Ou vocês simplesmente rangem os dentes e rezam para que ela não arraste vocês pro fundo do poço?"

E lá estava: a prova de que, não importava o quanto eu reforçasse a minha armadura, a Celeste sempre encontraria uma brecha, um caminho para me ferir.

Uma dor familiar latejava na minha cabeça: o silêncio da minha loba, o vazio onde a voz dela deveria estar.

Eu não me virei para a minha equipe. Desta vez, não queria ver as reações dele.

A Jessica, e até mesmo a própria Roxy, tinham apontado a desvantagem de um líder sem lobo, mas essa foi a primeira vez que isso realmente me atingiu. E, pelos deuses, eu odiava o quanto o ardor da humilhação era familiar.

Maldita Celeste.

Uma risada explosiva me surpreendeu, e eu me virei instintivamente na direção do som.

Roxy deu um passo à frente e cruzou os braços sobre o peito, em uma postura de combate. "Me diz uma coisa, você, harpia metida," ela disse, com os olhos brilhando perigosamente. "Qual era a composição do Altar do Eco?"

Celeste hesitou. "Como é?"

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