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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 156

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

Depois que as minhas botas tocaram o chão de aço polido da Arena, tive que piscar várias vezes para me convencer de que não estava presa em um sonho febril. Aquilo era real.

Nós conseguimos.

Realmente cruzamos o portal final.

"A equipe SDS Um chegou!" uma voz retumbante ecoou pelo espaço, amplificada por alto-falantes escondidos. "A primeira equipe a vencer a Arena Campo de Neve e passar o desafio final do TFL!"

Por um instante, houve silêncio, como se a multidão de espectadores reunida não conseguisse acreditar no que estava vendo ou ouvindo.

Então, de repente, o salão explodiu em aplausos.

O rugido era ensurdecedor. Lobos uivavam de alegria, punhos se ergueram no ar, e até alguns dos membros não competidores que estavam por ali deram uma olhada incrédula para nós.

Por um momento, minha equipe ficou paralisada, atônita.

As palavras se repetiam na minha cabeça, quase indecifráveis.

Primeira.

Será que ele realmente tinha dito... primeira?!

Um grito de alegria me pegou de surpresa e, de repente, fui levantada do chão.

"Nós conseguimos!" Finn gritou, me girando como uma bandeira vitoriosa. Ri, quase sem fôlego e sem saber o que era mais chocante: o fato do Finn estar mostrando tanta emoção ou que, inacreditavelmente, nós conseguimos!

"Levantem ela mais alto!" Judy riu e, em seguida, me vi erguida nos ombros dos membros da minha equipe e carregada pela multidão como se eu fosse uma heroína.

O mundo girou loucamente. Rostos se misturaram em um mar de olhos brilhantes e mãos aplaudindo e os meus ouvidos zumbiam com as risadas jubilosas dos meus companheiros de equipe.

Eu não conseguia parar de sorrir. A alegria explodia dentro de mim como fogos de artifício. Pela primeira vez em séculos, a felicidade não parecia proibida ou perigosa, ela corria por mim, selvagem e eletrizante.

Lutei por isso, com sangue, suor e uma quase hipotermia. Eu merecia essa sensação.

"Conseguimos mesmo!" Judy gritou de baixo, com a voz embargada pela incredulidade. "Superamos todos!"

Talia, com as bochechas vermelhas e os olhos brilhantes, acrescentou: "Primeiro lugar. Ficamos em primeiro lugar!"

Minha primeira reação foi me beliscar. Com certeza isso tinha que ser um sonho.

Mas, imediatamente, descartei essa ideia. Eu não deixaria a minha persistente insegurança roubar este momento precioso de mim.

Em vez disso, levantei os braços e ri até que as minhas costelas doloridas reclamassem. O barulho da multidão pareceu crescer comigo, alimentando a minha própria euforia sem fôlego.

Uma vez na sala de descanso, a euforia se transformou em algo mais constante. Desabamos nos bancos, suados e machucados, mas sorrindo como bobos.

Médicos em uniformes brancos e suas bolsas tilintando com frascos e curativos já se moviam entre nós como fantasmas silenciosos. Um se inclinou sobre a Roxy, examinando o corte no seu lábio. Outro aplicou uma compressa fria no ombro e outra no tornozelo do Finn enquanto verificava o seu pulso.

Tirei a jaqueta e levantei a camisa enquanto uma terceira se ajoelhava ao meu lado. Fiz uma careta quando ela pressionou suavemente o hematoma que se formava depressa. Se eu olhasse, provavelmente veria o formato da pata do Ashar.

O leve aroma das ervas antissépticas cortava o cheiro úmido e denso de suor e gelo da sala.

"Eu achava que estávamos perdidos," admitiu a Talia, abraçando os joelhos enquanto um médico cuidava do seu rosto. "Não tinha jeito de aguentarmos a noite."

"Aquela fruta nos salvou," a Judy disse, jogando a trança sobre o ombro enquanto um curandeiro cuidava das queimaduras nas suas mãos. "Não importa se tinha gosto de casca podre, funcionou."

Roxy deixou escapar um meio gemido, meio riso, passando um lenço de álcool nos lábios sozinha. "E eu aqui pronta para acusar o Lucian de tentar nos congelar de propósito. Acho que devo a ele meio pedido de desculpas."

"Meio?" Finn brincou, enquanto um médico aplicava um spray anestésico no tornozelo dele.

"Tá bom, um quarto." Roxy deu um sorriso maroto, mas os seus olhos suavizaram quando se voltaram para mim. "Você nos manteve unidos, Sera. Nenhum de nós teria conseguido sem você."

Senti o rosto esquentar. O elogio tinha um valor muito maior vindo dela.

"Foi um trabalho em equipe," insisti, soltando um suspiro enquanto uma pomada refrescante era aplicada nas minhas costelas machucadas. "Todos nós seguimos lutando, mesmo quando parecia impossível."

Judy soltou um risinho. "Pode até ser. Mas foi você que pulou nas costas do Ashar. Como você pensou nisso? Tenho certeza que isso é um tipo de bravura suicida."

"Ou suicídio puro e simples," murmurou a Roxy.

Eu ri, mas, por dentro, o meu peito apertou.

Eles não sabiam a verdade, que a Alina estava lá, guiando cada passo meu. A verdadeira vitória era dela.

Alina se manifestou nos meus pensamentos e a sua voz tocou a minha consciência com um orgulho silencioso: 'Foi você quem confiou em mim. E, lembre-se, Sera: eu sou você. Esta vitória é nossa.'

Minha garganta se apertou. Depois de tanto tempo sem ela, ouvir a sua voz ainda parecia um milagre no qual eu não ousava acreditar totalmente.

O ambiente foi aos poucos ficando mais silencioso enquanto o cansaço alcançava os outros. Os médicos se moviam rapidamente, fechando cortes com géis brilhosos, ajustando curativos e talas onde necessário e sussurrando instruções sobre descanso e hidratação.

Eu sabia que a cura de lobisomem dos meus companheiros logo começaria a agir. Talvez eu devesse sentir ciúmes ao ver as feridas deles cicatrizando enquanto as minhas permaneciam vivas. Mas, para mim, os machucados pareciam medalhas de honra, provas da minha sobrevivência... e, por si só, troféus.

Na enorme tela central, as batalhas das outras Arenas eram transmitidas em tempo real. A SDS não economizou: cada ângulo era capturado e cada golpe era ampliado para ter o máximo de impacto.

A Arena Campos de Neve ainda piscava na tela, mostrando a equipe da Celeste travando um combate feroz com o Ashar... e eu posso ou não ter dado um sorriso quando ele a derrubou no chão.

Ele sorriu de leve. Ah, ele sabia.

O olhar dele se deteve em mim, afiado e examinador. Como um bisturi cirúrgico.

"Me conte," Corvus disse casualmente, "como você conseguiu sobreviver ao encontro com o urso? Sozinha, no meio da noite. Foi bastante fascinante de assistir. A maioria não teria sobrevivido."

Meu estômago gelou. "Intuição."

Seus olhos se estreitaram ligeiramente. "Intuição," ele repetiu, como se degustasse a palavra. "Fascinante."

O olhar dele me fez querer encolher. Parecia que ele conseguia ver através de mim, como se pudesse descobrir a verdade sobre a Alina e o vínculo que compartilhamos.

Minhas mãos apertaram o cartão até que as bordas cravaram nas minhas palmas. Forcei a minha expressão para algo frio e distante. "Com licença, preciso voltar pra minha equipe."

Corvus abaixou a cabeça, sem nunca perder o sorriso. "Claro. Não quis te deixar nervosa. A Aliança apenas deseja estender a sua boa vontade. Esperamos por... colaborações futuras, caso surja uma oportunidade."

E com isso, ele desapareceu, deixando um calafrio em mim. Exalei devagar, expulsando a tensão dos meus ombros. O que foi isso, afinal?

A voz suave da Alina surgiu. 'Homens como ele estão sempre circulando, como abutres procurando por fraquezas pra explorar. Você fez bem em não dizer muito.'

'Ainda sim,' murmurei internamente, 'ele me olhou como se soubesse, como se pudesse te ver.'

'Ele não pode,' Alina me tranquilizou. 'Ninguém pode. Ainda não.'

E, então, finalmente fiz a pergunta que me corroía desde a Arena Campo de Neve. 'Por que agora?' pensei. 'Por que você despertou naquele momento?'

Por um longo momento, o silêncio se estendeu entre nós. Então, a Alina respondeu, de forma tranquila e firme: 'Porque você estava em perigo. Perigo real. Meu instinto de te proteger me trouxe de volta, não importava o quão fraca eu estivesse. A sobrevivência exigiu isso.'

Mordi o lábio. 'Então você esteve aqui o tempo todo? Me vendo lutar sozinha?'

'Sempre estive com você, mas nunca consegui te alcançar completamente. Algo me impediu... algo que ainda não estou pronta pra nomear. Ainda não.'

As palavras dela foram pesadas e me encheram de alívio e inquietação ao mesmo tempo.

'Mas... você vai ficar?'

'Vou ficar. Não vou te deixar novamente,' prometeu Alina.

Meu peito se encheu de gratidão avassaladora.

Eu não me importava com as perguntas sem resposta, pelo menos não naquele momento. Eu a tinha agora. Isso era suficiente.

De repente, um som de trombetas reverberou pela sala, atraindo a atenção de todos. A voz do mestre de cerimônias trovejou mais uma vez: "Os resultados saíram! Com os portais finais cruzados, os campeões do Torneio Faísca Latente foram definidos!"

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