PERSPECTIVA DE SERAPHINA
Os ecos das trompas reverberaram por todo o meu corpo enquanto a voz retumbante não perdeu tempo ao anunciar:
"E a campeã do Torneio Faísca Latente é... A Equipe SDS Um!"
Os aplausos que seguiram sacudiram os meus ossos.
Minha equipe explodiu em gritos de espanto e, por um segundo de tirar o fôlego, parecia que a minha alma tinha se elevado do meu corpo. Era como se eu estivesse flutuando bem alto, observando tudo isso, essa cena impossível, acontecer com outra pessoa.
Nós... vencemos.
Eu sabia que tínhamos sido a primeira equipe a passar pelo último desafio e, tecnicamente, sabia o que isso significava.
Mas saber era uma coisa. Ouvir isso ser transmitido para o mundo era algo completamente diferente.
A tela central brilhou com as imagens: nós, machucados e feridos, atravessando o portal em uma repetição em câmera lenta.
Envolvi os braços em torno de mim mesma, incapaz de desviar o olhar das imagens. Objetivamente, eu sabia que éramos nós ali, com suor, sangue, terror e tudo mais. Mas o espetáculo havia apagado as partes duras e nos transformado em algo irreconhecível. Heróis. Campeões.
As próximas palavras me trouxeram de volta ao presente.
"Em segundo lugar ficou a Alcateia Cypress Vale!"
Um aplauso ondulou pela multidão, que comemorou, mas não tão retumbante quanto a ovação que tínhamos acabado de receber.
A imagem da equipe deles substituiu a nossa na tela central. Eles estavam encharcados de suor e partes dos seus uniformes estavam chamuscadas pelo calor da Arena. Ainda assim, estavam firmes e orgulhosos, com o talismã cintilando no pescoço do Alfa Thomas como um troféu de guerra.
Pensei no dia em que eles chegaram ao hotel, quando fiz o check-in, nervosa com a presença imponente. Eles pareciam intocáveis.
Mas eu, nós tínhamos superado eles. Uma alegria intensa explodiu no meu peito, um orgulho ardente e inegável de mim e do meu time.
"E, finalmente, em terceiro lugar: a Equipe SDS Dois!"
Suspiros de surpresa ecoaram pela sala de descanso.
O time da Jessica tinha garantido o pódio por um fio de cabelo.
A tela mostrou uma breve reprodução da batalha contra o Guardião-Chefe na Arena Cordilheira Tempestuosa, disputando palmo a palmo com a Seabreeze.
Os momentos finais mostraram o último esforço da Jessica para pegar o talismã e a sua equipe passando pela saída, ofegante, com a Seabreeze logo atrás.
Emoções conflituosas reviravam o meu estômago.
Por um lado, eu estava contente que as equipes da SDS tivessem conquistado dois lugares no pódio. Por outro lado, estava desgostosa por ter sido o time da Jessica a alcançar aquela vitória.
Mas, acima de tudo, o triunfo queimava dentro de mim. E eu estava tão absurdamente feliz por ter vencido ela.
Eu ainda conseguia me lembrar do sorriso presunçoso no rosto dela quando entrou no restaurante na noite após o primeiro desafio, declarando que lideraria a SDS ao primeiro lugar.
A imagem dela segurando uma medalha de bronze enquanto a minha equipe e eu vestíamos o ouro era tão deliciosamente satisfatória que eu quase me sentia culpada. Quase.
***
A próxima hora se tornou um desfile vertiginoso de celebrações.
Ainda vestidos com as nossas roupas desgastadas da Arena, estriados pelo suor meio congelado e cobertos por curativos frescos, o pessoal da SDS nos conduziu da sala de descanso até os corredores de mármore que brilhavam sob lustres de cristal.
O cheiro de polimento e pergaminho fresco pairava no ar enquanto éramos levados ao grande salão, que havia sido transformado para a cerimônia de premiação.
Bandeiras de todos os grupos competidores, incluindo a SDS, pendiam em filas ordenadas ao longo das paredes. Dezenas de câmeras cercavam o palco, com as suas luzes vermelhas de gravação piscando como olhos vigilantes. Fileiras de espectadores preenchiam os mezaninos acima, que zumbia com conversas e aplausos.
Estávamos no centro, ofuscados pelas luzes e com os corações acelerados.
E então Lucian apareceu.
Ele surgiu da multidão com a confiança natural de alguém que domina o ambiente. Seu terno prateado capturava o brilho das luzes, impecável em cada detalhe, e cada passo era dado com objetivo.
Meu coração disparou ao vê-lo e uma saudade intensa abalou a minha compostura. Deuses, como eu senti falta dele. Eu não tinha percebido o quanto até ele estar bem na minha frente.
Eu tinha tanto para dizer a ele, tantas histórias sobre as provas para contar e centenas de perguntas que surgiram durante esse tempo para fazer. Mas, por enquanto, eu apenas absorvi a sua presença, compensando todo o tempo que não pude vê-lo.
"Parabéns, campeões," o Lucian disse, sua voz carregando a habitual autoridade suave.
O olhar dele percorreu os nossos rostos machucados e, quando pousou em mim, suavizou e se aqueceu. Senti um calor respondendo nas minhas bochechas e descendo até os dedos dos pés, e o meu pulso acelerou. "Vocês não apenas superaram as expectativas, vocês as demoliram." Seu sorriso era mais brilhante do que todos os holofotes sobre nós. "Tenho orgulho de estender esta vitória a vocês... e à SDS."
Ele levantou uma mão e, como combinado, os ajudantes avançaram, trazendo os prêmios em bandejas polidas. Primeiro vieram as medalhas, discos de ouro, prata e bronze com o brasão da SDS, pendurados por fitas de um azul escuro profundo.
Elas capturaram a luz quando o Lucian pessoalmente colocou cada uma ao redor do pescoço dos campeões, antes de entregar um envelope grosso nas nossas mãos.
Quando ele parou na minha frente, seus lábios tremiam como se ele estivesse segurando um sorriso enorme.
O orgulho nos seus olhos quase fez os meus joelhos cederem e, por um momento, eu tive que travar as pernas para permanecer de pé.
Quando colocou a medalha em volta do meu pescoço, ele se inclinou um pouco, quase imperceptivelmente. O barítono da sua voz reverberou em mim: "Eu sabia que você conseguiria."
O calor dele ficou em mim por um breve instante, antes dele se afastar e ir até a Judy, que estava ao meu lado.
Aquilo meu animou ainda mais. Meu coração disparou e eu apertei o envelope grosso que ele colocou na minha mão: um prêmio em dinheiro, pesado e substancial, que não era nada comparado ao peso da confiança dele em mim.

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