PERSPECTIVA DO KIERAN
"Mãe!"
A voz do meu filho ressoou pelo salão, clara e forte como um sino. Todas as cabeças se viraram, mas os meus olhos estavam fixos apenas na Seraphina.
Seu corpo inteiro ficou paralisado de uma maneira que eu conhecia bem. Choque. Descrença. O reflexo instintivo antes das emoções tomarem conta.
Ela nem percebeu quando a Maya discretamente se afastou e me lançou uma piscadela conspiratória por cima do ombro.
Então, quando Daniel avançou com as flores favoritas delas apertadas nas mãos, ela se desfez.
O choque derreteu e, no seu lugar, a alegria irrompeu, crua, sem defesas e tão deslumbrantemente bela que fez o meu peito doer.
Por um momento, esqueci que não estávamos sozinhos. Esqueci o murmúrio das outras famílias, a agitação da equipe, o alvoroço dos repórteres e cinegrafistas.
Tudo o que eu via era a Sera, os seus olhos marejados e os seus braços estendidos e trêmulos enquanto o Daniel saltava para eles.
"Meu filho!" ela arfou, enterrando o rosto nos cabelos dele. Seus braços o envolviam como um abraço de aço.
O riso dele foi abafado pelo ombro dela e, ao vê-los se agarrarem com tanta ternura feroz, rompi a barreira que eu tinha me forçado a fechar na Arena.
Isso. Era por isso que eu tinha feito tudo.
Depois da ligação do Daniel sobre o elixir e a minha promessa de criar algo melhor para a Sera, quebrei a cabeça em busca de uma solução.
Isso me atormentou por muito tempo. O que eu poderia dar para a Sera para infundir a força que o Daniel queria para ela? O que a completaria?
E então, a resposta me veio.
Não havia nada, ninguém, que a Sera amasse mais neste mundo do que o nosso filho. E nenhuma bebida energética ou elixir mágico seria tão poderoso quanto o momento em que ela o abraçasse no dia da sua vitória.
Tomei as providências imediatamente.
Pedi para o Gavin aumentar a vigilância sobre o Jack e monitorar toda a comunicação com potenciais aliados.
Somente depois de ter recebido um feedback favorável o suficiente para garantir que não haveria problemas e assegurar que o Daniel estaria cem por cento seguro, eu fiz os arranjos para ele voltar para casa.
Lembro-me da preocupação na voz da minha mãe quando contei a ela o que estava planejando. "Você tem certeza, Kieran? Vale a pena?"
"Sim," respondi, sem dúvida alguma.
"Mas você tá apostando tudo na possibilidade remota de que a Sera vença. Você nem tem certeza disso."
Na época, eu nem sabia que acabaria me tornando o Guardião-Chefe do time dela. Mas, ainda assim, de alguma forma, eu sabia que ela venceria.
A Sera estava usando a medalha e tinha lágrimas de alegria escorrendo pelo rosto por estar com o nosso filho.
Encostei-me na parede, despercebido em meio ao caos, e permiti-me um raro suspiro de alívio.
O alívio era uma coisa pesada, que me ancorava enquanto as pequenas mãos do Daniel emolduravam as bochechas molhadas de lágrimas da mãe.
"Você conseguiu, mãe! Você foi incrível! Todo mundo tá falando de você!" As palavras saíam apressadas e a voz estava embargada de orgulho. "Você é a mais forte, a mais inteligente, a mais legal! Você é... Você é a melhor do mundo inteiro!"
O riso dela tremia, alto e ofegante. "Querido…" Ela beijava o rosto dele repetidamente, segurando o buquê no peito como se valesse mais do que todos os outros prêmios que ela tinha ganhado. "Deuses, senti tanto a sua falta. Não acredito que você tá aqui."
Ela se afastou um pouco, avaliando-o com olhos arregalados e incrédulos.
"Espera. Como você tá aqui?" ela gaguejou.
Daniel girou nos calcanhares e apontou direto para mim. "Foi o Papai que fez isso acontecer!"
A cabeça da Seraphina virou na minha direção e eu me preparei quando vi as emoções brilhando nos seus olhos arregalados.
Eu esperava hostilidade, talvez até raiva ou mágoa no seu olhar, algo desaprovador ou de rejeição ao me ver ali, considerando tudo o que havia acontecido na última vez em que nos vimos.
Com certeza ela estaria ressentida comigo pelo jeito brutal com que o Ashar lutou contra a equipe dela. Eu sabia que tinha feito o meu trabalho com a justiça e dureza necessárias. Ainda assim, a culpa me pressionava, e eu esperava um rancor, ou talvez apenas frieza e indiferença.
Mas não havia nada disso no seu olhar. Apenas surpresa. Gratidão. Algo… terno.
Na verdade, parecia muito com a maneira como ela me olhou duas noites antes, no bar, segundos antes de sairmos dos braços um do outro.
Então, os seus lábios se entreabriram. "Kieran…"
A voz dela era baixa e incerta, mas calorosa de uma forma que eu nunca tinha ouvido antes.
Eu dei um passo à frente antes mesmo de perceber que estava me movendo.
Daniel, alheio ao equilíbrio delicado do momento, saltitava nos calcanhares, com um sorriso tão largo que dividia o seu rosto ao meio.
"Ele planejou tudo, Mamãe! Ele conversou com o Vovô e a Vovó, e disse que sabia que você ia ganhar, então ele me trouxe pra que eu pudesse te abraçar quando isso acontecesse!"
"É... É verdade?" Sera perguntou suavemente, ainda com o olhar fixo em mim.
Eu me obriguei a manter as pernas no lugar e a não me aproximar mais dela. "Sim." Minha voz saiu mais áspera do que eu pretendia. "O Daniel queria estar aqui. E… eu achei que você merecia. Vocês dois."
No meio do burburinho ao nosso redor, o silêncio tenso e frágil se alongou por um momento.
Então, ela engoliu em seco e a sua garganta subiu e desceu. "Obrigada."
Uma palavra. Mas que carregava mais peso do que qualquer título ou troféu.
Antes que eu pudesse me recompor o suficiente para responder, o estalo agudo de um flash de câmera me assustou.
"Vencedores, se reúnam!" o fotógrafo oficial chamou, acenando impacientemente. "Hora das fotos em grupo."
Eu não precisava da maldita permissão dele para fazer nada.
E se ele achava que a dinâmica do nosso relacionamento, ou a falta dela, tinha mudado porque eu concordei em ser o Guardião-Chefe, ele estava muito enganado.
"Vamos, Pai!" O puxão animado do Daniel chamou a minha atenção e eu deixei que ele me levasse até onde todos estavam reunidos para as fotos.
Mantive a expressão neutra, embora por dentro o meu peito estivesse em tumulto.
Estar ao lado da Sera, com o nosso filho entre nós, era como... invadir uma casa onde eu morei, mas que tinha sido vendida.
O fotógrafo se preocupava com os ângulos, alinhando-nos: a minha mão no ombro do Daniel, a Sera próxima do outro lado dele, a equipe dela ao nosso redor, as famílias preenchendo o espaço.
"Perfeito," o fotógrafo exclamou, disparando flash após flash. "Sorriam!"
O sorriso do Daniel poderia iluminar todo o salão e só era rivalizado pelo da Sera.
Eu tentei sorrir também, embora o meu sorriso parecesse mais pesado.
Por alguns segundos, me permiti fingir que aquilo era normal, fingir que não tínhamos nos divorciado, fingir que ainda éramos uma família, posando para uma foto.
O último flash piscou, deixando manchas na minha visão.
"Maravilhoso," declarou o fotógrafo. "Terminamos!"
Antes que pudéssemos nos separar, o Daniel se virou para mim, com a sua voz transbordando de empolgação.
"Pai, você vai na celebração da vitória da Mamãe, né?" ele perguntou, puxando a minha manga.
A pergunta me pegou de surpresa e eu olhei por cima da cabeça dele para a Sera, buscando uma resposta nos seus olhos.
Ela queria que eu estivesse lá?
Ela quase imperceptivelmente se encolhia a cada movimento e eu sabia que, sob o seu uniforme, ela usava curativos... por minha causa.
Não havia a menor chance de ela querer um dos obstáculos para sua vitória na sua comemoração.
Então, me preparei para a rejeição. Eu merecia. Como diria o Lucian, seria justo.
Mas, antes que a Sera pudesse dar o golpe, outra voz interrompeu, mais afiada e carregada de malícia.
"Veja! Olhe pra ele!" A voz da Celeste cortou o murmúrio à nossa volta, chamando a atenção de todos. "Sorrindo, ao lado dela. E querem que eu acredite que ele não sabotou a luta?"
Os pelos da minha nuca se arrepiaram.
E assim, o frágil encantamento da reunião se desfez.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei
Finalmente toda a verdade do Lucian veio à tona. Só não faz sentido ele saber antes de qualquer pessoa (inclusive família) que a Zara era prima. Cadê a tia irmã de Margareth então? Porque Sera e Margareth foram mais importantes para Catherine do que esse outro braço da família?...
Quero saber até onde o Lucian estar envolvido com Katherine e Marcos...
Ok, sera não aceitar o vínculo. Agora deixa o Kieran seguir a vida dele em paz...
Tá muito bom os capítulos...
Preciso de ajuda pra comprar moedas, não consigo completa minha compra...
Sera era uma bobinha manipulada e do nada se tornou fodona. A autora exagerou demais. Comecei a ler uma romance onde o começo imita uma história que já existe e depois, a autora acrescentou "os mutantes" na história. Kkkkk Mas os capítulos que abrem essa história nada mais é do quem o plágio de uma história que já existe. A irmã, o marido que gosta da irmã, a noite em que a irmã errada dorme com o cara, casa com ele tem um filho. O divórcio e só depois ele começa a gostar dela... Enfim, copiou na cara dura....
Livro muito bom!!! Sem muita enrolação e historia com enredo e fluxo. Aguardando próximos capítulos e o encerramento breve!!!...
SERAPHINA é muito fraca e idiota,Catherine manipula ela fácil fácil, eu ia lá se sacrificar por uma pai uma família que sempre me tratou mal, eles que se virem...
Escritora por favor, melhora isso aí, Sera fez o ex marido comer o pão que o diabo amassou, botou homens na cara dele, agora a cobra da irmã dela baixa o espírito de Santa e Sara na primeira oportunidade já vai abraçar, me poupe, mais criatividade por favor...
Quando Sera vai descobrir a peste falsa e manipulador que lucian é?? Ele ainda foi embora com o amor da vida dele e ainda deixou a Sera responsável pelos negócios dele, Sera é muito idiota,...