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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 160

PERSPECTIVA DA CELESTE

Nunca na minha vida odiei tanto ver um sorriso.

Minha equipe tinha chegado em último lugar e cruzado a linha de chegada pouco antes do tempo acabar, todos machucados, ensanguentados e humilhados.

O Ethan, nosso maldito Alfa, ao invés de direcionar a sua raiva para quem era responsável pelo nosso fracasso, sorriu para a Elara com algo perigosamente parecido com aprovação.

"Você liderou bem," ele disse, colocando orgulho em cada palavra. "Ganhando ou perdendo, você manteve a honra e o espírito da Frostbane."

Aquelas palavras me atingiram mais do que qualquer golpe do Ashar.

Elara, sentada em um banco na sala de descanso com as costelas enfaixadas, ainda conseguiu sorrir, satisfeita. "Obrigada, Alfa."

Aquele olhar, tão convencido, tão autossuficiente, era como uma faca torcendo no meu peito. Ela tinha roubado tudo de mim, a minha liderança, a minha autoridade, o meu lugar legítimo como campeã.

E o meu próprio irmão a elogiou por isso.

Travei o maxilar e cerrei os punhos ao lado do corpo, enquanto os médicos se moviam entre as equipes, ajoelhando-se com as suas mochilas, tratando cuidadosamente os ferimentos e distribuindo curativos aos que estavam desmoronados nos bancos ou espalhados pelo chão.

O cheiro estéril de ervas e pomadas me enojava. Eu ainda podia sentir o gosto do sangue na boca e a dor nas minhas costelas latejava a cada respiração curta.

Mas não era a dor que fazia as minhas mãos tremerem.

A tela central brilhava vermelha através da névoa da minha raiva e a visão da medalha de ouro cintilando no pescoço da Seraphina me fazia querer incendiar o prédio, o inferno, o mundo inteiro!

Um dos médicos, um Ômega inútil, abaixou-se na minha frente, segurando uma pequena caixa de curativos e gaze. "Senhorita Celeste, se puder ficar quieta um minuto..."

Eu bati na caixa, tirando-a das mãos dele. O conteúdo rolou e se espalhou pelo chão de pedra. Sussurros alarmados surgiram ao nosso redor.

O Ômega recuou, atordoado, e os seus olhos arregalados brilhavam com mágoa. "M-minha senhora..."

"Não me toque!" Eu gritei, levantando-me de forma instável.

O movimento causou uma dor aguda na lateral do meu corpo. Pensar que foi o próprio Kieran quem infligiu essa agonia à mim tornava tudo dez vezes pior.

"Não preciso das suas falsas gentilezas," eu sibilei para ele. "O que eu preciso é de justiça."

"Celeste," Ethan chamou rispidamente.

A entonação de Alfa dele cortou o ar como um chicote, mas isso só atiçou ainda mais a fúria que fervia no meu peito.

"Você não tá nem um pouco irritado?" Eu me virei para ele e o mundo balançou por um instante antes de se estabilizar.

Confusão franziu as sobrancelhas dele. "Do que você tá falando agora?"

Eu apontei para a saída. "Tô falando da fraude pública que testemunhamos lá fora!"

Os murmúrios aumentaram.

Do outro lado da sala, vi os membros da SDS ficarem tensos. Seus uniformes brilhavam, imaculados em comparação às nossas roupas desgastadas e cobertas de neve.

Dois dos três primeiros lugares foram tomados por eles, Ômegas inferiores e rejeitados deficientes.

Era tão ridículo que dava vontade de rir. O destino não era cego e desleixado a ponto de permitir que essa piada de injustiça acontecesse.

Era claro para qualquer um com um par de olhos funcionando que as provas tinham sido cuidadosamente roteirizadas para a glória deles.

"Fraude?" A voz do Ethan caiu para um tom perigosamente baixo.

"Sim!" Apontei para os grupos da SDS. "Dois dos três primeiros. Dois! E a gente tem que acreditar que é coincidência? Que é habilidade? Não seja ingênuo, Ethan. Eles foram favorecidos desde o início. A avaliação, os desafios... tudo foi armado a favor deles."

Um dos membros da SDS, um homem alto com um queixo angular, deu um passo à frente, seus olhos cinzas brilhando. "Cuidado, Frostbane."

"Ou o quê?" Cuspi. "Vocês vão trapacear ainda mais descaradamente? Deuses, vocês nem conseguem ser sutis!"

Um murmúrio de indignação atravessou a sala.

"Você ousa duvidar da integridade do TFL?" alguém rebateu, uma mulher morena cuja voz carregava autoridade. "Todos os resultado foram revisados por um Conselho de Anciãos imparciais e nenhum deles tem qualquer tipo de vínculo com a SDS. Todos os segundos os desafios foram transmitido pra todo mundo ver. Todo o processo das provas foi transparente." Seus olhos castanhos se estreitaram. "Se você não consegue aceitar a sua derrota, então engula isso em silêncio. Não manche a nossa honra."

"Você não conheceria honra nem se ela arrancasse a sua garganta," eu sibilei.

A mão do Ethan agarrou o meu braço, forte o suficiente para deixar marcas. "Chega."

Tentei me soltar, torcendo o braço, mas o seu aperto era implacável. Quando não consegui me soltar, optei por lançar um olhar furioso para ele.

"Chega? Você deveria estar furioso! Deveria estar exigindo respostas, não parado aí como um diplomata frouxo. A Frostbane foi humilhada lá fora. Eu fui humilhada!"

"Você se humilhou," Elara resmungou, sem levantar o olhar enquanto os seus curativos eram fixados.

Virei a cabeça na direção dela. "O que você disse?"

"Você ouviu." Seu olhar permaneceu firme, inabalável, mesmo quando os nós dos dedos dela embranqueceram sobre o joelho. "Quer saber por que perdemos, Celeste?" Ela se inclinou, ainda sentada. "Não foi porque os outros times eram melhores. Nem porque alguém trapaceou. E com certeza não foi por causa dos juízes."

Ela apontou um dedo direto para mim. "Nós perdemos porque o fardo morto da nossa equipe nos atrasou. Assuma a responsabilidade pela primeira vez na sua vida privilegiada."

O vermelho invadiu os cantos da minha visão e, com um rosnado, me lancei para frente, determinada a arrancar os olhos da Elara.

"Celeste!" Ethan gritou.

Sua ordem de Alfa me congelou no meio do passo e as suas unhas cravaram dolorosamente no meu braço enquanto ele me puxava de volta.

Os olhos do meu irmão brilhavam e o seu rosto estava tenso de fúria. "Quando eu digo que chega, é pra valer, Celeste. Você não vai manchar ainda mais o nosso nome."

Fiquei boquiaberta, incrédula. A minha raiva abafava a dor de cada outro ferimento do meu corpo, inclusive o que o aperto dele estava causando agora.

Ethan não esperou por uma resposta e se voltou para os membros da SDS que observavam. "Em nome da Frostbane, peço desculpas pelo comportamento dela."

Os membros da SDS ainda estavam tensos, mas parte da tensão aliviou-se com as suas palavras.

Eu, no entanto, tremia da cabeça aos pés. Pedir desculpas? Por mim?

A raiva me queimava por dentro. Minha garganta ardia e as lágrimas surgiram nos cantos dos meus olhos, não por arrependimento, mas pela pura injustiça daquilo tudo.

Eu não seria feita de vilã. Não aqui. Não enquanto o nome da Sera estava em todas as bocas, com elogios para ela ecoando por todos os cantos.

"Muito bem," soltei entre dentes. "Se ninguém mais vai exigir provas, então eu vou." Elevei a voz. "Quero que as imagens das câmeras sejam revisadas."

Ethan gemeu. "Celeste..."

"Não!" Virei-me para ele, ignorando o tom de aviso. "Não ouse tentar me calar de novo. Se não há nada a esconder, então não há mal em ser transparente. Eu me recuso a engolir essa humilhação sem respostas."

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