PERSPECTIVA DO KIERAN
Para ser honesto, era vergonhoso o quanto demorei para entender as encenações da Celeste pelo que realmente eram.
Agora, observando as suas mãos pálidas se contorcendo e as lágrimas habilidosamente escorrendo pelas suas bochechas, tudo ficou claro como o dia.
Ela queria que eu desse um passo à frente, que silenciasse os sussurros ao nosso redor, que a envolvesse nos meus braços e pedisse desculpas por toda a dor e sofrimento que ela passou.
Antes, eu talvez tivesse feito isso e deixado que os meus sentimentos por ela me cegassem para as suas artimanhas e jogadas.
Mas não hoje. Não depois de ela me acusar tão cruelmente e em público de manipular o desafio a favor da Sera.
A mágoa latejava no meu orgulho, fresca e crua. A Celeste não apenas questionou o meu julgamento, ela destruiu a minha autoridade como Alfa, diante da minha Alcateia, do mundo, do meu próprio filho.
Se fosse qualquer outra pessoa a me desafiar assim, teria sido despedaçada aos meus pés.
Eu queria acreditar que era carinho que me segurava. Mas, na verdade, era pena. Eu não conseguia parar de lembrar dela se humilhando na Arena, implorando para o Ashar lhe dar o talismã sem lutar. E ela ainda teve a ousadia de afirmar que eu entreguei a vitória para a Sera.
Eu fiquei ali e o meu silêncio foi se prolongando. As minhas mãos estavam cerradas em punhos ao meu lado. Isso era tudo que eu podia oferecer a ela agora, porque, se eu dissesse o que pensava, ambos nos arrependeríamos.
"Todos nós vamos à festa de comemoração da Mamãe," a voz suave do Daniel ecoou pela multidão. "Por que você não vem também, Tia Celeste?"
Olhei para o meu filho, chocado.
Eu não tinha percebido que ele tinha se adiantado, mas agora estava diante de mim, com o queixo erguido, o cabelo nos olhos e calmo de um jeito que me encheu de orgulho.
Era a primeira vez que ele usava aquele título: Tia Celeste. Não soou afetuoso nem caloroso, mas sim educado. Foi um gesto de graça e maturidade que me pegou desprevenido.
Por um momento tenso, pensei que poderia funcionar e que a Celeste veria o convite como uma oferta de paz.
Mas os lábios da Celeste se curvaram. "De jeito nenhum," ela disse, com uma voz afiada e definitiva. "Prefiro morrer a me juntar a vocês pra comemorar uma fraude."
A tensão no meu maxilar se intensificou até o ponto de ruptura.
Ouvi a Sera ofegar.
Bendito seja o coração do Daniel. A compostura dele não vacilou, mas os seus olhos piscaram uma vez na minha direção.
Apertei gentilmente o ombro dele. Eu estava imensamente orgulhosa dele. Não era segredo que ele não gostava da Celeste, mas ele colocara os seus sentimentos pessoais de lado para ser gentil com ela e, de alguma forma, ela tinha conseguido ser mais infantil que uma criança de nove anos.
"Venha, querido," a voz da Sera cortou a nuvem negra que a Celeste havia lançado sobre nós como um arco-íris. Ela envolveu o Daniel com uma mão protetora no ombro. "Já tivemos emoção suficiente por um dia."
Meus dedos coçavam com a vontade de puxá-los de volta para o meu lado, mas deixei que eles se afastassem, mantendo o meu olhar firme à frente.
"Você deveria descansar, Celeste," eu disse friamente, sem mais paciência.
Olhei para o meu melhor amigo, cuja paciência parecia estar pendurada no mesmo fio precário que a minha.
"Ethan, leve-a pra casa, por favor."
Celeste endureceu e ameaçou abrir a boca.
As lágrimas vacilaram apenas por um instante antes de caírem ainda mais fortes, enquanto ela dava tudo de si na atuação.
Virei-me sem dizer outra palavra e deixei todo o teatro para trás.
***
PERSPECTIVA DA CELESTE
As palavras me atingiram como água gelada no rosto.
"Ethan, leve-a pra casa, por favor."
Não era essa a minha intenção. Deuses do céu, não era essa a minha intenção.
O Kieran deveria ter percebido que eu estava blefando e deveria ter entendido que eu só queria que ele insistisse um pouco, que demonstrasse que eu era mais importante do que a comemoração ridícula da vitória da ex-mulher dele.
Mas, em vez disso, os olhos dele estavam frios como pedra. Sem calor. Sem indulgência. Apenas um desprezo cruel.
A sensação de pânico cresceu dentro de mim como uma onda gigantesca quando ele se virou, indo em direção à saída dos fundos.
Me virei abruptamente para o Ethan, buscando ajuda. "Ethan," sussurrei. As lágrimas que escorriam pelas minhas bochechas dessa vez eram verdadeiras. "Você não vai deixar ele me tratar assim, vai? Você vai lembrá-lo de quem eu sou. Vai lembrá-lo de que o meu lugar é ao lado dele."
O olhar do Ethan, firme e frio, não amoleceu. "O Kieran tem razão. Você precisa descansar, Celeste. Você já passou por muita coisa hoje."
Engoli em seco. "Ethan..."
"Vou à festa da Sera com Maya, mas antes vou providenciar pra que alguém te leve pra casa da Mãe. Ela saberá como cuidar de você."
"Não!" A palavra escapou de mim, alta demais, estridente demais, atraindo mais daqueles olhares amaldiçoados na minha direção.
Deuses, eu ainda não conseguia acreditar que ele estava aqui. Parecia que, se eu não estivesse sempre tocando nele, ele desapareceria como uma miragem.
Daniel endireitou os ombros, ergueu o queixo e disse, com a sua voz jovem surpreendentemente firme: "O Vovô Christian sempre me disse que um verdadeiro Alfa não se deixa levar pelo humor dos outros," ele começou, suas palavras carregando uma clareza sábia que fez o meu coração se apertar. "Ele disse que as emoções não são bons líderes, mas bons seguidores. E disse também que, mesmo que eu não goste de alguém, devo mostra a essa pessoa o básico da cortesia, porque o Alfa não é apenas ele mesmo, ele é o exemplo que a Alcateia segue."
As palavras dele, tão medidas, tão ponderadas, me tocaram profundamente. Ele ainda era uma criança, mas se portava com uma compostura que podia rivalizar com a de Alfas adultos.
Orgulho e algo como tristeza colidiam dentro de mim.
Eu estava muito impressionada com o jovem no qual o meu filho estava se transformando. Ainda assim, não pude deixar de me perguntar se ele não estava aprendendo todas essas lições cedo demais. Como herdeiro de um Alfa, será que ele estaria perdendo a oportunidade de ser uma criança despreocupada?
Daniel continuou falando, com a sua pequena mão quente na minha: "Eu não gosto dela, Mãe. Mas ela ainda é filha do Vovô Edward e da Vovó Margaret. Então, por eles, vou tratá-la com respeito."
Ele olhou para trás e revirou os olhos ao ver a Celeste agarrada à manga do Ethan, chorando. "Mesmo que ela não mereça."
Pisquei para afastar as lágrimas que teimavam em brotar nos cantos dos meus olhos e senti a minha garganta doer.
"Você me deixa tão orgulhosa, Daniel," eu sussurrei, baixo o suficiente para que ninguém mais ouvisse. "Mais do que você jamais saberá."
Ele apertou a minha mão. "Vamos, Mãe. Hoje , a noite é sobre você. Vamos."
"É," funguei. "Vamos."
Caminhamos juntos em direção à saída principal do prédio da SDS. Atrás de nós, os soluços da Celeste persistiam, mas não me virei. Eu não tinha mais energia para gastar com os escândalos dela.
Quando as portas se abriram, o ar fresco da noite nos envolveu e eu respirei profundamente, em gratidão.
Esse provavelmente foi o dia mais longo da minha vida. Acordei em uma caverna congelada, lutei quase até a morte contra uma verdadeira fera (também conhecido como meu ex-marido), venci o desafio, fui arrastada novamente para o drama caótico entre a minha irmã e o ex-marido supramencionado e agora estava terminando o dia com o calor tranquilo e reconfortante da mão do meu filho na minha.
Então, duas figuras emergiram das sombras dos carros que me aguardavam.
Lucian, com todo o seu charme e a sua confiança, me ofereceu um sorriso que brilhava nos seus lindos olhos azuis. O reluzente carro vermelho estava atrás dele, com a porta do passageiro já aberta como se estivesse preparada de antemão.
Ao seu lado, estava o Kieran, menos polido, mas infinitamente mais firme. Seu olhar escuro fixou em mim com intensidade suficiente para derreter aço. O Escalade dele estava parado nas proximidades, com o interior levemente iluminado.
Ambos os homens estenderam as mãos ao mesmo tempo e eu prendi a respiração.
"Sera," o Lucian disse suavemente, inclinando a cabeça. "Daniel. Permitam-me."
"Não se incomode," a voz do Kieran, mais calma e firme, seguiu. "Eles podem ir comigo."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei
Finalmente toda a verdade do Lucian veio à tona. Só não faz sentido ele saber antes de qualquer pessoa (inclusive família) que a Zara era prima. Cadê a tia irmã de Margareth então? Porque Sera e Margareth foram mais importantes para Catherine do que esse outro braço da família?...
Quero saber até onde o Lucian estar envolvido com Katherine e Marcos...
Ok, sera não aceitar o vínculo. Agora deixa o Kieran seguir a vida dele em paz...
Tá muito bom os capítulos...
Preciso de ajuda pra comprar moedas, não consigo completa minha compra...
Sera era uma bobinha manipulada e do nada se tornou fodona. A autora exagerou demais. Comecei a ler uma romance onde o começo imita uma história que já existe e depois, a autora acrescentou "os mutantes" na história. Kkkkk Mas os capítulos que abrem essa história nada mais é do quem o plágio de uma história que já existe. A irmã, o marido que gosta da irmã, a noite em que a irmã errada dorme com o cara, casa com ele tem um filho. O divórcio e só depois ele começa a gostar dela... Enfim, copiou na cara dura....
Livro muito bom!!! Sem muita enrolação e historia com enredo e fluxo. Aguardando próximos capítulos e o encerramento breve!!!...
SERAPHINA é muito fraca e idiota,Catherine manipula ela fácil fácil, eu ia lá se sacrificar por uma pai uma família que sempre me tratou mal, eles que se virem...
Escritora por favor, melhora isso aí, Sera fez o ex marido comer o pão que o diabo amassou, botou homens na cara dele, agora a cobra da irmã dela baixa o espírito de Santa e Sara na primeira oportunidade já vai abraçar, me poupe, mais criatividade por favor...
Quando Sera vai descobrir a peste falsa e manipulador que lucian é?? Ele ainda foi embora com o amor da vida dele e ainda deixou a Sera responsável pelos negócios dele, Sera é muito idiota,...