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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 163

PERSPECTIVA DO LUCIAN

No momento em que a Sera saiu do carro do Kieran, o mundo pareceu se estreitar ao seu redor. O ar noturno tocou a borda do vestido dela, cetim preto com um brilho dourado, e, por um segundo, esqueci como respirar. Ela era verdadeiramente uma criatura deslumbrante, fosse vestida com trajes cobertos de neve e cheia de machucados ou com um lindo vestido.

Sua história já estava escrita: uma fênix que renasceu das cinzas para se tornar a campeã do TFL e, futuramente, a minha Luna. E seria uma Luna gloriosa.

Mas, então, o mundo voltou a se expandir ao seu redor, e eu o vi. A mão dela estava entrelaçada com a do Kieran desde o momento em que ele a ajudou a sair do carro. A outra mão dele estava apoiada na porta, o aperto se intensificando como se fosse a única coisa que o mantivesse ancorado ao chão.

A gravata dele, preta com listras douradas, combinava com os detalhes do vestido dela. A percepção daquele detalhe caiu como uma lâmina entre as minhas costelas: estavam combinados, fosse por acaso ou de propósito. E, quando o Daniel saltou do banco traseiro, a faca girou.

Ele sorriu e segurou a mão da Sera, com as abotoaduras e a gravata borboleta douradas brilhando. Ele era a prova viva do que a Sera e o Kieran um dia foram um para o outro. A ponte que sempre os conectaria.

Havia uma suavidade no ar, uma harmonia passageira e desprotegida que eu já tinha percebido antes. Ciúme não era algo novo para mim. Possessividade também não. Mas isso parecia diferente.

Sempre que eu era possessivo em relação à Zara, ou invejava a gentileza que ela demostrava a homens que rapidamente se deitariam com ela se tivessem a oportunidade, no fundo eu sabia que não importava o que acontecesse, ela era minha.

Mas essa incerteza, essa falta de controle sobre a Sera... isso me incomodava. Eu não sabia como lidar com isso.

O meu adversário não era um idiota de olhos arregalados que não tinha nenhuma chance. E, embora o poder de Alfa do Kieran não me abalasse, a posição que ele ocupava na vida da Sera sim.

Mas eu não era de desistir. Nunca encontrei um desafio que não enfrentasse de frente e superasse.

Não importava quem o Kieran tinha sido para a Sera.

O que importava agora era quem eu seria.

"Sera!" chamei alegremente, levantando a mão em saudação.

Seu olhar encontrou o meu e, quando os seus olhos brilharam, a tensão no meu peito relaxou o suficiente para que eu pudesse respirar novamente.

Ela sussurrou algo para o Daniel e, quando ele acenou com a cabeça, ela soltou a mão dele e começou a caminhar na minha direção.

"Lucian," ela me cumprimentou um pouco sem fôlego e adorei como ela parecia contente em me ver.

Embora eu tivesse ficado de olho no seu desempenho durante o Torneio, senti muito a falta dela.

A química entre nós talvez não tivesse fervido como eu gostaria, mas eu ainda me importava profundamente com ela.

"Sera," respondi, inclinando levemente a cabeça. "Você parece vitoriosa."

Ela riu suavemente. "Agradeça ao corretivo e à base por esconderem todos os machucados e cicatrizes que as suas Arenas me deram."

Eu ri, lançando um olhar breve para o Kieran. Ele, sem dúvida, tinha sido responsável pelas piores cicatrizes de todas. Ainda assim, ela continuava perto dele.

Agora, ele estava atrás dela, silencioso e indecifrável, mas a sua presença era tão forte que distorcia o ar entre nós.

Daniel acenou entusiasticamente. "Alfa Reed!"

"Lucian," corrigi automaticamente, enchendo o sorriso de charme. "Você tá elegante, Daniel."

Ele estufou o peito com orgulho. "Eu mesmo escolhi a minha roupa."

Eu ri. "E você fez um trabalho incrível. Tá se tornando um jovem muito promissor."

Meu olhar se voltou para a Sera, suavizando-se. "Você o criou muito bem."

Esse comentário talvez tenha sido um erro.

Porque os olhos do Kieran se voltaram para mim, afiados como uma lâmina, e o ar pareceu se trepidar entre nós.

Eu conhecia aquele olhar.

Já tinha visto antes do Torneio, bem antes da briga mais satisfatória da qual eu já tinha participado.

Para ser sincero, não me importaria de participar de uma segunda rodada, afinal, eu tinha muito mais frustrações para resolver com o Kieran.

Mas esta noite não era para isso. A noite era para a Sera.

Então, eu dei um sorriso controlado, despreocupado e irritante (para o Kieran, eu esperava). Estendi a mão. "Vamos, Sera?"

Ela hesitou e eu percebi um vestígio de incerteza nos seus olhos antes que ela a disfarçasse. Após um momento, ela deslizou a sua mão pelo meu braço estendido com um toque leve.

Nós tínhamos comparecido a várias festas juntos, mas esta noite não parecia ser como as anteriores.

Havia um... espaço. Uma distância intangível entre nós que nunca havia existido antes.

Antes do Torneio, a mão dela repousava no meu braço como se fosse o seu lugar. Agora, ela pairava. Hesitante. Como se ela já não tivesse certeza sobre nós.

Naquele momento, a conversa que eu tinha tido com o William alguns dias antes ressurgiu na minha mente.

Foi logo depois que o time dele desistiu do Torneio.

Ele tinha me acusado de projetar a Floresta Nebulosa para dar uma vantagem injusta aos Ômegas e aos lobos sem alcateia.

Eu rebati apontando os três diferentes antídotos que tinha colocado por toda a Arena, destinados a neutralizar os efeitos da névoa, assim como as frutinhas quentes na Arena do Campo de Neve tinham sido criadas para ajudar os Ômegas a sobreviverem ao frio.

Então, revelei que as Arenas foram originalmente ideias da Zara e que eu tinha apenas desenvolvido.

Depois disso, a conversa entrou em um terreno desconfortável. "E a Sera tá ciente," William perguntou, "que a influência da Zara é forte ao redor dela?"

Fiquei tenso. Sentia as minhas defesas surgirem automaticamente em resposta a qualquer menção à Zara.

"A Sera não sabe sobre ela," respondi secamente.

"Por que não?"

Não consegui responder. Pra quê saberia? A Zara se foi. Nada que eu pudesse fazer mudaria isso. A única coisa que me restava era seguir em frente e tentar deixar o passado para trás.

"Você continua pensando que pode fugir do passado, Lucian," meu irmão mais velho disse, como se pudesse ler a minha mente. "Mas evitá-lo não o apaga. Você não vai amar a Sera enquanto finge que a Zara nunca existiu. Você vai perdê-la da mesma forma que perdeu todo o resto, quando for tarde demais pra reverter a situação."

As palavras dele penetraram fundo, mas, na época, as ignorei e disse a mim mesmo que não estava fugindo, estava respeitando.

A Sera já tinha bagagem suficiente na vida e não precisava ser sobrecarregada pelos fardos do meu passado.

Agora, sentindo essa distância apesar de quão fisicamente próximos a Sera e eu estávamos, compreendi o que o William quis dizer.

Eu pensava que estava protegendo ela das partes de mim que não eram perfeitas ou controladas. Em vez disso, construí um muro e a deixei do outro lado.

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