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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 180

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

Se eu soubesse que o Lucian estaria aqui, talvez tivesse encontrado uma desculpa para não participar desse acampamento. Não porque eu o odiasse (Deusa, eu gostaria que fosse tão simples assim) mas porque me sentia incerta e exposta. Depois da bomba chamada Zara, eu estava lutando para entender a nova dinâmica entre nós e não sabia o que queria dele ou de mim mesma.

Não tinham se passado nem dois dias desde que pedi um tempo para ele e eu ainda não sabia como navegar a situação. Agora, só me restava torcer para descobrir como lidar à medida que as coisas fossem acontecendo.

Por um momento, os risos, a luz do sol, o cheiro de pinho... tudo se desfocou e virou só um ruído de fundo.

O olhar dele estava firme, mas cauteloso, como se ele não soubesse se deveria sorrir ou se afastar. Ele parecia mais velho, como se a nossa última conversa tivesse acontecido há vinte anos, não apenas dois dias.

O cabelo dele estava solto, descansando sobre os ombros, um pouco desarrumado, e a compostura habitual dele foi substituída por um cansaço silencioso.

Desviei o meu olhar dele e me virei para a Judy, forçando um sorriso que provavelmente não enganou ninguém. “Eu não sabia que ele estaria aqui.”

Judy sorriu, alheia ao turbilhão no meu estômago. “É, convidamos ele no último minuto. Quer dizer, você consegue imaginar um retiro dos campeões sem o grande idealizador?”

Claro. Dã.

Foi o Lucian quem criou a SDS, quem construiu tudo do zero. Fazia sentido que todos o vissem como o coração do grupo. Se a Zara estivesse viva, provavelmente teria sido convidada também.

Ah, droga.

Toda a confusão com o Kieran me distraiu da situação com o Lucian. Mas, agora, a situação com o Lucian empurrou a bagunça com o Kieran para o fundo da minha mente.

Sabe o que teria sido incrível? Se eu tivesse nascido humana. Aí eu poderia ser uma freira e fazer um voto de abstinência dos homens. E minha vida seria mil vezes mais fácil.

"Vamos lá." Judy bateu palmas uma vez, sorrindo. "Vamos dar um jeito nisso."

Consegui acenar com a cabeça, embora o meu coração ainda estivesse acelerado. Deixei que a memória muscular assumisse o controle e entrei no piloto automático.

Minha mente lutava para se reorganizar, para se ajustar à realidade de passar os próximos dois dias perto da pessoa para quem eu tinha pedido um tempo.

Eu sentia a presença do Lucian como se fosse um calor na nuca. De vez em quando, eu arriscava um olhar e via que ele também estava me observando.

Fiel ao meu pedido, ele manteve distância e não tentou falar comigo. Eu deveria estar satisfeita com isso, mas então o ouvi conversando com os meus colegas de equipe naquele tom envolvente, rindo e sorrindo com o mesmo carisma que antes me fazia sentir segura.

Ele ainda parecia irritantemente tranquilo, é claro. Ele era o calmo e centrado Lucian Reed, o Alfa que conseguia encantar tudo e todos.

E eu estava de péssimo humor.

Judy foi a primeira a notar.

Estávamos sentadas em um tronco caído perto da fogueira, cortando vegetais para o churrasco, quando ela se inclinou e falou mais baixo: "Bom, me conta. O que tá rolando entre você e o Senhor Alto-e-Sombrio ali?"

Quase deixei cair a faca. "O quê?"

"Não se faça de boba," ela disse, arqueando a sobrancelha. "Você mal olhou pra ele desde que chegou aqui. E ele fica olhando pra você como um cachorrinho perdido."

"Ele não é..." suspirei. "É complicado."

"Complicado é o meu sabor favorito," a Judy disso, sorrindo. "Vamos lá. Sei que não sou a toda-poderosa Maya Cartridge, mas somos amigas, né?"

Dei uma risadinha. "Segundo a sua mãe, somos irmãs."

Ela riu e me cutucou. "Exatamente. Então, o que tá pegando?”

Eu hesitei. Senti o meu rosto esquentar enquanto as palavras pressionavam a minha garganta, querendo sair por conta própria. Guardar todos esses segredos estava me esgotando.

Finalmente, exalei. "Nós terminamos."

Judy piscou. "Ah." Depois, repetiu mais suavemente, "Ah, Sera."

A expressão dela se derreteu em simpatia e isso doeu ainda mais do que se ela tivesse tirado sarro de mim.

Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, alguém tossiu atrás de nós e viramos em direção ao som. Era a Roxy, com uma bandeja de espetinhos e aquele olhar de culpa. "Eu... uh... não queria bisbilhotar," disse ela rapidamente. "Só..."

"Roxy, tudo bem." Dei um sorriso leve. "Você não fez nada de errado."

O rosto dela se desmanchou. "É por causa do que eu disse?" Eu nunca tinha visto a Roxy parecer tão arrependida antes. "Sobre a companheira dele?"

Demorei para responder e os olhos dela se arregalaram. Ela se jogou no tronco ao meu lado, segurando a bandeja com mais força.

"Caramba, Sera, eu tava só sendo chata mesmo. Eu não queria..."

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