PERSPECTIVA DA SERAPHINA
Se eu soubesse que o Lucian estaria aqui, talvez tivesse encontrado uma desculpa para não participar desse acampamento. Não porque eu o odiasse (Deusa, eu gostaria que fosse tão simples assim) mas porque me sentia incerta e exposta. Depois da bomba chamada Zara, eu estava lutando para entender a nova dinâmica entre nós e não sabia o que queria dele ou de mim mesma.
Não tinham se passado nem dois dias desde que pedi um tempo para ele e eu ainda não sabia como navegar a situação. Agora, só me restava torcer para descobrir como lidar à medida que as coisas fossem acontecendo.
Por um momento, os risos, a luz do sol, o cheiro de pinho... tudo se desfocou e virou só um ruído de fundo.
O olhar dele estava firme, mas cauteloso, como se ele não soubesse se deveria sorrir ou se afastar. Ele parecia mais velho, como se a nossa última conversa tivesse acontecido há vinte anos, não apenas dois dias.
O cabelo dele estava solto, descansando sobre os ombros, um pouco desarrumado, e a compostura habitual dele foi substituída por um cansaço silencioso.
Desviei o meu olhar dele e me virei para a Judy, forçando um sorriso que provavelmente não enganou ninguém. “Eu não sabia que ele estaria aqui.”
Judy sorriu, alheia ao turbilhão no meu estômago. “É, convidamos ele no último minuto. Quer dizer, você consegue imaginar um retiro dos campeões sem o grande idealizador?”
Claro. Dã.
Foi o Lucian quem criou a SDS, quem construiu tudo do zero. Fazia sentido que todos o vissem como o coração do grupo. Se a Zara estivesse viva, provavelmente teria sido convidada também.
Ah, droga.
Toda a confusão com o Kieran me distraiu da situação com o Lucian. Mas, agora, a situação com o Lucian empurrou a bagunça com o Kieran para o fundo da minha mente.
Sabe o que teria sido incrível? Se eu tivesse nascido humana. Aí eu poderia ser uma freira e fazer um voto de abstinência dos homens. E minha vida seria mil vezes mais fácil.
"Vamos lá." Judy bateu palmas uma vez, sorrindo. "Vamos dar um jeito nisso."
Consegui acenar com a cabeça, embora o meu coração ainda estivesse acelerado. Deixei que a memória muscular assumisse o controle e entrei no piloto automático.
Minha mente lutava para se reorganizar, para se ajustar à realidade de passar os próximos dois dias perto da pessoa para quem eu tinha pedido um tempo.
Eu sentia a presença do Lucian como se fosse um calor na nuca. De vez em quando, eu arriscava um olhar e via que ele também estava me observando.
Fiel ao meu pedido, ele manteve distância e não tentou falar comigo. Eu deveria estar satisfeita com isso, mas então o ouvi conversando com os meus colegas de equipe naquele tom envolvente, rindo e sorrindo com o mesmo carisma que antes me fazia sentir segura.
Ele ainda parecia irritantemente tranquilo, é claro. Ele era o calmo e centrado Lucian Reed, o Alfa que conseguia encantar tudo e todos.
E eu estava de péssimo humor.
Judy foi a primeira a notar.
Estávamos sentadas em um tronco caído perto da fogueira, cortando vegetais para o churrasco, quando ela se inclinou e falou mais baixo: "Bom, me conta. O que tá rolando entre você e o Senhor Alto-e-Sombrio ali?"
Quase deixei cair a faca. "O quê?"
"Não se faça de boba," ela disse, arqueando a sobrancelha. "Você mal olhou pra ele desde que chegou aqui. E ele fica olhando pra você como um cachorrinho perdido."
"Ele não é..." suspirei. "É complicado."
"Complicado é o meu sabor favorito," a Judy disso, sorrindo. "Vamos lá. Sei que não sou a toda-poderosa Maya Cartridge, mas somos amigas, né?"
Dei uma risadinha. "Segundo a sua mãe, somos irmãs."
Ela riu e me cutucou. "Exatamente. Então, o que tá pegando?”
Eu hesitei. Senti o meu rosto esquentar enquanto as palavras pressionavam a minha garganta, querendo sair por conta própria. Guardar todos esses segredos estava me esgotando.
Finalmente, exalei. "Nós terminamos."
Judy piscou. "Ah." Depois, repetiu mais suavemente, "Ah, Sera."
A expressão dela se derreteu em simpatia e isso doeu ainda mais do que se ela tivesse tirado sarro de mim.
Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, alguém tossiu atrás de nós e viramos em direção ao som. Era a Roxy, com uma bandeja de espetinhos e aquele olhar de culpa. "Eu... uh... não queria bisbilhotar," disse ela rapidamente. "Só..."
"Roxy, tudo bem." Dei um sorriso leve. "Você não fez nada de errado."
O rosto dela se desmanchou. "É por causa do que eu disse?" Eu nunca tinha visto a Roxy parecer tão arrependida antes. "Sobre a companheira dele?"
Demorei para responder e os olhos dela se arregalaram. Ela se jogou no tronco ao meu lado, segurando a bandeja com mais força.
"Caramba, Sera, eu tava só sendo chata mesmo. Eu não queria..."
Talia sorriu, obviamente orgulhosa de si mesma. “Eles são um casal perfeito, né?”
Judy fez uma careta.
Roxy colocou a mão no rosto.
Lucian abriu a boca. “Na verdade, acho que eu deveria ir...”
“Tá tudo bem,” interrompi, um pouco abrupta demais. “Obrigada, Talia.”
Lucian se virou para mim com os olhos curiosos e falou comigo pela primeira vez no dia. “Sera…”
“Tá tudo bem,” repeti, desta vez com mais entusiasmo do que deveria. “Vamos começar.”
Se ele fosse embora, não seria por minha causa.
Porque, independentemente do que éramos agora, ou do que não éramos, essa viagem não era sobre nós. Era sobre a SDS, a equipe que ele construiu e as pessoas que admiravam ele. E eu tinha que admitir que ainda era uma dessas pessoas.
Lucian Reed podia ser um homem com falhas. Mas ele era um líder infalível.
E era isso.
Enquanto eu amarrava o avental na cintura, vi a Judy trocando um olhar carregado com a Roxy. A Talia pigarreou e continuou distribuindo o restante das tarefas com um pouco menos de entusiasmo do que antes.
O momento passou, mas o constrangimento pairou no ar como fumaça que se recusa a desaparecer. Agora, todos podiam sentir a tensão latente pulsando suavemente entre nós, fina e frágil como uma corda esticada demais.
O Lucian manteve certa distância, educado, mas reservado. Quando as nossas mãos se encontraram sobre o mesmo pegador, ambos recuamos ligeiramente, fingindo não perceber.
Ainda assim, de algum jeito em meio ao desconforto, encontrei uma estranha sensação de calma. Talvez fosse a floresta, a companhia, os pequenos lampejos de normalidade. Ou talvez fosse simplesmente porque eu estava em paz com a minha decisão.
O Lucian tinha me magoado, sim. Mas não da mesma forma que o Kieran. O defeito do Lucian não era a crueldade, era o controle, a necessidade dele de guiar tudo, de me proteger, mesmo que isso significasse me manter na ignorância.
Depois de tanto tempo sem o controle da minha vida, eu queria ser a protagonista do meu próprio caminho.
Mesmo que isso significasse caminhar ao lado dele, sem nunca mais segurar a sua mão.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei
Finalmente toda a verdade do Lucian veio à tona. Só não faz sentido ele saber antes de qualquer pessoa (inclusive família) que a Zara era prima. Cadê a tia irmã de Margareth então? Porque Sera e Margareth foram mais importantes para Catherine do que esse outro braço da família?...
Quero saber até onde o Lucian estar envolvido com Katherine e Marcos...
Ok, sera não aceitar o vínculo. Agora deixa o Kieran seguir a vida dele em paz...
Tá muito bom os capítulos...
Preciso de ajuda pra comprar moedas, não consigo completa minha compra...
Sera era uma bobinha manipulada e do nada se tornou fodona. A autora exagerou demais. Comecei a ler uma romance onde o começo imita uma história que já existe e depois, a autora acrescentou "os mutantes" na história. Kkkkk Mas os capítulos que abrem essa história nada mais é do quem o plágio de uma história que já existe. A irmã, o marido que gosta da irmã, a noite em que a irmã errada dorme com o cara, casa com ele tem um filho. O divórcio e só depois ele começa a gostar dela... Enfim, copiou na cara dura....
Livro muito bom!!! Sem muita enrolação e historia com enredo e fluxo. Aguardando próximos capítulos e o encerramento breve!!!...
SERAPHINA é muito fraca e idiota,Catherine manipula ela fácil fácil, eu ia lá se sacrificar por uma pai uma família que sempre me tratou mal, eles que se virem...
Escritora por favor, melhora isso aí, Sera fez o ex marido comer o pão que o diabo amassou, botou homens na cara dele, agora a cobra da irmã dela baixa o espírito de Santa e Sara na primeira oportunidade já vai abraçar, me poupe, mais criatividade por favor...
Quando Sera vai descobrir a peste falsa e manipulador que lucian é?? Ele ainda foi embora com o amor da vida dele e ainda deixou a Sera responsável pelos negócios dele, Sera é muito idiota,...