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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 185

PERSPECTIVA DO KIERAN

A voz áspera e ofegante da Margaret ainda ecoava na minha mente muito tempo depois do fim da ligação, o som de uma mãe que acabara de ter o chão arrancado sob os seus pés.

'Ela sumiu, Kieran.'

Por um momento, fiquei parado com o telefone pressionado no ouvido e o coração batendo no peito como se quisesse sair à força através das minhas costelas machucadas.

Sumiu. Racionalmente, disse a mim mesmo que a Celeste estava sendo dramática, impulsiva.

Poderia ser mais uma encenação, uma tentativa de chamar atenção, a maneira dela nos punir por não orbitarmos em torno do sua dor.

Nada disso me impediu de sair do meu escritório correndo e dirigir pelas ruas de Los Angeles como um louco.

Ethan e Margaret estavam no saguão do hotel quando cheguei.

Eles estava com a mandíbula travada, os ombros tensos e um braço em volta da mãe, como se estivesse tentando fisicamente impedi-la de desmoronar, enquanto ela agarrava a bolsa da Celeste como uma tábua de salvação.

O gerente nos olhava nervosamente enquanto repetia as informações pela décima vez: “Sim, a Senhorita Lockwood fez check-in há uma semana. Sim, há registros dela entrando e saindo do prédio. Não, não a vemos há um tempo... Estávamos sob a impressão de que ela não queria ser incomodada...”

Fui pessoalmente ver o quarto.

Estava exatamente como a Margaret tinha descrito. Lençóis mal tocados. Nada de malas, roupas ou cosméticos.

Os registros diziam que ela entrou e saiu do hotel.

Os alertas do meu cartão diziam que ela entrou e saiu de lojas de departamentos e spas.

Mas o quarto dela contava uma história diferente.

A inconsistência era evidente.

Agarrei a cômoda com tanta força que os nós meus dos dedos ficaram brancos. Um frio lentamente tomou conta de mim, cortante e penetrante.

Não era apenas um ataque de raiva.

Alguma coisa estava errado.

Quando voltamos para o saguão, o Ethan sentou a Margaret no sofá e colocou uma mão no ombro dela em um gesto de conforto, mas a sua expressão estava tensa.

"É culpa minha," Margaret disse de repente, abraçando a si mesma. "Aquele dia... Eu dei um tapa nela. Gritei com ela. Disse que ela era egoísta e ingrata. Eu nunca tinha batido na minha filha antes. Eu estava tão... furiosa..."

A voz dela se partiu e se transformou em um soluço ofegante.

Ethan se agachou e segurou as mãos trêmulas dela. "Não, Mãe. A culpa é minha. Sou o irmão mais velho dela, eu deveria ter feito mais. Eu deveria ter percebido o quanto ela estava mal. Eu deveria ter protegido ela."

Eu fiquei de lado, observando-os desmoronar até que as vozes deles se tornaram um ruído de fundo.

A culpa que pairava entre eles parecia contagiosa, deixando o ar mais denso.

A verdade pesava no meu peito.

A Margaret pode ter batido nela. O Ethan pode ter negligenciado ela. Mas a gota d'água fui eu quem colocou.

O término. Ele foi o catalisador dessa reação.

Eu explodi a ilusão de controle da Celeste, destruí os sonhos dela de se tornar a minha Luna e provavelmente a empurrei para um abismo.

Mas…

Eu não conseguia me arrepender da minha decisão. Nem mesmo com o desaparecimento dela.

Ainda assim, eu não podia negar que ela não teria chegado a esse ponto tão rapidamente se eu não tivesse terminado o relacionamento. Então, eu tinha que assumir a responsabilidade.

“Já tô organizando uma busca”, disse finalmente com um tom firme enquanto digitava instruções para o Gavin. “Os rastreadores da NightFang estão sendo informados. Vamos escanear os perímetros da cidade e dos territórios vizinhos. Vou mobilizar todos os recursos que tenho pra encontrá-la.”

Ethan virou a cabeça para mim de repente. “Não.”

Margaret olhou para cima e nós dois compartilhamos a mesma expressão de espanto.

Ethan se levantou com os ombros retos. A expressão dele endureceu, se tornando cortante: “Você não pode fazer isso agora, Kieran. Você não vai bancar o herói, não quando é parte do motivo de estarmos nessa situação.”

Eu mantive o olhar dele. Nesse momento, ele não era o meu melhor amigo. Ele era o irmão da Celeste.

“Independentemente de como você se sente sobre as minhas decisões,” eu disse, mantendo a voz calma, “a Celeste tá desaparecida. Ela pode estar em perigo.”

“E você acha que vou confiar em você pra liderar uma busca pela minha irmã depois do que fez com ela?” O tom do Ethan era de aço frio.

“Ethan...”

“Eu te avisei,” ele estava fervendo. “Eu te disse desde o começo que o caminho que você estava seguindo machucaria as minhas irmãs.”

“Você não pode colocar tudo isso nas minhas costas...”

“Isto é assunto dos Lockwood.” O tom dele ficou gelado, mesmo que os seus olhos ardessem. “Nós vamos cuidar disso. Você deve ir embora. Já fez o suficiente.”

Margaret estremeceu, mas não o contradisse.

Minha garganta se apertou. Não por estar na defensiva, mas por uma dor pesada e maçante. Culpa estava aqui, sim. O arrependimento também estava presente, mas pelo resultado, não pela decisão.

"Eu não tô tentando me absolver," eu disse baixinho. "Só quero encontrá-la."

"E eu tô te dizendo pra ir embora," Ethan repetiu. "E, de agora em diante, fique fora dos nossos assuntos."

Suspirei. "Ethan..."

"Tô falando sério, Kieran," ele interrompeu. "Podemos ser melhores amigos, mas a minha família vem em primeiro lugar, e não vou deixar ela desmoronar por sua causa."

Abri a boca, talvez para me defender mais, talvez para insistir em ficar e usar os meus recursos para encontrar a Celeste, não sei.

Porque, naquele momento, as portas do saguão se abriram e todos os meus pensamentos se esvaíram quando a Sera entrou.

***

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

Ao entrar no saguão do hotel, a tensão apertou em volta do meu pescoço como um laço de carrasco.

Todos congelaram quando me viram e forcei um leve e casual sorriso, tomando cuidado para não trair a inquietação que fervia dentro de mim.

"Oi," eu disse de leve, apesar da minha voz soar estranha até para mim mesma.

"Sera!" minha mãe ofegou, alívio e surpresa misturando-se no seu olhar enquanto ela tremia no sofá. "Você veio."

"Hum..." Virei-me para a Maya, que estava ao meu lado como uma sentinela silenciosa, observando a cena.

"A Maya disse que tinha um encontro com o Ethan," expliquei, tentando dar de ombros de forma casual. "Ela insistiu que eu viesse junto."

Ethan cerrou o maxilar, percebendo imediatamente a minha mentira. Afinal, ele tinha sido o responsável por mandar a mensagem para remarcar o encontro deles.

Ele arqueou uma sobrancelha para a Maya e ela imitou o meu gesto de dar de ombros sem se afastar de mim.

“Então,” disse eu, tentando soar despreocupada, “qual é a da Celeste?”

Eu sabia que não deveria me meter voluntariamente no que cheirava a drama da Celeste, mas depois daquele sonho, eu simplesmente não conseguia não me meter.

E então...

A Celeste apareceu na tela, reclinada em uma espreguiçadeira branca. Óculos de sol enormes escondiam os seus olhos e as lentes escuras refletiam as ondas turquesas atrás dela. Um sorriso suave, quase provocador, curvava os seus lábios, do tipo que ela usava quando queria que o mundo achasse que ela era intocável. O sol beijava a pele dela com um brilho dourado, iluminando a marca de nascença em forma de lua crescente no seu ombro, prova inconfundível de que era ela.

Inclinei-me para frente antes mesmo de perceber que tinha me mexido e senti o meu peito apertando com uma mistura de alívio e algo muito mais complicado.

"Mãe", ela disse, com a voz calma, medida.

"Celeste!" Minha mãe arfou. "Nós estávamos tão preocupados! O que aconteceu?"

Ela parecia não ter nenhum arranhão. Estava composta, incrivelmente calma, como se não tivesse acabado de submeter todo mundo a uma montanha-russa emocional. Clássico.

"Eu precisava de um tempo." Celeste deu de ombros, levantando despretensiosamente uma das mãos impecavelmente esmaltadas para ajustar os óculos de sol. "Um tempo pra pensar. Volto quando tiver clareado as ideias."

Os ombros da minha mãe relaxaram enquanto o alívio a inundava. Ela quase desabou, mas o Ethan avançou instintivamente, colocando uma mão debaixo do cotovelo dela para estabilizá-la.

"Celeste," ele estalou. "Isso é ridículo, até mesmo pra você. Você faz ideia de quanto nós ficamos preocupados..."

"Ah. Me poupe."

Ela encerrou a chamada.

Por um longo e atordoado silêncio, nós apenas encaramos a tela escura, todos tensos e agora sem saber o que fazer com toda a energia de nervoso que se acumulou.

Então, a Maya soltou uma risada brusca. "É, essa é a Celeste mesmo."

Minha mãe fechou os olhos, inclinando-se mais na direção do Ethan. "Oh, graças aos céus."

Embora não fosse tão visível quanto o alívio da minha mãe, o meu era igualmente profundo. Eu sabia que não deveria me importar com o que acontecia com a Celeste, mas acho que o meu coração ainda não havia endurecido completamente quando o assunto era ela.

"Vem," Ethan murmurou, com os braços envoltos na nossa mãe. "Vou te levar pra casa. Você precisa descansar."

Ela assentiu, fechando os olhos.

Enquanto passavam, o Ethan lançou um olhar significativo para a Maya, carregado levemente com culpa.

"Tudo bem." Ela se ergueu e deu um beijo no maxilar dele. "Te vejo mais tarde."

Ele assentiu com a cabeça e me deu um sorriso fraco. "Tchau, Sera."

Acenei de leve. "Tchau, Ethan."

Ele não lançou um olhar sequer para o Kieran antes de sair.

A porta de vidro se fechou atrás deles, deixando o ar estranhamente vazio no saguão, como se o ambiente ainda não tivesse percebido que a crise tinha acabado.

"Bom," a Maya disse. "Agora, mais do que nunca, tô precisando de uma massagem. Você ainda tá a fim de ir ao spa?"

Sorri. "Tenho que pegar o Daniel, mas que tal depois validarmos a existência dos serviços de beleza a domicílio?"

Ela riu, passando um braço pelos meus ombros. "Perfeito."

Viramos de costas, prontas para deixar para trás o último capítulo do drama da Celeste, mas eu parei quando algo quente e firme fechou suavemente em torno do meu pulso.

Minha respiração falhou.

Lentamente, me virei de volta.

Kieran estava ali, com a expressão tensa e a mandíbula travada como se estivesse segurando o nervoso há muito tempo. Seus dedos afrouxaram, mas não se afastaram completamente, pairando no limite do toque.

"Sera," ele disse, com a voz áspera, como se estivesse roçando em pedras. "Podemos conversar?"

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