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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 188

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

O treinamento do Daniel precisava ser finalizado antes do seu décimo aniversário e da cerimônia do herdeiro, então o dia de partida dele para a fase em que ficaria isolado não estava tão longe. Antes disso, ele tinha alguns cursos básicos que precisava terminar.

Eu deveria continuar o meu treinamento na SDS, mas tirei um tempo para dedicar esse período exclusivamente ao meu filho.

A Maya não admitia, mas eu tinha certeza de que ela estava preocupada comigo, e levava o 'tô do seu lado' muito, muito a sério, literalmente quase nunca saindo do meu lado.

Na maioria dos dias, ela se juntava a nós no pátio dos Blackthorne ou na arena privativa que o Christian e a Leona tinham preparado. E depois, no nosso quintal, ela repassava exercícios e rotinas com ele.

Eu observava, meio me divertindo e meio aliviada, enquanto a Maya o guiava calmamente através de estratégias de defesa, contra-ataque e antecipação, com infinitamente mais paciência do que tinha comigo, mesmo quando ele questionava algumas táticas.

E, quando o Daniel hesitava, a Maya simplesmente sorria, bagunçava o cabelo dele e repetia a demonstração.

O Kieran às vezes aparecia na mansão dos Blackthorne e observava os exercícios de perto ou espiava das janelas. Mesmo interagindo com o Daniel, ele respeitava o meu espaço... na maior parte do tempo. Felizmente, ele parecia entender que me pressionar demais agora só quebraria o frágil ritmo que conseguimos encontrar.

Ethan fazia várias aparições também e acompanhava a Maya sem dificuldades, como naquele dia durante o meu treinamento. Surpreendentemente, sempre que eu ficava tempo demais presa em pensamentos ansiosos, era a voz calma e tranquilizadora dele que domava os meus nervos agitados.

Minha mãe visitava os Blackthorne com frequência e, quando ela e a Leona me convidavam para tomar chá enquanto o Daniel treinava, eu não conseguia recusar.

Eles compartilhavam suas experiências comigo, contando como outros Alfas lidaram com períodos de treinamento semelhantes. A maioria das histórias envolvia os seus próprios filhos e eram leves e engraçadas. Eu me peguei rindo algumas vezes, sem me importar.

Até o Christian fez questão de me incluir no treinamento, sempre me consultando para obter a minha aprovação em coisas tão triviais quanto o cardápio do Daniel.

E, por causa de tudo isso, em vez do medo que pensei que sentiria, descobri uma leveza inesperada crescendo à medida que o dia da partida dele se aproximava. Minha ansiedade não desapareceu completamente (na verdade, ressurgia nos momentos mais inoportunos), mas estava equilibrada com um sensação tímida de paz e harmonia.

Eu não tinha competições iminentes que causavam aquele constante peso no estômago e, a minha parte favorita, as brigas e manipulações sutis que minavam a minha tranquilidade tinham desaparecido.

Saber que a Celeste estava a um oceano de distância, em outro continente, era um presente mais valioso do que o Néctar do Orvalho da Lua.

***

O dia antes da partida do Daniel começou com a luz do sol tocando as bordas das persianas da cozinha. Ele estava sentado no balcão, devorando rabanada e bacon. O cabelo estava bagunçado de sono, mas os olhos brilhavam com aquela faísca intensa que ele sempre carregava. Ele devia estar cansado de todo o treinamento, mas enfrentava cada novo dia com um entusiasmo inabalável.

Enquanto eu o observava, meu orgulho se misturou com preocupação, e foi preciso muita força de vontade para não deixar o meu sorriso vacilar.

“Pisque, mãe,” ele murmurou, com a boca cheia de bacon. “Prometo que não vou sumir nesse piscar de olhos.”

Revirei os olhos e estendi a mão para limpar um pouco da gordura do canto da boca dele. “Engraçadinho.”

Como um relógio, a Maya entrou pela porta da frente que estava destrancada, segurando dois copos de café para viagem em um suporte de papelão. Ela bagunçou o cabelo do Daniel ao passar. “Espero que você tenha praticado os treinos de resistência. Que tal me mostrar uma ou duas tentativas depois do café da manhã?”

Ele assentiu com entusiasmo. "Sim! E talvez alguns treinos de estratégia também?"

O olhar da Maya se fixou em mim enquanto ela colocava uma xícara de café na minha frente. Eu senti a pergunta não dita: ele não tinha treinamento oficial com os Blackthornes hoje, então deveríamos pressioná-lo ou deixá-lo aproveitar a tranquilidade do último dia antes das coisas se intensificarem?

Eu apenas dei de ombros. A decisão era do Daniel e eu não podia deixar as minhas próprias preocupações atrapalharem.

A manhã passou entre risadas e momentos intensos de treino. Durante todo o tempo, eu fiquei no deque, observando o meu filho brilhar enquanto praticava exercícios de agilidade no quintal.

Ele se movia com uma intensidade e foco que eu reconhecia das vezes que secretamente assisti o pai dele treinar quando éramos mais jovens. Era lindo de ver, e eu podia perceber a confiança crescendo nele, camada por camada.

Me lembrei que era disso que ele precisava, não da minha proteção constante ou minha ansiedade. Só espaço. Apoio. Amor.

Em determinado momento, Maya se juntou a mim.

“Como você tá, mãezona?”

Eu expirei, observando o Daniel passar pelos exercícios que ele tinha memorizado. "Ver ele tão jovem, e ainda assim tão preparado... é assustador."

A mão da Maya pousou no meu ombro. "Assustador é normal. Talvez até bom. Mas ele tá preparado. E você também tá, mesmo que ainda não se sinta assim."

Eu assenti, fechando os olhos por um breve momento.

“Só espero conseguir lidar com tudo quando chegar a hora.”

Ela apertou o meu ombro. "Você vai conseguir. Você já lidou com coisas piores. E você não tá sozinha, lembre-se disso."

Eu assenti e deixei as palavras dela se enraizarem fundo.

Depois, a Maya e eu nos reunimos com o Daniel na mesa da cozinha.

Revisamos com ele a lista final de coisas que ele precisava levar e organizamos os equipamentos, conferimos as provisões e repassamos os protocolos de comunicação passo a passo.

Repeti as instruções que o Christian tinha passado para o Daniel, cada uma delas soando como um lembrete da separação que se aproximava.

"Mãe", Daniel me interrompeu pela terceira vez, olhando para mim com aqueles olhos sinceros que sempre pareciam mais velhos do que a sua idade, "Eu entendi."

Suspirei. "Sim, eu sei."

"Não quero que você se preocupe." Ele apertou a minha mão. "Vou me cuidar. Vou treinar muito e te deixar orgulhosa."

Meu peito apertou e engoli em seco contra o nó que se formava na minha garganta. "Eu já tô orgulhosa de você, querido. Sempre."

Ele sorriu, mas havia uma centelha de hesitação no seu rosto, uma consciência silenciosa de que este seria um desafio diferente de qualquer outro. "Mesmo... Mesmo se for difícil?"

"Principalmente nessas horas," sussurrei, afastando os cabelos da testa dele. "Principalmente nessas horas."

***

A noite se estendeu longa e tranquila e eu observei o Daniel adormecer, seu peito pequeno subindo e descendo, uma mão agarrada na mim e a outra segurando suavemente o Wolfy.

A cena apertou meu coração. Assim como quando ele foi para a Ilha do Kieran, o mundo continuaria em movimento. Mas, para mim, tudo ficaria suspenso, fora de ordem, fora de ritmo, até que ele voltasse para casa.

Não consegui me forçar a dormir. Então, apenas descansei no conforto terno de ser simplesmente uma mãe com o seu filho.

***

A manhã do grande dia chegou rápida demais.

A empolgação do Daniel era palpável. As malas estavam prontas. O itinerário e os recursos foram verificados novamente. Não havia mais nada a fazer além de partir.

Maya, Ethan e a minha mãe apareceram na nossa porta logo cedo. Minha mãe trouxe uma lancheira cheia de petiscos e o Ethan veio com conselhos e palavras de incentivo de última hora para Daniel. Já a Maya estava ali por mim, o seu toque caloroso e reconfortante me mantendo firme.

Fomos só o Daniel e eu no carro até a casa dos Blackthorne. Ficamos em silêncio, com apenas o suave ronronar do motor preenchendo o carro. O Daniel murmurava baixinho no banco de trás, olhando fixamente pela janela, enquanto eu segurava o volante, focada na estrada, mas atenta a cada som que ele fazia.

"O que você tá murmurando, querido?" perguntei.

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