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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 45

PERSPECTIVA DO KIERAN

Quando a Celeste voltou do banheiro, seu rosto estava impecável de novo. Ela tinha reaplicado o batom e o rímel, os olhos estavam secos e cada traço do que havia acontecido mais cedo tinha sido escondido sob pó e compostura.

Mas eu vi.

O leve tremor na boca dela enquanto ela sorria de forma exagerada, virando-se para dizer algo ao pequeno grupo que ela trouxe com ela.

Ver as amigas dela fez o meu estômago apertar com algo que parecia muito com pânico. Mas eu não entendia por quê... Esse sentimento era desnecessário.

Celeste ia ser a minha futura Luna e o mundo todo saberia disso, então por que a ideia dessa... exibição me incomodava tanto?

Balançando os ombros, me preparei. Eu ia fazer isso pela Celeste, não importava o que sentia a respeito.

Pensei na tatuagem em seu braço, nas marcas que cobriam, e a culpa me inundou, subjugando o pânico.

Celeste sempre detestou sentir dor. Um simples corte de papel a fazia estremecer e ela achava que até as cicatrizes desbotadas estragavam a perfeição dos seus vestidos de grife. No entanto, ela se machucou muitas vezes propositalmente nos últimos anos. Por causa do meu erro.

O pensamento se alojou no meu peito como estilhaços. Quão profundo o desespero dela devia ser para fazer a dor parecer uma fuga?

Eu já a machuquei o suficiente e não podia mais fazer isso.

Então, abri o meu melhor sorriso enquanto ela se aproximava e passava o braço pelo meu, encostando a cabeça no meu ombro.

"Kie, querido," ela cantarolou, praticamente vibrando enquanto me entregava uma taça de champanhe. "Você se lembra das minhas amigas?"

Não, eu absolutamente não me lembrava. Só a morena na frente, com um vestido vermelho sem alças, que me parecia vagamente familiar. Talvez se chamasse... Elaine?

Celeste começou a apontá-las. "Emma, Abby, Márcia, Yasmine e Davina."

Dei a elas um sorriso encantador e elas se desmancharam em risadinhas. "É um prazer conhecer todas vocês."

"Então," Emma (não Elaine) disse, com um sorriso sugestivo, "é oficial? Vocês dois finalmente voltaram?"

Senti a cabeça da Celeste se mover e olhei para baixo para vê-la me olhando com expectativa, seus olhos brilhando. Sorri. "Sim, voltamos."

Elas explodiram em gritos agudos e eu tive que fazer um esforço enorme para não me encolher.

"Ah, graças aos Deuses," Abby disse. "Estávamos começando a nos preocupar que você deixaria ela ganhar."

Ela.

Sera.

Mal consegui conter a careta que ameaçava distorcer o meu rosto.

Davina riu, murmurando atrás de uma taça de champanhe, "Gato escaldado tem medo de água fria. Tenho certeza de que o Alfa Kieran não vai deixar aquela irmã sem vergonha estragar tudo de novo."

Elas riram. Celeste se juntou a elas.

Cerrei o maxilar e olhei para a minha bebida, tentando esconder a tempestade que se formava no meu olhar.

Era assim que elas falavam da Sera quando ela não estava por perto? Vendo o jeito como a Celeste falou com ela um pouco antes, provavelmente falavam assim quando a Sera estava presente também.

Parecia errado deixar esse tipo de conversa passar batido. Mas, depois do que aconteceu, depois da promessa que eu fiz, eu não podia defender a Sera. Não agora. Não na frente das amigas da Celeste.

"Vocês dois estão planejando anunciar algo em breve?" Marcia perguntou, com um sorrisinho malicioso. "Já podemos começar a planejar o casamento?"

Meu coração deu um salto com as palavras dela e o pânico surgiu, dificultando a respiração, dificultando a elaboração de uma resposta.

Felizmente, outra pessoa falou.

"Ah, eles acabaram de reatar," foi a Abby. "Deixe-os curtir o reencontro. Além disso," ela deu uma piscadinha para a Emma, "provavelmente não têm pressa, já que o Ethan ainda não casou com a Luna dele."

"Na verdade," Celeste contrapôs, suavizando a voz ao olhar para a Emma, que estava corada. "Ethan encontrou sua companheira recentemente."

Vi o rosto da Emma desmoronar no instante antes do meu olhar se voltar para Celeste. Ela olhou para mim e deu de ombros. "Ele não te contou?"

Não, ele não me contou. Eu estava tão surpreso quanto o resto das amigas da Celeste.

Definitivamente não tão arrasado quanto a Emma.

"O quê?" Sua voz da Emma tremia, as mãos segurando a taça de champanhe com força exagerada.

Celeste deu de ombros. "Sinto muito, querida."

"Quem é ela?"

"Eu não a conheci. Não sei quem ela é."

Emma deu um suspiro indignado, chocado e arrasado, agora transformando a conversa em algo desagradável. "Isso é ridículo," ela resmungou. "O Ethan não vai se casar com uma mulher aleatória que acabou de conhecer e fazer dela a sua Luna."

Abri a boca para dizer alguma coisa, para explicar que o Ethan com certeza faria isso, afinal, ele era tradicional até o âmago e esperou a vida toda para encontrar sua companheira predestinada, mas fui interrompido.

"Claro que eu faria."

A voz atravessou o grupo como uma faca cortando manteiga e todos viraram a cabeça.

Ethan estava na entrada do jardim, um braço em volta da cintura de uma mulher deslumbrante cuja confiança emanava no ar como eletricidade estática.

Ela parecia vagamente familiar e eu estreitei os olhos, tentando descobrir de onde conhecia aquele olhar ousado e aquele sorriso autoconfiante.

O silêncio que se seguiu ao anúncio dele foi cortante. Ao meu lado, Celeste ficou tensa.

E, nesse momento, eu soube que as surpresas dessa noite ainda não tinham terminado.

***

PERSPECTIVA DA MAYA

"Você rasgou a fenda, tá mais pra cima," Ethan me acusou, enquanto saíamos do carro.

"Ela ficou presa no seu cinto," retruquei, ajustando a fenda do vestido que agora estava mais próxima do quadril, resultado direto da ação dele de ter puxado brutalmente o vestido para refletir todo o seu desejo.

Ele passou a mão pelo cabelo, que ainda estava ligeiramente desarrumado por minha causa. "Se você não tivesse se recusado a trocar..."

"Eu já te disse," interrompi, cortando a frase dele enquanto meus saltos faziam clique-clique no chão, "esse vestido faz eu me sentir poderosa. Não é culpa minha se você não consegue lidar com isso."

Ele resmungou baixinho e me seguiu, com a mão na base das minhas costas enquanto entrávamos no baile. Já era tarde para chegadas discretas e tínhamos perdido a maioria das formalidades.

Meus olhos vasculharam o salão. Vi o Lucian no centro, cercado por homens de terno pendurados em cada uma das suas palavras. Dei mais uma olhada, mas não consegui encontrar a Sera.

"Droga," murmurei, pegando o celular na bolsa.

Vi a chamada perdida e a mensagem de voz e suspirei. Provavelmente ela ligou enquanto o Ethan e eu estávamos no auge da discussão na minha garagem.

Coloquei o telefone no ouvido para escutar a mensagem da Sera. Quando acabou, fechei os olhos e gemi. "Sou uma tremenda idiota."

Então, eu congelei.

Meus olhos se estreitaram para a loira com o braço enlaçado em um homem alto de cabelos escuros. "Você," eu sibilei.

"Você," ela retrucou com desdém. Seus olhos piscaram acima de mim. "Ethan, me diga que essa não é quem eu tô pensando que é."

Fiquei confusa e o meu olhar rapidamente encontrou o do Ethan. "Você conhece ela?"

Ele parecia confuso enquanto olhava de mim para a aprendiz de demônio.

"Maya, essa é minha irmã, Celeste."

Meus olhos quase saltaram das órbitas quando me voltei de novo para a megera glacial.

Não. Pode. Ser.

Ethan sorriu, alheio à tensão silenciosa que emanava entre nós. "Celeste, esta é Maya Cartridge, minha companheira. Ela também é instrutora de combate elite da SDS e vai supervisionar seu treinamento a partir de agora."

O rosto da Celeste se contorceu como se tivesse mordido um limão. "Você só pode estar brincando."

Ri amargamente. "Claro que você é um caso perdido, mas precisa de treinamento extra."

Os olhos frios dela brilharam. "De jeito nenhum. Não vou treinar com ela."

Trinquei os dentes, encaixando as peças do quebra-cabeça que formavam uma imagem que não me agradava. Se a Celeste era a irmã do Ethan, então...

"Rejeite ela!"

Pisquei. "Desculpe?"

Celeste me ignorou, lançando um olhar fulminante ao Ethan. "Rejeite-a agora mesmo! Eu não vou ter essa... essa desgraçada como minha cunhada!"

"O que diabos deu em você, Celeste?" Ethan perguntou.

"Você precisa rejeitá-la, Ethan." O tom de sua voz dela aumentou. "Agora!"

"Não."

Ele nem piscou. Não hesitou.

A boca da Celeste despencou de surpresa e suas narinas se dilataram. "Você espera que eu aceite isso? Que eu aceite ela?"

"Parece que você não tem escolha," eu disse docemente, curtindo ver a veia na testa dela pulsar. As outras pessoas nos observavam em silêncio absoluto.

"O Ethan e eu somos companheiros, querida." Passei a mão pelo peito dele. "E você pode ficar irritada o quanto quiser que isso não vai mudar nada."

Ela abriu a boca, provavelmente para dizer mais besteiras, mas uma voz suave e hesitante a interrompeu.

"Maya?"

Me virei e os meus olhos se arregalaram. "Sera," eu disse com a voz baixa.

Os olhos arregalados dela iam de mim para o Ethan, observando nosso abraço, e ela engoliu em seco. "Ele é o seu companheiro?"

As peças do quebra-cabeça finalmente se encaixaram. Se a Celeste, irmã da Sera, também era irmã do Ethan, isso significava... obviamente, sua tonta, que o Ethan era irmão da Sera.

Meu companheiro era uma das pessoas que tinham machucado a minha nova amiga.

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