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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 48

PERSPECTIVA DO KIERAN

"Fui eu."

As palavras, rosnadas pelo Ashar, pairaram no ar como trovões após um relâmpago. A pedra da verdade brilhava na minha mão, silenciosa e implacável.

Tudo parou.

Não só a multidão, não só Sera, mas até a noite pareceu fazer uma pausa em reverência à revelação. Minha mente girava, tentando entender o que eu havia acabado de dizer... o que Ashar havia acabado de confessar.

Meu coração batia como um tambor nos meus ouvidos. "Ashar," eu disse, tentando retomar o controle, "o que diabos você acabou de dizer?"

Mas ele estava em silêncio agora, guardado bem lá no fundo, escondido.

"Ashar!"

Ele não podia simplesmente jogar uma bomba dessas e se calar.

Sera me olhava como se não soubesse se respirava ou se despedaçava. Seus lábios se moviam como se ela tentassem falar, entender, mas nenhum som saía.

Minha mão caiu ao lado do meu corpo enquanto a Maya pegava a pedra da verdade e a guardava na sua bolsa.

"O que diabos isso quer dizer?" Celeste exigiu saber, a voz se quebrando de pânico.

"Kieran?" A voz suave e hesitante da Sera fez algo apertar no meu peito. Seus olhos arregalados estavam cheios de perguntas, nenhuma das quais eu poderia responder.

Aquela noite era uma memória tão turva para mim quanto para ela. Eu estava bêbado, tinha tropeçado em um quarto para dormir e acordei na manhã seguinte com a Sera nos meus braços.

"Kieran!" Celeste gritou, chamando a minha atenção para ela. "Qual é o seu problema? Por que diabos você tá tentando proteger ela?"

"Você é surda ou simplesmente idiota?" Maya disparou. "Seu precioso Alfa acabou de admitir que foi ele quem deu em cima da Sera!"

"Dez anos." A voz da Sera era um sussurro rouco e trêmulo, mas carregava o peso de mil acusações. Seus olhos pareciam pegar fogo e não desviavam do meu. Lucian se aproximou dela, me encarando como se eu tivesse acabado de arrancar a lua do céu.

"Você deixou todo mundo me culpar por..." O nariz dela se franziu. "Por te seduzir, roubar você..."

"Você fez isso!" Celeste gritou, se colocando entre mim e a Sera. "Eu não sei o que tá acontecendo agora, mas..."

"Chega!" Eu disse firmemente, minha voz cortando a noite e vibrando com autoridade.

Olhei para a multidão reunida em volta de nós e cerrei o punho. "Pra quem não é um Blackthorne ou um Lockwood, boa noite."

Os amigos da Celeste arrastaram os pés e trocaram olhares, relutantes em ir embora.

Rosnei baixo, fixando um olhar firme na Emma. "Boa. Noite."

Lentamente, eles começaram a se afastar, percebendo a mudança. O espetáculo tinha acabado.

Logo, as únicas pessoas que restaram foram Celeste, Ethan, Maya, Lucian, Sera e eu.

Sera estava imóvel como uma estátua, ensopada e tremendo, mas algo me dizia que não era por causa do frio. Ela não falou. Não se mexeu. Apenas me olhou como se nunca tivesse me visto antes.

Eu dei um passo em direção a ela. "Sera..."

Mas ela balançou a cabeça e se virou. Lucian passou um braço em volta dela e, quando eles se tocaram, senti algo primitivo, ciumento e possessivo dentro de mim se levantar.

"Sera!"

Ela parou, virando a cabeça ligeiramente. "Eu não sou uma Blackthorne nem uma Lockwood."

Maya fez menção de segui-la, mas Ethan segurou seu pulso. "Maya."

Ela puxou a mão dele. "Minha amiga precisa de mim," disse, lançando a ele um olhar que era ao mesmo tempo suave e repreensivo. "Te ligo mais tarde."

Eu observei enquanto Sera se afastava, com o Lucian e a Maya ao seu lado como guardiões.

Eu queria segui-los, queria dizer alguma coisa, mas a minha mente, ou meu espírito, estava embaralhada em mil pensamentos conflitantes. Algo estava errado. A resposta do Ashar não só surpreendeu a todos, como também me abalou.

Ethan xingou baixinho e lançou um olhar para mim e para a Celeste. "Vocês dois... Não sei nem por onde começar. O que raios foi isso?"

Minha mão se fechou com força. "Exatamente a mesma coisa que eu ia perguntar." Minha voz saiu baixa e rouca quando me virei para a Celeste.

Seus olhos brilharam com alguma coisa, talvez pânico, raiva ou... medo.

Ela se virou e começou a atravessar o caminho do jardim furiosamente.

Meus pés automaticamente a seguiram. Alguém precisava responder às perguntas que travavam uma batalha dentro de mim e, se o Ashar não o faria, então seria a Celeste.

Eu nem sabia o que planejava dizer, apenas que precisava perguntar diretamente a ela. A confissão do Ashar e a acusação da Sera reabriram uma caixa de dúvidas de mais de uma década que eu tinha fechado.

"Celeste", chamei por ela.

Ela não parou de andar.

"Celeste!" Agarrei gentilmente seu braço e ela se virou, com o rosto marcado por lágrimas e olhos arregalados e selvagens.

"Ah, o que agora?" ela sibilou. "Vai me interrogar também? Me acusar de algo que eu não fiz?"

Abaixei a voz. "Somos só você e eu, Celeste. Me conta a verdade. Aquela noite... Você... Você mandou a Sera pra aquele quarto?"

"E você?" ela retrucou, com a voz trêmula. "Foi mesmo você quem deu o primeiro passo? Foi você que começou?"

"Não mude de assunto, Celeste," insisti. "Você mandou a Seraphina pra aquele quarto?"

Capítulo 48 1

Capítulo 48 2

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