PERSPECTIVA DA SERAPHINA
Virei a tempo de ver uma bandeja deslizar pelo chão de mármore, com copos se espatifando e criando um brilho de cacos espalhados.
Uma jovem Ômega com uniforme de garçonete ajoelhou no chão, tentando freneticamente recolher os cacos com as mãos nuas que já exibiam marcas vermelhas.
Suspiros e murmúrios se espalhavam pelo salão de baile, mas ninguém se movia para ajudar.
Em vez disso, a atenção dos convidados mais próximos estava fixada em um homem Gama alto a poucos passos dali, olhando para a Ômega com um olhar de nojo.
"Sua idiota, você quase derrubou vinho nos meus sapatos," ele rosnou. "Você sabe quanto isso custa?"
A Ômega abaixou a cabeça. "Desculpe, Senhor. Eu tropecei, não foi minha intenção..."
"Não foi sua intenção?" A voz dele elevou-se o suficiente para chamar a atenção de quem ainda não estava olhando para a cena. "Vocês, Ômegas, nunca têm a intenção de nada até estragarem tudo. Talvez você devesse prestar mais atenção por onde anda em vez de ficar paquerando durante o trabalho."
O maxilar da Maya se tencionou. "Ah, não, isso não."
Nós duas nos movemos rapidamente, mas então uma voz cortante invadiu o ar como uma lâmina. "O que está acontecendo aqui?"
Uma mulher com um uniforme cinza impecável veio na direção do tumulto e percebi que era a chefe das criadas, Laura. Reconheci-a de eventos anteriores que ajudei a organizar, como o Festival da Lua da Primavera e o Baile Anual do Solstício.
Embora a Leona fosse a Luna da Alcateia NightFang, como esposa do Kieran, eu ajudei na organização de alguns eventos, geralmente trabalhando nos bastidores com os Ômegas, que eram muito mais gentis comigo do que qualquer outro integrante da Alcateia.
Exceto a Laura. Ela parecia pensar que a sua posição de liderança de alguma forma elevava seu status Ômega e passava o tempo olhando de cima para quem tivesse o azar de estar sob suas ordens.
A chefe das criadas virou-se para a Ômega que tinha derrubado a bandeja. "O que você fez, Imani?"
Imani. Meu coração afundou. Lembrei-me dela. Era uma mulher trabalhadora e de fala mansa. Ela tinha um filho de apenas quatro anos e trabalhava em dois empregos, além de cumprir suas obrigações da Alcateia, para conseguir sustentar a casa.
Nós já havíamos conversado uma vez sobre as dificuldades de cuidar das crianças durante os eventos da Alcateia e eu já tinha ajudado a cuidar do filho dela enquanto ela trabalhava.
Pânico e vergonha lutaram nos olhos dela antes que ela os abaixasse e dissesse, em voz baixa: "Foi um acidente."
A voz da Laura ficou gelada. "Esta noite tem que ser perfeita, e acidentes não serão tolerados, especialmente os que incomodam os convidados. Como você ousa envergonhar a Lady Celeste com a sua incompetência?"
"Eu... Eu sinto muito." A voz da Imani tremia e as minhas mãos se fecharam em punhos.
"Não é para mim que você tem que pedir desculpas," Laura disparou. "Você vai pedir desculpas ao nosso convidado, limpar essa bagunça e então discutiremos a ação disciplinar apropriada."
"Mas ele... Ele me encurralou no corredor e agora..." Imani sussurrou, alto o suficiente para que apenas nós ouvíssemos. "Eu só tava tentando escapar."
Laura nem piscou. "Não envergonhe a Lady Celeste com desculpas. Esses convidados devem ser atendidos, sem questionamentos."
"Mas..."
"Você está retrucando depois de tudo o que aconteceu?" Laura levantou a mão e eu dei um passo à frente antes que ela pudesse bater na Imani.
"Chega."
Laura se virou lentamente e os seus olhos se arregalaram quando perceberam quem eu era. Então, sua expressão se transformou em algo tenso e desagradável.
"Veja só," ela zombou. "Devo dizer que é estranho te ver entre os convidados e não à espreita nos bastidores. Isso aqui não combina com você, então é melhor cuidar da sua vida."
"Não vim aqui pra fazer uma cena," eu disse calmamente. "Mas não vou ficar parada enquanto alguém é punida por se proteger."
"Isso não é mais da sua conta," ela resmungou. "Você não é a Luna. Você nem é mais a sombra que o Alfa Kieran chamava de esposa e não pode ditar como os empregados são disciplinados."
"Não estou reivindicando nenhum título," respondi. "E não preciso fazer parte da Alcateia pra chamar atenção pro abuso de poder quando o vejo."
"Escuta aqui," o Gama avançou. Eu não o reconhecia da NightFang. Será que ele era da Frostbane? Que ironia não reconhecer integrantes da Alcateia onde cresci. "Essa vagabunda...", ele apontou para a Imani e ouvi a Maya rosnar ao meu lado, "não sabe fazer o trabalho dela direito, então se..."
"Ela disse que você a encurralou," Lucian falou, avançando e se colocando sutilmente entre mim e o Gama.
O Gama zombou. "E daí? Você vai acreditar nas mentiras sujas de uma Ômega sem valor?"
"Ok, vou quebrar pescoços," Maya rosnou, mas eu segurei o braço dela antes que ela avançasse.
Tínhamos uma plateia completa agora e alguém abaixou a música, então bastava eu elevar um pouco a voz que todos me ouviriam. "Temos testemunhas?" Virei-me para a multidão espantada. "Alguém viu o que aconteceu?"
Houve um momento de silêncio tenso, quebrado apenas pelos vários pés se remexendo e sussurros.
O Gama riu. "Não sei o que você acha que tá..."
"Eu o vi encurralando a moça num canto perto do corredor leste quando fui ao banheiro." Uma mulher que estava perto da mesa das bebidas deu um passo à frente. "Ele estava... pressionando ela."
O Gama engasgou. "O quê? Eu não..."
"Eu vi o que aconteceu," outra mulher da mesa ao lado interveio. "Ele chamou ela pra tomar uma bebida e depois agarrou o pulso dela. Ele estava tentando puxá-la."
Um casal mais velho acenou com a cabeça solenemente. "Nós notamos algo também. Ele parecia agressivo."
Um jovem garçom deu um passo à frente, nervoso. "Ele agarrou o pulso dela. Eu também vi. Ela se afastou, e foi quando derrubou a bandeja."
"E, claramente, você também não é," acrescentei. A boca da Laura abriu ligeiramente por causa do meu tom mas, antes que eu pudesse continuar, Imani avançou e segurou o meu pulso.
"Por favor," sussurrou ela, com os olhos brilhando por causa das lágrimas não derramadas. "Por favor, não diga mais nada. Eu consigo lidar com isso. Não quero causar mais problemas pra você."
Olhei para ela, espantada. Ela estava implorando por mim, não por ela mesma. Ela achava que defendê-la me colocaria em perigo.
Um nó se formou na minha garganta.
"Você não deveria ter que lidar com isso," eu disse suavemente, mas ela apenas balançou a cabeça.
"É assim que é agora," murmurou. "Desde que começamos a responder à Senhorita Celeste. Mantemos a cabeça baixa, fazemos nosso trabalho e rezamos pra passarmos despercebidas. É mais seguro assim."
Isso me atingiu como um tapa. Imani não estava falando apenas por ela mesma, ela falava por todos os Ômegas sob o controle da Celeste.
Olhei ao redor da sala. Embora a tensão fosse grande, identifiquei vários olhares familiares. Alguns da equipe da cozinha, uma costureira com quem trabalhei em eventos passados, um Beta que um dia me procurou pedindo conselhos para organizar eventos. Pessoas que eu conhecia e que lembravam como as coisas eram.
E pessoas que agora pareciam incertas, desconfortáveis, até culpadas.
Voltei-me para a Laura. "Se é assim que a Alcateia está sob o domínio da Senhorita Celeste, então o Kieran deveria se envergonhar."
Seus olhos brilharam. "Como você se atreve? Você acha que ainda é alguém nesta Alcateia?"
"Não," eu disse calmamente. "E acho que tô melhor assim."
Senti a mão da Imani afrouxar, mas não me afastei. Fiquei ao lado dela enquanto os murmurinhos aumentavam, até que a Laura resmungou algo baixo e finalmente se afastou, lançando-me um último olhar de raiva.
O tumulto se desfez como se um feitiço tivesse sido quebrado. As pessoas voltaram às suas conversas, embora vários olhares permanecessem fixos em mim, atentos. Curiosos.
Imani soltou um suspiro trêmulo. "Obrigada."
"Você não precisa me agradecer," eu disse. "Você não fez nada de errado."
Ainda assim, ela me deu um aceno rápido e agradecido. Em seguida, se afastou com a bandeja trêmula nas mãos, mas com as costas mais eretas do que antes.
E eu continuei lá, no meio de tudo, atordoada pela opressão disfarçada e pensando em Kieran.
Será que ele sabia que isso estava acontecendo? Ele se importava?
O Kieran que eu um dia amei não teria deixado isso acontecer. Ele não teria permitido que os Ômegas vivessem com medo sob o comando de alguém como a Celeste.
Mas talvez aquele Kieran não existisse mais.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei
Finalmente toda a verdade do Lucian veio à tona. Só não faz sentido ele saber antes de qualquer pessoa (inclusive família) que a Zara era prima. Cadê a tia irmã de Margareth então? Porque Sera e Margareth foram mais importantes para Catherine do que esse outro braço da família?...
Quero saber até onde o Lucian estar envolvido com Katherine e Marcos...
Ok, sera não aceitar o vínculo. Agora deixa o Kieran seguir a vida dele em paz...
Tá muito bom os capítulos...
Preciso de ajuda pra comprar moedas, não consigo completa minha compra...
Sera era uma bobinha manipulada e do nada se tornou fodona. A autora exagerou demais. Comecei a ler uma romance onde o começo imita uma história que já existe e depois, a autora acrescentou "os mutantes" na história. Kkkkk Mas os capítulos que abrem essa história nada mais é do quem o plágio de uma história que já existe. A irmã, o marido que gosta da irmã, a noite em que a irmã errada dorme com o cara, casa com ele tem um filho. O divórcio e só depois ele começa a gostar dela... Enfim, copiou na cara dura....
Livro muito bom!!! Sem muita enrolação e historia com enredo e fluxo. Aguardando próximos capítulos e o encerramento breve!!!...
SERAPHINA é muito fraca e idiota,Catherine manipula ela fácil fácil, eu ia lá se sacrificar por uma pai uma família que sempre me tratou mal, eles que se virem...
Escritora por favor, melhora isso aí, Sera fez o ex marido comer o pão que o diabo amassou, botou homens na cara dele, agora a cobra da irmã dela baixa o espírito de Santa e Sara na primeira oportunidade já vai abraçar, me poupe, mais criatividade por favor...
Quando Sera vai descobrir a peste falsa e manipulador que lucian é?? Ele ainda foi embora com o amor da vida dele e ainda deixou a Sera responsável pelos negócios dele, Sera é muito idiota,...