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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 62

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

"Não sei você," disse a Maya enquanto voltávamos para a nossa mesa, "mas isso me pareceu o segundo sinal de que não deveríamos estar aqui. Faz apenas trinta minutos e...."

"Sera!"

Congelei quando o terceiro sinal veio na minha direção.

"Seraphina, querida," minha mãe chamou, avançando com a mesma elegância que exibia em todos os eventos beneficentes, arrecadações de fundos e bailes da Alcateia.

A viúva frágil que havia perdido o marido brutalmente tinha desaparecido e, no seu lugar, estava a antiga Luna da Frostbane, graciosa, elegante, majestosa. Perfeitamente a mãe da Celeste.

Ela me envolveu nos braços antes que eu pudesse me afastar.

"Mãe," eu disse, de maneira rígida, retribuindo o abraço porque não tinha escolha. Eu não abraçava minha mãe havia anos e era tão desconfortável e estranho quanto abraçar um manequim.

O aroma do perfume caro dela permaneceu em mim mesmo após ela se afastar e o sorriso que me deu era tão brilhante quanto os lustres pendurados no teto.

"Ah, você tá linda esta noite," ela elogiou efusivamente, com os olhos percorrendo-me de forma avaliativa. Eu sabia o que ela estava fazendo: procurando imperfeições, como sempre.

"Tô tão feliz que você decidiu vir, afinal de contas," ela acrescentou.

A tensão percorreu o meu corpo, mas forcei um sorriso. "Como eu poderia não vir depois que você fez eu sentir tanta culpa?"

O sorriso dela se apertou ligeiramente. "Não, não. Vamos evitar escândalos. Ou, pelo menos, novos escândalos." Ela olhou para trás de mim de forma significativa e eu sabia que ela tinha visto o que aconteceu com a Imani.

A mão dela deslizou sobre o meu braço como se eu fosse um bichinho de estimação que ela estava tranquilizando em público. "Esta é uma noite importante pra todos nós, especialmente pra Celeste. Ela trabalhou tanto pra que tudo saísse perfeito... Seria um desperdício se fosse... interrompido."

"E eu pensando que você tinha pedido pra eu vir pra realizar o último desejo do Papai." respondi docemente. "Que ingenuidade a minha."

"E pedi." O sorriso dela não vacilou, mas vi um pequeno tremor no canto da boca. "Então não vamos arruinar essa ocasião com rancores antigos, tá? Você não vai querer decepcionar a memória do seu pai…"

A última parte não dita da frase pairou no ar entre nós como uma nuvem venenosa. De novo.

Porque passei a vida inteira decepcionando o meu pai repetidas vezes.

"Quais rancores antigos?" Inclinei a cabeça, sentindo o peito apertar. "Quer dizer como a minha família inteira me tratar como se eu fosse inferior a vida toda? Ou quer dizer ser convencida a participar desta festa que basicamente é pra exibir a superioridade da Celeste como se fosse algum tipo de segredo?"

O sorriso da minha mãe vacilou. "É disso que eu falo. Você precisa ser tão sensível assim? Esta é a chance da Celeste finalmente ter a felicidade que você tirou dela por dez anos, então..."

"Margaret." A voz profunda do Kieran cortou a tensão.

Ela se virou para ele e o sorriso voltou como se nunca tivesse ido embora. "Ah, Kieran! Você tá um arraso!"

Ela tinha razão. Ele estava impecável, em um terno marfim feito sob medida que brilhava levemente sob a luz do lustre. As lapelas eram adornadas com um fino fio dourado que combinava com os abotoaduras elaborados e o lenço dourado no bolso. Seu cabelo estava penteado para trás com precisão cirúrgica, sem um fio fora do lugar.

Um arraso, sim. Mas polido demais, demasiado impecável. Parecia que, assim como tudo o mais sobre essa noite, a Celeste havia assumido o controle e o Kieran não teve voz nem sobre a própria aparência.

Eu nunca tinha visto o dominante, confiante e seguro de si Kieran Blackthorne parecer tão deslocado antes.

Ele deu um sorriso tenso para a minha mãe, me ignorando completamente. "Vamos começar," ele disse.

"Ah, sim!" Minha mãe praticamente irradiava luz. "Meu discurso!"

Ele colocou uma mão na parte inferior das costas dela e a conduziu para longe.

Então, ela me deu um último olhar e eu entendi claramente: o aviso não dito disfarçado de preocupação maternal.

Eu conhecia aquele olhar. Cresci sob seu peso. Dizia: 'comporte-se, não ouse sair da linha'.

Pressionei os lábios e desviei o olhar, deparando-me com o olhar do Kieran. Foi rápido, apenas por um breve e tenso momento. Seus olhos eram indecifráveis e seu rosto estava completamente inexpressivo, como se ele tivesse construído uma barreira mental e se trancado atrás dela.

Senti a mão calorosa da Maya nas minhas costas enquanto me virava para ela e o Lucian. "Tá tudo bem?"

Assenti, pegando minha taça de champanhe. "Sim. Tudo certo."

"Ainda podemos ir embora se você quiser..."

Um murmúrio de espanto percorreu a multidão e nos viramos a tempo de ver um conjunto de portas de vidro se abrir no segundo andar para revelar a Celeste no topo das escadas, como uma rainha descendo ao seu reino.

O salão ficou em silêncio.

Ela brilhava, tenho que admitir. Cada parte dela parecia gritar: 'Olhem para mim!'

Ela estava de dourado da cabeça aos pés, o cabelo em ondas impecáveis e uma tiara com pequenos diamantes equilibrada na sua cabeça. A rainha do baile.

Kieran posicionou-se ao lado dela, formando uma imagem deslumbrante. Vi o sonho da Celeste se realizar: uma rainha com seu rei.

Eu tive que admitir, ainda que relutantemente, que eles combinavam.

Mais do que ele e eu jamais combinamos.

Os olhos dela encontraram os meus do outro lado do salão e ela sorriu.

Então, ela olhou diretamente para mim.

Não. Não, não, não. Ela não faria isso.

Isso era baixo, até mesmo para...

"Minha irmã, Seraphina."

Um silêncio coletivo caiu sobre o salão.

Meu sangue gelou enquanto todos os olhares se voltavam para mim.

O holofote se moveu como um peso físico pousando sobre a minha cabeça.

Meu coração disparou, mas não por surpresa. Eu deveria ter previsto isso.

A Celeste nunca perdia uma chance de se exibir. Era por isso que ela tinha me convidado para essa festa ridícula dela.

Ela não estava buscando uma vitória discreta. Não, ela queria fazer eu me ajoelhar diante dela, metaforicamente falando, e usar a minha própria voz para declará-la vencedora. Eu estava começando a passar mal.

Não sei por quê, mas o meu olhar se voltou para o Kieran. A expressão dele continuava indecifrável, mas percebi uma tensão em torno da boca e dos olhos dele. Será que ele sabia que ela faria isso?

"Seraphina," disse Celeste docemente, com os olhos brilhando. "Você me concederia este desejo?"

O silêncio se estendeu. O ar parecia denso demais para qualquer um respirar. Minha mão tremeu levemente ao redor da haste da taça.

A voz da minha mãe flutuou vinda da borda do palco, provocante, condescendente. "Sera, querida, não nos faça esperar."

Uma emboscada, era isso que era. E eu fui tola de cair de cabeça nisso com os olhos bem abertos.

O que eu esperava de uma união das duas Alcateias, das duas famílias que me traíram, machucaram e arruinaram minha vida?

Eu achei que esta noite terminaria sem que eles me fizessem mal?

"Sera?" Agora havia um tom mais incisivo na voz da minha mãe. "Você não vai abençoar a união da sua irmã?"

Encurralada. Eu estava encurralada.

Se eu 'abençoasse a união', a Celeste venceria. Se não o fizesse, eu seria vista ainda mais como a vilã da história, impedindo a felicidade deles.

Minha boca parecia seca como areia quando meus lábios se entreabriram. "Eu..."

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