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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 64

PERSPECTIVA DA CELESTE

As palavras do Kieran ecoaram na minha mente mesmo depois que ele se afastou, batendo a porta do terraço atrás dele. "Você se humilhou esta noite."

Fiquei ali por um momento, paralisada, enquanto o ar frio acariciava meus ombros descobertos. Os aplausos de dentro tinham diminuído e substituídos por uma música suave e conversas.

A minha noite especial ainda estava acontecendo e eu estava aqui, largada no frio.

Kieran nunca tinha falado comigo daquela maneira antes e a pancada doeu ainda mais porque eu não esperava por ela.

Achei que ele estaria ao meu lado esta noite, como sempre fazia... como prometeu.

E ainda assim...

Ele me olhou como se eu fosse o problema. Como se eu tivesse cometido algum tipo de pecado grave por querer ter uma noite perfeita para celebrar o nosso amor.

Como ele ousa insinuar que eu não me importo com ele?

Se ele não gostou da roupa ou das decorações que escolhi, então ele deveria ter dito alguma coisa. Não é isso que os casais fazem?

Eles se comunicam e enfrentam os problemas juntos.

Respirei fundo, forçando a raiva e a irritação a diminuírem.

Kieran passou os últimos dez anos casado com uma cobra que ele não amava. Eu não deveria culpá-lo se ele não soubesse como se comunicar.

Eu resolveria isso. Não deixaria que o dano causado à ele pela Sera destruísse a minha felicidade. Eu estava cansada de deixá-la vencer.

Respirei fundo mais uma vez, abri a porta do terraço e entrei. Encontrei o Kieran perto do bar, segurando um copo de whisky.

Segurei a vontade de revirar os olhos. Eu organizei uma festa luxuosa, apenas para a nata da sociedade e ele escolheu ficar amuado no bar?

Mas coloquei um sorriso no rosto e fui até ele, entrando na personagem. Eu ainda podia salvar a noite. Nem tudo estava perdido.

Ele não me olhou quando me aproximei, nem demonstrou perceber a minha presença.

"Desculpa," murmurei, a voz quase inaudível por causa da música.

Ele não respondeu. Mas também não se afastou.

Cheguei mais perto, roçando os dedos no tecido da manga dele. "Você tem razão, amor. Eu exagerei."

Finalmente ele me olhou, com as sobrancelhas erguidas.

"Eu só... eu tenho me esforçado tanto." Minha voz falhou na hora certa. "Essa é a primeira grande coisa que organizei desde que voltei. Queria que fosse perfeito. Pra gente."

Kieran desviou o olhar, a mandíbula tensa.

"Não tenho dormido," falei suavemente. "Mal tenho comido. Tô tão obcecada em garantir que tudo saia perfeito que acho que me empolguei um pouco."

O silêncio prolongado dele me deu espaço para continuar.

"Eu não sabia de todos os detalhes do incidente com a Ômega, juro. As empregadas devem ter entendido errado o meu desejo por perfeição e acharam que eu queria as coisas mais rígidas do que queria realmente. Não era minha intenção."

Kieran passou a mão no rosto, suspirando, e aquele pequeno lampejo de emoção, aquele cansaço, era tudo o que eu precisava.

"Desculpa," repeti, colocando a mão gentilmente no braço dele. "E sobre a Sera…" Ah, essa seria difícil. "Minha intenção não foi machucar ninguém. Foi curar. Acho que apenas... fiz do jeito errado."

Então, o Kieran olhou para mim, e lá estava: a culpa persistindo nos cantos dos seus olhos. Ele se lembrou que eu não era cruel, que eu era a doce e adorável Celeste.

Eu era a vítima de tudo isso e não merecia sua raiva.

"Eu não deveria ter sido tão ríspido com você," ele murmurou, com a voz baixa.

Pisquei rapidamente, deixando minha expressão se transformar em uma gratidão ferida. "Eu também fui ríspido com você, e lamento por isso."

Aproximei-me, suprimindo um sorriso quando vi um fotógrafo tirar uma foto pelo canto do olho.

"Eu só tô tentando, Kieran. É tudo o que sempre quis... acertar as coisas."

Ele assentiu, a tensão nos seus ombros diminuindo. "Eu também lamento. E aprecio o que você tentou fazer esta noite."

Sorri, inclinando-me para beijar a bochecha dele. Por um momento, parecia que o penhasco entre nós tinha sido consertado.

Não curado, não. Mas mascarado. Suavizado. Como corretivo sobre um hematoma.

Ficamos juntos em silêncio, lado a lado, e quando alguém chamou nossos nomes do outro lado do salão, ele pegou minha mão sem pensar.

E eu sorri. Não de alegria, mas pela vitória.

***

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

Só quando chegamos ao corredor fora do salão de baile foi que a pressão das mãos do Lucian sobre mim se dissipou.

Desabei contra a parede fria, o pulsar nos meus ouvidos diminuindo lentamente. Lucian estava ao meu lado, de braços cruzados e com o rosto indecifrável enquanto me olhava de soslaio.

"Obrigada," sussurrei, com a voz embargada pela emoção.

Ele não respondeu de imediato, apenas enfiou a mão no casaco e me entregou um lenço dobrado. "Ei, eu prometi impedir que você desse um soco nela e parecia que era isso que ia acontecer."

Eu ri, sem fôlego, pegando o lenço. "Tenho certeza de que os paparazzi dela teriam adorado."

"Você não deve um espetáculo a eles. Que engasguem com as suas ilusões."

Soltei um suspiro trêmulo, sentindo a queimadura nos olhos se transformar em lágrimas.

Lucian não tentou me consolar com clichês, não perguntou se eu estava bem, nem mandou eu me recompor.

Ele apenas ficou ali, paciente e firme, oferecendo conforto no silêncio enquanto a música abafada e as conversas flutuavam pelas portas fechadas.

Capítulo 64 1

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