PERSPECTIVA DA MAYA
"Aonde você vai?" Ethan perguntou atrás de mim, com a voz baixa e cortante enquanto apontava para trás dele. "A festa é por ali."
Dei um risinho de deboche, saindo para o terraço do jardim atrás do salão. A festa continuava animada lá dentro, repleta de risadas, tilintares de copos e um ocasional barulho de talheres, mas tudo isso soava como uma estática irritante nos meus ouvidos.
"Você tá muito enganado se acha que vou voltar e participar daquela farsa."
Ethan franziu a testa. "Maya, essa festa é da minha irmã. Você tem que aprender a respeitar a minha família."
Olhei para ele por um bom tempo, incrédula, e a testa dele franziu ainda mais quando ele perguntou: "O quê?"
"Você tá fazendo de novo," eu disse.
"Fazendo o quê?"
"Agindo como se ela não fosse da sua família também."
"Quem? A Sera?"
"Sim, a Sera!"
Ele balançou a cabeça e apertou os lábios. "Por que diabos estamos falando da Sera de novo?"
"Você tá de brincadeira comigo?" sibilei. "Depois de ver aquela palhaçada que a sua mãe e a Celeste fizeram, você quer ficar nessa festa?"
Ethan suspirou, revirando os olhos. "Você tá sendo dramática."
"Dramática?" Soltei uma risada aguda. "Você viu como elas a encurralaram, você deixou acontecer. Sua irmã praticamente colocou uma faca no pescoço da Sera e a sua mãe... Nem vou comentar aquele discurso vingativo dela. E você só ficou lá, parado."
"A Sera não foi pega de surpresa." A voz dele estava calma demais, controlada demais. "A minha mãe só tava tentando manter a paz. É isso que ela sempre fez e o que o meu pai queria antes de morrer."
Fiquei olhando para ele, atônita. "Você acha que aquilo foi uma forma de manter a paz?"
"Ela tá tentando unir a nossa família," ele disse. "Pra honrar o meu pai. Você não entende, Maya."
"Você tá certo!" Eu explodi. "Eu realmente não entendo!"
"Maya..."
"Não entendo como você pode falar em manter sua família unida quando vocês tratam a Sera como se ela fosse um tumor maligno que precisa ser removido. Ela também é sua irmã, Ethan, e agir desse jeito é simplesmente asqueroso."
Os olhos dele se estreitaram. "Cuidado com o que você diz."
"Não," eu falei, me aproximando dele. "Você que tem que tomar cuidado. Você quer que eu respeite a sua família quando vocês tratam a Seraphina como lixo? Que se danem!"
A mão dele se ergueu depressa, firme, envolvendo o meu pulso antes que eu pudesse reagir. O aperto não foi cruel, mas tampouco gentil. Foi possessivo.
"Você será a minha Luna um dia," ele disse, com os olhos fixos nos meus. "Você vai respeitar a minha família."
Fiquei irritada com o tom autoritário dele. "E se eu decidir que não quero ser a sua Luna?"
Os olhos dele endureceram e um músculo no maxilar se contraiu. "Se você realmente se importa com a Seraphina," ele disse, com a voz tensa, "então se tornar a minha Luna pode ser a única forma de protegê-la."
Olhei para ele e, por um segundo, fiquei tão atordoada que perdi o fôlego.
"Desculpa…" Balancei a cabeça. "Não consigo entender se você acabou de me ameaçar, ameaçar a Sera, ou se fez um jogo de poder comigo quando você sabe..."
Quando a boca do Ethan colidiu com a minha, todas as minhas ideias desapareceram em um instante.
Eu não resisti, não de imediato.
Minha mente ficou em silêncio enquanto a ligação de companheiros pulsava entre nós como uma canção de ninar, acalmando tudo que havia de amargo e raivoso dentro de mim.
Sem perceber, o beijei de volta. Me entreguei ao calor e à eletricidade que crepitava entre nós como uma tempestade relâmpago.
A mão dele segurou a minha cintura, puxando-me para perto dele. Meus braços envolveram automaticamente o seu pescoço, pressionando nossos peitos juntos.
Eu gemi quando a língua dele deslizou para dentro da minha boca, reivindicando, dominando. Por um momento, esqueci a raiva e a indignação, e tudo que me importava era o beijo, o desejo que de repente percorria minhas sinapses.
Aquilo era diferente de todas as outras vezes em que o Ethan e eu tínhamos sido íntimos. A atração magnética entre nós sempre esteve lá, mas agora parecia... uma coleira. Era como se eu não tivesse controle sobre as minhas ações, como se eu simplesmente não tivesse escolha a não ser beijá-lo.
Foi aí que senti aquela borda de controle. A maneira como o Ethan se aproximou e aprofundou o beijo, como se estivesse reivindicando a última palavra na nossa discussão e como se ele estivesse colocando um ponto final na minha frase.
Ele não estava me beijando para me confortar.
Ele estava me beijando para me calar.
E o desgraçado estava usando nosso laço de companheiros para garantir que funcionasse.
Eu o empurrei com força, limpando minha boca com o dorso da mão.

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