Júlio estava com vontade de comer aquela Costelinha ao molho agridoce feita pela mamãe há um bom tempo. Na última vez em que a viu, como ele estava doente, acabou não conseguindo comer.
Depois disso, ele nunca mais viu a mamãe em casa.
Durante esse período, ele pensou várias vezes em ligar para ela, mas achava que, se desse o braço a torcer e tomasse a iniciativa, estaria admitindo a derrota.
Quem tinha errado foi a mamãe, quem havia maltratado a Tia Sabrina foi ela.
A mamãe ainda nem havia pedido desculpas à Tia Sabrina!
Além disso, ultimamente a Tia Sabrina vinha sendo muito boa para ele; ele não queria demonstrar que sentia muita falta da mãe, pois isso a deixaria chateada.
Mas desta vez era diferente; foi o vovô que o obrigou a ligar e pedir para a mamãe voltar. Não foi uma iniciativa própria, então ele não estava traindo a Tia Sabrina.
Pensando assim, Júlio continuou falando num tom ainda mais autoritário e confiante:
— Eu estou na casa dos meus avós, venha para cá depressa. Quero jantar Costelinha ao molho agridoce hoje à noite.
Na portaria do sanatório, Alice ouviu pelo telefone o mesmo tom autoritário de Júlio, idêntico ao do resto da família Cavalcanti, e seu olhar escureceu.
Ela podia cortar laços com o resto da família Cavalcanti com facilidade e determinação, mas não conseguia romper completamente a ligação com Júlio.
Porque não importava o quanto o garoto a decepcionasse.
No final, ele ainda era seu filho; ela tinha responsabilidades e deveres para com ele.
Entre os dois, existia um vínculo autêntico e palpável de mãe e filho.
Por isso, ela nunca conseguia ignorar totalmente a criança.
Entretanto, ainda que não pudesse abandoná-lo, a Alice de hoje já conseguia ignorar os pedidos desrespeitosos do menino com muita naturalidade.
— Peça para a babá fazer. — disse Alice enquanto continuava caminhando em direção à portaria.
O silêncio tomou o telefone por um instante. Alice pôde até mesmo ouvir a respiração ofegante de Júlio pela incredulidade.
Logo em seguida, a voz arrogante da criança ressoou novamente:
— A comida da babá é ruim, eu quero comer a que você faz! Você não sempre preparava comida para mim?

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