Eliana hesitou por um instante, um brilho estranho cruzou seu olhar, e ela não respondeu diretamente à pergunta de Genebra.
— Genebra, por que não vem comigo? Eu falo com a Cláudia, peço para ela convencer o Gaspar a aceitar o divórcio. Na pior das hipóteses, esperamos dois anos de separação de corpos e entramos com o litígio direto.
Genebra apertou os lábios.
Cláudia sabia da existência de Débora e da criança, e ainda assim dizia para ela viver bem com Gaspar.
Além disso, se Gaspar não quisesse o divórcio, adiantaria Genebra entrar com o processo?
A equipe jurídica da família Teixeira não era brincadeira.
Mas Genebra não conseguiria explicar isso para Eliana, então precisava apenas acalmá-la.
— Mãe, fique tranquila, eu tenho um plano.
— Você tem mesmo um plano? — A voz de Eliana embargou, com genuína dor pela filha.
Os olhos de Genebra avermelharam; ela abraçou Eliana.
— Desculpe, mãe. A culpa é minha por envolver a senhora.
Eliana deu tapinhas carinhosos nas costas dela, com a voz também embargada.
— Está bem, não chore. Cuide-se bem durante o resguardo.
Eliana queria ficar para cuidar de Genebra, mas a situação atual impedia.
Se ficasse, ela se tornaria apenas um ponto fraco para ameaçarem Genebra.
As duas ficaram abraçadas por um tempo, e então Genebra acompanhou Eliana até a porta.
Gaspar esperava ao pé da escada.
A temperatura do início do inverno estava baixa; Gaspar vestia apenas roupas casuais de casa, e seus lábios estavam pálidos de frio.
— Mãe, vou pedir para alguém levá-la de volta. — Gaspar adiantou-se.
Eliana não olhou para ele e respondeu friamente.
— Não precisa. Dispenso o favor.
O rosto de Gaspar enrijeceu por um instante; ele baixou os olhos e a cabeça, sem ousar dizer nada.
Jaime, vendo seu chefe em uma situação difícil, correu para ajudar.
— Sra. Amorim, é difícil conseguir táxi por aqui. Eu a levo no meu carro particular.
Eliana foi razoavelmente cortês com Jaime.
— Não vai te incomodar?
Jaime sorriu e negou com a cabeça.
— De jeito nenhum. O carro está logo ali, eu a acompanho.

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