O rosto de Débora corou violentamente.
O que ele quis dizer com "Débora"? Ela era uma amante ou a "outra"?
Esse tipo de elogio que, na verdade, era um insulto velado, só poderia ter saído da boca de Dário.
Gaspar também fechou a cara; ele queria expulsar Dário, pois o amigo estava realmente sendo inconveniente.
No entanto, ao lembrar do que Dário acabara de dizer — que Genebra se importava com a existência de Débora e da criança —, ele hesitou.
Ele deveria evitar escândalos. Além disso, queria que Dário visse o que Débora estava prestes a fazer.
Afinal, Dário afirmava que Débora não era nenhuma santa, mas Gaspar nunca havia notado nada de errado.
Aos seus olhos, Débora não era diferente dos irmãos e irmãs do lado de Rubens, a segunda família.
Estranha, mas familiar.
Ele simplesmente não prestava atenção nela.
— Chega, pare com esses apelidos. Você só tem uma Genebra. — Gaspar interrompeu Dário com voz fria, mas não o mandou sair.
Débora sentiu-se ainda pior.
Então, ela não merecia nem mesmo um tratamento digno?
Gaspar, você é tão cruel assim?
Débora mordeu o lábio inferior, acalmou-se, pegou o celular e o entregou a Gaspar.
— Gaspar, a Selena gravou isso sem querer. Ouça, por favor.
— Sem querer? — Dário riu. — A amiga da Débora... oh, perdão, da Srta. Pacheco, anda gravando áudios por aí o tempo todo? Ela tem talento para espionagem.
— Você! — O peito de Débora arfava de raiva. Ela não conseguia vencer a discussão e sua revolta não tinha peso algum, então explicou com ressentimento: — Selena cometeu um erro da última vez, então está sendo cautelosa. É para o bem de todos.
— "Para o bem de todos". A oratória da Srta. Pacheco é impressionante, consegue transformar o preto no branco.
Os olhos de Débora avermelharam instantaneamente. Ela olhou para Gaspar com uma expressão lamentável, pedindo ajuda.
Mas o homem nem sequer olhou para ela, ignorando completamente as provocações de Dário.
Ele abriu o arquivo de áudio. As vozes de Breno e Luana ecoaram.
Breno dizia: — Não é nada. Enfim, já organizei tudo. De qualquer forma, Genebra já tinha dito que, depois disso, queria ir embora daqui, se esconder por dois anos. Quando o tempo de separação fosse suficiente, ela pediria o divórcio.

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