Débora pegou o celular desajeitadamente.
Ela cerrou os dentes, ignorou Dário e voltou-se para Gaspar.
— Gaspar, a Genebra já planejava te deixar há muito tempo. Ela não hesitou em te ferir.
Vendo que a expressão de Gaspar ficava cada vez pior, Débora continuou a jogar lenha na fogueira.
— Genebra sabia que você conseguiu a medula para o Sr. Nogueira. Ela não queria que a filha do Sr. Nogueira fosse operada. Será que ela queria te destruir? Ela sabia o quanto a cooperação do Sr. Nogueira era importante para você. Ao te causar problemas, você não teria tempo para procurá-la.
Dário gritou:
— Débora, já chega! Tantos truques só para tentar subir de posição?
Débora ergueu a cabeça para encarar o julgamento de Dário, com a aparência de quem tem a consciência limpa.
— Eu nunca pensei em subir de posição. Eu apenas sinto pena do Gaspar. Crescemos juntos, e ver a dignidade e o corpo dele serem tratados assim... meu coração dói, não consigo apenas assistir!
Dário riu de raiva e virou-se para Gaspar.
— Gaspar, você não vai cair na lábia dela, vai?
Gaspar manteve os olhos baixos, fitando os próprios dedos, e sua voz soou fria como o gelo.
— Saiam todos.
Dário parou por um momento, depois soltou uma risada seca, olhou profundamente para Débora e saiu.
Ao chegar a um canto isolado, Dário fez uma ligação.
Demorou muito para atenderem.
— O que foi?
Ao ouvir aquela voz fria, o coração de Dário apertou.
De repente, sentiu que não estava muito melhor que Gaspar.
Ele encostou a testa na parede fria, a voz cansada.
— Talita, a Genebra vai fugir, não é? Você me pediu para segurar o Gaspar para ajudá-la?
Talita evitou o assunto.
— Você ainda está em Luzia do Mar?
Aquilo era uma confirmação tácita.
Dário suspirou, impotente.
— Talita, usar seu próprio marido... você acha isso certo?

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