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Nosso Casamento Tinha Prazo romance Capítulo 20

Ela costumava encará-la exatamente com aquele olhar, chamando-a de mamãe com uma doçura ímpar.

Dulce olhou para a garota acordada, comprimiu os lábios e, num reflexo carregado de gravidade, observou Celeste.

Apesar de saber que Celeste passara alguns anos quebrando galho no pronto-socorro, a capacidade dela deveria ser limitada.

Do contrário, ela não teria permanecido confinada àquele mundinho sem a mínima chance de evolução ou promoção.

Porém, agora...

Ficou a impressão de que tinha sido Celeste quem havia salvo a menina?

E ela nisso tudo?

Dulce franziu as sobrancelhas sem pronunciar uma só palavra.

O assistente de Gregório, Mateus Silva, que se encontrava nas suas costas, captou a essência das expressões de Dulce.

Após dar uma checada no rosto insípido do seu próprio chefe, agindo de forma sagaz como de costume, resolveu se manifestar no lugar de Gregório:

— Graças à grande experiência da Sra. Alves! Sem sombra de dúvida, o efeito dos seus métodos primários de resgate demorou um pouco para surtir efeito.

Afinal de contas, Mateus acompanhava Gregório havia muitos anos.

Consequentemente, conhecia muito bem a Celeste.

Contudo, e daí?

O Diretor Souza jamais dedicou um pingo de atenção à Celeste.

Por qual motivo permitiria que ela ofuscasse a glória da Sra. Alves?

Só depois de escutar aquelas palavras é que Dulce ergueu as sobrancelhas.

Os olhos esbanjando sorrisos de Dulce estacionaram no rosto vistoso de Gregório. Ela estava muito ciente de que Mateus era o confidente fiel de Gregório e, portanto, o que saía da boca do seu assistente traduzia perfeitamente o seu pensamento.

Gregório, por sua vez, permaneceu impassível do começo ao fim, e jamais tentou calar Mateus perante tais declarações.

Seus olhos tampouco voltaram a se cruzar com o rosto de Celeste.

Parecia uma submissão complacente, uma aceitação tácita.

Urbano fixou o olhar no semblante indiferente de Gregório e se divertiu ainda mais com a cena.

Lançou um olhar malicioso e cômico de soslaio para Celeste, que continuava de joelhos no chão, com ares de derrotada.

A labuta da Celeste durante todo aquele tempo foi completamente em vão.

Muitas das pessoas presentes não passavam de investidores na área médica e logo sacaram o recado por trás daquilo.

Pois quem atua na área da medicina jamais socorre os demais em busca de medalhas.

Tampouco estava com saco para se distrair averiguando o quanto eles elogiavam a postura de Dulce.

O frio do inverno na Cidade Imperial era de gelar os ossos.

Celeste pegou apressadamente os sapatos e as meias que a menina tinha tirado e ajudou cuidadosamente a colocá-los de volta. Também foi arrumando delicadamente a barra da calça da criança para dentro da borda da meia, com uma destreza incrivelmente natural.

A mãe da menina olhou fixamente para o rosto de Celeste, com os olhos vermelhos após as lágrimas de alívio, e instintivamente inquiriu:

— Moça, você já é casada, não é? E também tem filhos? Dá para ver que é até mais acostumada a lidar com os pequenos do que eu.

Aquela simples frase.

Provocou de imediato um súbito arrepio nas costas de Celeste.

Com o alarme estrondoso ecoando na cabeça, cada pêlo do seu corpo se eriçou de pavor.

Sentiu os olhares curiosos vindo por trás dela.

Como não estavam tão distantes, Gregório também prestou atenção naquelas palavras.

Seu olhar insondável transpôs a multidão de pessoas e pousou sutilmente na nuca de Celeste.

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