Era uma dor equivalente a ter o coração arrancado e os ossos raspados, mas agora, o tom de Celeste soava incrivelmente calmo.
Era o hábito e a dormência que se seguiam após ser ferida repetidas vezes.
Juliana até achava que Celeste não querer contar a Gregório que ele tinha uma filha na pré-escola era o que ele merecia! Era o seu castigo!
Mas ela também conhecia bem as mágoas de Celeste, então concordou imediatamente:
— Homem é que nem papel higiênico usado, não serve para nada e ainda enoja. Ser canalha é da natureza deles! Lixo tem que ficar na lixeira!
Ela encerrou a chamada.
Celeste continuou a arrumar seus pertences pessoais sem parar um segundo sequer.
Sete anos como a esposa de uma família rica e poderosa, e no final, tudo coube em apenas duas malas.
Ela abaixou a cabeça e olhou para o anel de diamante em seu dedo anelar.
Ela o esfregou suavemente. Embora estivesse liso e polido pelo longo tempo de uso, sentiu como se ele cortasse como uma faca.
Respirou fundo e, sem nenhum apego, o tirou, guardando-o no envelope do acordo de divórcio.
Aproveitando o silêncio da noite, colocou as malas no carro.
Já era muito tarde.
Ao voltar, deitou-se para dormir ainda com as roupas do corpo.
No dia seguinte.
Celeste foi acordada pelo barulho de coisas sendo movidas e arrastadas no andar de baixo.
Tinha dormido apenas três horas. Ouvir todo aquele ruído fazia parecer que alguém estava perfurando seu crânio com uma furadeira.
Suportando o desconforto, ela se lavou e colocou o envelope com o acordo de divórcio bem no centro da sua penteadeira, agora completamente vazia.
Isso garantiria que Gregório notasse essa surpresa tão aguardada por ele assim que entrasse no quarto.
Então, caminhou para fora.
Na noite anterior, Juliana já havia lhe ajudado a encontrar um apartamento.
Considerando que a pequena Laura moraria com ela no futuro, prepararam especialmente um lugar com três quartos.
Uma nova penteadeira, um novo sofá, um novo espelho de corpo inteiro; todos os estilos combinavam com Dulce.
— Quem permitiu isso? — Celeste perguntou com uma expressão gélida.
Alberto até se assustou com o jeito frio de Celeste, e retrucou, irritado para disfarçar o constrangimento:
— O meu irmão, é claro! Quem mais seria?
— Ele não te quer mais! Ele acha você nojenta! Uma mulher usada, igual a um pano de chão velho! Se você tem o mínimo de noção, desocupe o espaço logo!
Celeste apertou os lábios.
Sentiu como se seu peito tivesse sido violentamente golpeado por um objeto contuso, e sua mente ficou em branco por vários segundos.
Não esperava que Gregório estivesse tão impaciente para que ela abrisse espaço para a mulher que ele amava.
Apenas ontem ela o havia descoberto cometendo aquela atitude absurda com Dulce, que já carregava um filho no ventre, e hoje ele já agia com tanta desfaçatez.
Estava ele planejando arrumar a casa matrimonial para receber a nova dona?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Nosso Casamento Tinha Prazo
Ela repete o mesmos pensamentos várias vezes. E o mais incrível u.a é prisioneiro e o outro é livre, no final ele teve um motivo muito importante para agir assim e vai querer compensar tudo....
Essa personagem é humilhada apor bens materiais....
Eu adoro histórias assim que a autora humilha a personagem principal por todo história para no final o homem estar apenas sendo enganado ou protegendo ela e acaba perdoado, ainda d põem alguém da família pra ajudar na humilhação, fica o romance perfeito!...
Pq esse tipo de história não da um pouco de amor próprio a mulher e ela encontra alguém q realmente a valoriza??? Só mostra que a mulher não se da o valor, mesmo depois de humilhada ela volta com o cara. Ridículo...
O melhor dessa história é que a autora põem a personagem para ser humilhada e trocar tudo por dinheiro, ou seja dignidade zero...
Adorando esse livro. Espero que o divórcio da Celeste demore o suficiente para o Gregório descobrir que sua salvadora do sequestro é Celeste. Que esse capítulo seja em breve....