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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 302

O toque do celular de Matheus foi um vibração curta e seca, um sinal, não um som. A tela iluminou-se com uma mensagem de Ian: um endereço de GPS e uma única palavra: CONFIRMADO.

Era um conjunto de galpões industriais enferrujados, na linha tênue entre dois estados, um lugar de ninguém. A noite era escura, sem lua, e o vento frio assobiava entre as estruturas de metal, carregando o cheiro de óleo velho e desolação. Matheus, Carla e dois homens da equipe tática de K — homens silenciosos, com movimentos econômicos — observavam a fachada do galpão número três a partir da cobertura de um depósito adjacente.

Através de uma luneta térmica, o cenário era claro: uma única assinatura de calor, oscilante e nervosa, dentro do galpão. E uma outra, menor, quase imóvel, próxima.

— É ele. Sozinho — sussurrou um dos táticos, Leandro. — A menina está viva. Imóvel, mas viva.

Matheus não precisava do equipamento para saber. Sentia no ar, na corrente de ódio e desespero que parecia emanar daquele lugar. Era Rafael. Amador. Louco. Perigoso justamente por isso.

— Vou pela entrada lateral. Vocês cobrem as saídas traseiras e o telhado. Ninguém entra, ninguém sai sem meu aviso. — Matheus ordenou, a voz um murmúrio plano. — A prioridade é a Luna. Neutralização silenciosa do alvo.

Carla, ao seu lado, observava o galpão. Ela viu, naquele único ponto de calor agitado, não um estrategista, mas um animal encurralado. Um homem que perdera tudo e agora segurava uma criança como último ato de um ego despedaçado.

— Matheus, espera — ela agarrou seu braço, os olhos sérios na escuridão. — Ele está sozinho. Está completamente fora de si. Se ele te ver… se ouvir um barulho… ele pode fazer algo impensado com ela antes que você chegue perto. — Ela respirou fundo. — Deixa eu tentar. Entro sozinha, pela frente. Falo com ele. Eu o conheço, sei como ele pensa. Eu posso distraí-lo, acalmar ele… enquanto você entra por trás.

Matheus virou-se para ela, e mesmo na penumbra, ela viu a recusa instantânea e absoluta em seus olhos.

— Não — a palavra saiu como o som de uma porta de cela se fechando. — Absolutamente não. Você não se aproxima dele. Nem a dez metros.

— Carla, ele é imprevisível — Leandro acrescentou em voz baixa. — O plano do chefe é o mais seguro.

Matheus não deu mais explicações. Com um último olhar para Carla — um olhar que dizia fica aqui, fica segura — ele desapareceu na borda do telhado, deslizando por uma drenagem com a agilidade de um grande felino.

A infiltração foi um estudo em silêncio. Matheus conhecia cada som, cada sombra. A porta dos fundos do galpão estava emperrada, mas não trancada. Um empurrão cuidadoso, um óleo rangente abafado por sua mão enluvada, e ele estava dentro.

O ar interno era ainda pior: mofo, gasolina e um cheiro agridoce de suor e medo. A única luz vinha de uma lanterna de acampamento no chão, iluminando um círculo de concreto. E dentro desse círculo, sentada em uma caixa, estava Luna. Ela estava acordada, os olhos abertos, o rosto sujo de lágrimas secas, mas surpreendentemente quieta. Segurava um ursinho. Quando seus olhos verdes, um reflexo perfeito dos dele, encontraram os seus na escuridão, não houve pânico. Houve apenas um reconhecimento silencioso e aliviado. Papai.

Rafael estava de costas para ele, alguns passos à frente, remexendo em uma mochila. Murmurava para si mesmo, palavras desconexas sobre justiça e vingança. Era patético. Era perigoso.

Matheus não hesitou. Não houve discurso, não houve aviso. Ele cruzou os últimos metros em três passos fluidos e silenciosos. No momento em que Rafael pareceu sentir a presença atrás dele e começou a se virar, já era tarde.

O golpe foi seco, preciso, sem raiva espetacular. A mão calejada de Matheus encontrou o ponto exato na junção do pescoço e do ombro de Rafael. Um nervo comprimido, um curto-circuito no sistema. Um grunhido de surpresa e dor, e o corpo do médico desabou no chão de concreto, imóvel, consciente, mas incapaz de coordenar um músculo.

Matheus nem olhou para ele. Seu mundo tinha se reduzido àquele círculo de luz.

— Luna — o nome saiu como um sopro rouco, a primeira vez que ele a chamou naquela noite.

Ela se levantou da caixa, trêmula, e correu para ele. Ele se ajoelhou, e ela se jogou em seus braços, pequena, leve, viva. Ele a envolveu, enterrou o rosto em seus cabelos, e um único tremor percorreu seu corpo largo e forte — o tremor do alívio mais profundo e agonizante que um ser humano pode sentir. Ela está segura. Ela está comigo.

Foi então que Carla entrou pela porta da frente, seguida de perto por Leandro. Ela viu a cena: Matheus de joelhos, abraçando a filha, e Rafael, um amontoado impotente no chão.

Matheus levantou-se com Luna nos braços, a menina agarrada ao seu pescoço.

— Vamos embora — ele disse para Carla, sua voz ainda embargada.

Carla, no entanto, seus olhos se fixaram em Rafael. O homem que a perseguira, que tentara destruir sua vida, que usara uma criança como moeda. Ela se aproximou, parando a um passo dele. Ele a olhou, e em seus olhos havia o ódio cego de um animal ferido e o desespero de quem sabe que perdeu tudo.

Ela se inclinou, o suficiente para que apenas ele ouvisse. Sua voz não era alta. Era fria, clara e final como uma lápide.

— Você nunca vai chegar perto de ninguém de novo. Nem dela, nem de mim, nem de ninguém. — Ela fez uma pausa, deixando cada palavra afundar. — Você é um fantasma agora.

Ela se virou, satisfeita. A justiça dela estava feita.

— Vamos, Carla — Matheus chamou, já perto da porta.

Ela concordou com a cabeça e começou a se afastar, seguindo-o.

Foi quando o som aconteceu.

Um baque surdo, metálico. O som de um corpo se contorcendo, de uma mão desesperada encontrando metal no chão. Um revólver velho, que deve ter caído da mochila de Rafael quando ele desabou.

Matheus se virou no mesmo instante, seu corpo já em movimento para proteger Luna e Carla, mas ele estava a alguns metros de distância.

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