Corvin se inclinou e sussurrou rapidamente:
“A caçadora te expulsou e deixou o Príncipe Lucien entrar. Ele ainda está lá em cima. Pelo visto, Sua Alteza sabe agradá-la melhor do que você.”
Silas o encarou como se Corvin tivesse acabado de ganhar uma segunda cabeça.
“Quem diria que esse teu crânio de metal sabia fofocar tão bem.”
Corvin cruzou os braços.
“Não é fofoca. Estou apenas dizendo a verdade.”
Ele não tinha dormido nada naquela noite.
Estava inquieto demais, com medo de que Lucien resolvesse dedurá-lo.
Talvez contasse a Emma que Corvin havia sido rígido demais com ele.
Silas soltou uma risada curta e seca.
“Você está com medo de o Lucien reclamar para a Emma que você implicou com ele, não é?”
“Claro que não!”, Corvin rebateu, irritado.
“Cuidei muito bem dele! Tratei quase como se fosse meu próprio filho. Só fui um pouco severo.”
Ele esfregou a nuca, desconfortável.
“Como eu ia saber que ele era o Lucien?”
Silas apoiou a mão no ombro dele.
“Relaxe. O Príncipe Lucien não é do tipo que sai contando esse tipo de coisa. Ele tem orgulho demais para isso.”
Corvin estreitou os olhos.
“Tem certeza? Promete?”
Silas assentiu uma única vez.
“Se ele reclamar, eu resolvo.”
Um sorriso aliviado se espalhou pelo rosto de Corvin.
“Sabia que podia contar com você, Silas.”
Ele se espreguiçou, finalmente conseguindo respirar com mais calma.
“Bem, vou dormir. Agora você é meu irmão. Quando a caçadora começar a me tratar melhor, não vou esquecer o que fez por mim.”
Ele sorriu de canto.
“Eu sempre retribuo favores.”
Silas sorriu de leve.
“Que amigo exemplar você é, hein?”
“Pois é”, respondeu Corvin com orgulho, seguindo para o próprio quarto.
Quando ele se foi, Silas voltou o olhar para o terceiro andar. Seu maxilar se contraiu, e seus olhos escureceram.
Droga.
Ele tinha sido descuidado.
Esqueceu que os Aurelia possuíam um ritual de vínculo próprio.
Protegeu-se de tudo… menos disso. Ainda assim, Lucien havia saído na frente.
“Acabou”, murmurou para si mesmo. “Daqui em diante, as coisas vão ficar feias.”
…
A manhã chegou.
A primeira luz do amanhecer atravessou as cortinas brancas, projetando um brilho dourado e suave sobre a cama.
Os olhos de Lucien se abriram lentamente.
A dor em seu corpo havia desaparecido. Os ferimentos estavam completamente curados. Sua energia pulsava com uma intensidade maior do que nunca.
Ele paralisou.
Seu poder havia avançado para o Rank 11 durante a noite.
Aquilo jamais havia acontecido em toda a história do Império.
A compreensão veio como um estalo, e ele se virou depressa.
Emma estava deitada ao seu lado, ainda adormecida.

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