“Não vou arriscar minha vida.”
A voz dela suavizou.
“Você me protege. Você luta por mim. Você daria tudo por mim. Então deixe que eu te proteja do meu jeito.”
Era apenas sangue.
Ela podia repor com algumas poções.
Já havia derramado muito mais enquanto caçava feras sozinha.
Quando terminou de falar, inclinou-se e beijou o espaço entre as sobrancelhas dele, lenta e carinhosamente.
Estar ligada a Lucien era diferente.
Agora que carregava a marca da besta dele, conseguia sentir cada emoção pulsando em seu interior — a culpa, a devoção, o amor — todas ardendo em seu peito como uma chama viva.
Aquela torrente selvagem de sentimentos atingiu Emma como um relâmpago.
Era profunda, avassaladora e impossível de resistir.
Seus dedos roçaram os lábios de Lucien, contornando-os como se quisesse memorizar cada detalhe.
Os olhos carmesim dele cintilaram com calor, brilhando e apagando como uma chama lutando contra o vento.
“Emma”, ele sussurrou com a voz baixa e rouca. “Você não quer me beijar?”
A garganta dele se moveu ao engolir em seco, cada músculo do corpo tenso, contido por pura força de vontade.
Antes que ela pudesse responder, a mão dele deslizou até a cintura dela e a puxou para perto.
Os lábios se encontraram, suaves e ardentes, num beijo profundo e demorado.
Ele a deitou com cuidado, os dedos percorrendo sua pele, convidando-a a afundar ainda mais naquele calor.
Quando finalmente a soltou, Emma sentia como se tivesse derretido contra ele.
Lucien a observou, o olhar passeando pelo tecido claro e leve da camisola fina.
Um meio sorriso surgiu em seus lábios.
“Essa roupa… foi o Silas que escolheu, não foi?”
Emma piscou, percebendo o que vestia.
Seu rosto ficou vermelho como fogo.
Aquele idiota do Silas.
Ele não havia colocado uma única peça de roupa normal na mala.
Lucien soltou uma risada baixa, provocadora.
“Vou mandar trazer roupas novas hoje. Você pode guardar essa para ocasiões especiais. Certamente não é do tipo para ficar andando pela casa.”
O rubor de Emma se intensificou.
“Eu não pretendia usá-la pela casa.”
Só de imaginar caminhar pelo corredor vestida daquele jeito, ela queria desaparecer no chão.
Podia morrer de vergonha.
Lucien sorriu de leve, o tom afetuoso.
“Sei que você não é esse tipo de mulher. O Silas é que tem um gosto péssimo. Vou lidar com ele depois.”
Ele falou com leveza, mas havia algo sombrio por trás daquele sorriso.
Emma sentiu, de repente, um pouco de pena de Silas.
Foi então que percebeu que Lucien não era tão dócil quanto parecia.

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