— Emma, você está acordada? —
A voz de Lucien era baixa e preguiçosa, com aquele tom matinal rouco que lembrava vinho envelhecido: suave e perigosamente quente aos ouvidos.
Emma ergueu o olhar para ele.
A lembrança da noite anterior cintilou em sua mente. Ela se mexeu, sentindo o corpo dolorido, então se inclinou e mordeu o peito dele sem aviso.
— Mmm... — Lucien soltou um gemido teatral e suave.
— Emma, por que me morde assim que acorda? —
Os olhos dele, brilhantes e tingidos de carmim, reluziam com uma falsa mágoa.
— Fui ruim ontem à noite? Você não gostou? — Ele abaixou a cabeça, se aproximando.
— Mas ontem você disse claramente que gostou. Até disse que gostava de mim... —
— Cala a boca. — Emma tapou a boca dele com a mão, as bochechas coradas, o olhar afiado.
Será que ele acha que pode sair dizendo essas coisas assim, de manhã?<\/i>
Lucien piscou, depois ficou imóvel, devidamente intimidado. Ele sabia que ela acordaria pronta para fazê-lo pagar. Afinal, na noite anterior, ele a havia convencido a dizer e fazer coisas que ela jamais admitiria à luz do dia.
E ele também sabia que Emma, no fundo, gostava disso.
Ela lançou outro olhar fulminante.
— Como não percebi antes? Você é mesmo sem vergonha.
Essas frases saem da boca dele como se tivesse ensaiado diante do espelho.<\/i>
Lucien apenas riu, puxando-a para seus braços novamente. Os lábios roçaram o lóbulo da orelha dela enquanto ele sussurrava:
— Emma, isso não é justo. Sou muito correto na maior parte do tempo.
O hálito quente dele acariciou sua orelha, e metade do corpo dela pareceu derreter antes que pudesse evitar.
Lucien percebeu, e o sorriso se aprofundou. Ele se recostou um pouco, os olhos carmim agora calmos e atentos.
— Sério. É só que... na sua frente, toda minha contenção desmorona. Não consigo evitar, e...
Isso é trapaça.<\/i>
Ele deveria estar explicando a falta de autocontrole, mas soava perigosamente como uma confissão de amor.
Emma não caiu nessa. Cutucou o peito dele com o dedo.
— Poupe-me. Essas frases vêm fácil demais pra você.
Ela fez sua melhor cara de desdém.
— Agora me diga. Onde aprendeu essas besteiras? Não me diga que o Silas te ensinou de novo.
Não dava para culpá-la por suspeitar de Silas. Corvin e Marcus já tinham sido corrompidos por ele. Até Edric caiu na influência.
O peito de Lucien tremeu de tanto rir, a vibração passando pelo dedo dela.
— Dessa vez você está sendo injusta com Silas — disse ele. — Passei a maior parte da vida no exército. É cheio de homens cheios de energia. Não precisa estudar esse tipo de conversa. Você ouve tanto que acaba pegando.
O olhar dele se aguçou de novo, intenso e derretido, fisgando-a como um anzol.
— Mas antes disso, eu só escutava. Nunca pensei que realmente diria essas palavras.

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