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O Arrependimento Dele - Ex-Marido Me Quer de Volta romance Capítulo 107

Algumas horas antes de Daven aparecer na escola de Josh.

— Senhor Daven?

O apartamento estava em completo silêncio. Nenhum som, exceto o leve zumbido do ar-condicionado. Sem música, sem televisão ao fundo, nada. Arsen ficou inquieto. Havia algo errado naquela quietude, ainda mais depois do que Daven havia descoberto.

Poderia ser...?

— Não! — Murmurou Arsen, afastando o pensamento.

Ele colocou sobre a mesa o expresso de sempre, do jeito que Daven gostava. Mas seus olhos logo captaram alguns detalhes fora do lugar. A garrafa de uísque no minibar estava quase vazia. O cinzeiro de vidro, cheio de bitucas de charuto. O cheiro de tabaco e cravo ainda pairava no ar, misturado ao aromatizador. Aquilo dizia o suficiente: Daven havia passado a noite de uma forma que raramente acontecia.

Arsen percorreu a sala com o olhar, tentando reconstruir o que havia acontecido. Será que Daven ainda estava dormindo? Ou apagado por causa da bebida? Seria incomum... Mas não impossível. Deveria verificar?

Em todo o tempo em que trabalhou com Daven, Arsen podia contar nos dedos quantas vezes o viu perder o controle ou se embriagar. Normalmente, ele se enterrava em pilhas de documentos, passando horas em silêncio, usando o trabalho como refúgio contra qualquer tempestade interna. Mantinha-se ocupado até recuperar o equilíbrio.

Mas talvez, desta vez... Tinha sido demais.

Arsen conseguia entender. Qualquer um ficaria abalado com aquilo. Se fosse com ele, provavelmente cancelaria todos os compromissos, pegaria o primeiro voo de volta para Mighatan e confrontaria a esposa cara a cara. Como Vanessa pôde fazer aquilo com Daven? Depois de toda a confiança que ele depositou nela... Ainda que, talvez, nem tudo fosse exclusivamente culpa dela. Mesmo assim, traição nunca é a resposta.

E agora, um casamento que parecia perfeito por fora, admirado por tantos, estava desmoronando.

— Isso não é da minha conta... — Exalou Arsen, tentando afastar o peso. — Senhor Daven? — Chamou novamente, mais alto. — Acho melhor verificar o quarto.

Com um suspiro hesitante, caminhou até a suíte principal. Mal havia alcançado a porta quando ela se abriu.

Daven saiu.

Já vestido com uma camisa grafite e calça escura. O cabelo impecável, a postura ereta. Nada nele lembrava um homem consumido pelo coração partido. Talvez fosse impressão de Arsen. Mas havia algo diferente. Aquele Daven parecia mais frio. Mais afiado. E definitivamente mais distante.

— O que está fazendo tanto barulho logo cedo? — Perguntou, lançando um olhar frio.

Ele passou por Arsen com a habitual confiança, indo direto ao minibar. Sentou-se em um dos bancos e empurrou, sem dar importância, a garrafa de uísque quase vazia da noite anterior.

— Já pedi para organizarem tudo, senhor Daven. Logo após a reunião que o senhor agendou. — Respondeu Arsen, sabendo o quanto ele detestava desordem.

Daven não respondeu. Apenas pegou o café que Arsen havia preparado.

— O que o trouxe aqui tão cedo?

Arsen soltou uma risada nervosa.

— Não está exatamente cedo, senhor...

Mas se calou ao perceber o olhar afiado de Daven, claramente sem paciência para comentários. Tentando amenizar o clima, serviu outra xícara de café.

— Desculpe, senhor. Só queria me certificar de que o senhor estava bem.

Daven tomou um gole lento, tranquilo, mas ilegível.

— Eu estou bem. Se é isso que quer saber. Por que presumiria o contrário?

Arsen engoliu seco, sem saber como responder.

— Leia a agenda de hoje. — Disse Daven, em tom neutro.

— Sim, senhor.

Arsen pegou o tablet.

— O senhor tem uma reunião às dez da manhã na prefeitura, como representante investidor do Grupo Callister. Depois, revisão do relatório de distribuição da filial de Newcastle. Também há—

— Cancele a reunião das dez com o prefeito. — Interrompeu Daven, calmo e direto. — Remarque para depois do almoço. O restante, transfira para reunião virtual amanhã pela manhã.

— Entendido, senhor Daven.

— E adicione mais uma visita à agenda de hoje.

— Para onde, senhor?

— A escola onde o Josh estuda.

Um leve sorriso surgiu em seu rosto, breve, quase involuntário.

Seu próprio assistente.

O que mais o desconcertava não era a traição em si. Era a ausência de raiva.

Não havia explosão. Nenhuma vontade de gritar, quebrar algo ou descarregar tudo até a exaustão.

Ele não deveria estar sentindo isso?

Mas não sentia.

Havia apenas vazio.

Um vazio estranho, difícil de explicar.

Seu coração não estava despedaçado. Mas também não estava inteiro.

Ainda assim, ele sabia... Algo havia se quebrado.

Algo que um dia chamou de casamento.

Um vínculo em que acreditava. Duas pessoas. Juntas. Felizes. Construindo uma vida lado a lado até o fim.

Era pedir demais?

Por que aquilo agora parecia tão distante?

Seria isso... Decepção?

Talvez.

E talvez por isso, na noite anterior, tenha bebido e fumado. Não por perder o controle, mas porque não havia para onde direcionar aquele peso sufocante.

Nem mesmo dentro de si.

Ele ainda amava a esposa?

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