— Receio que não posso compartilhar a agenda do senhor Daven com a senhora, dona Vanessa. — Disse Arsen, com a voz já carregada de cansaço. O telefone não parava de tocar desde cedo. Na verdade, ele chegou a colocá-lo no silencioso só para escapar do bombardeio constante, Vanessa vinha ligando sem parar. Não era incomum ela entrar em contato ou encher sua caixa de mensagens, mas, dessa vez, estava exagerado. E atrapalhando.
Arsen lançou um olhar para Daven, na esperança de alguma orientação, mas o homem estava totalmente imerso em uma discussão sobre seu mais novo projeto com o prefeito de SunCity. Nem sequer fazia questão de esconder que estava deixando Arsen lidar com Vanessa sozinho.
— Por que você não pode me dizer? — Perguntou Vanessa do outro lado. — Preciso te lembrar quem você é, Arsen? Você é só o assistente do Daven! Passe o telefone para ele. Eu preciso falar com ele.
— Sinto muito, senhora. — Respondeu Arsen, soltando um suspiro longo. — O senhor Daven está em reunião e não pode ser interrompido. Por favor, tente novamente dentro do horário disponível dele.
— E como eu vou saber quando ele está livre se ele nunca me diz a agenda? — A voz de Vanessa se manteve estridente. — Seja sincero comigo, Arsen. O Daven está saindo com outra mulher pelas minhas costas? Está se divertindo por aí e usando o trabalho como desculpa?
Arsen ficou olhando para a tela, incrédulo. Como ela podia acusar Daven de algo que ele nem havia feito? Se alguém havia ultrapassado limites, tinha sido ela. E ainda assim tinha a audácia de inverter a situação?
Mesmo assim, Arsen sabia que não devia se envolver. Nem quando Daven havia sugerido que dissesse que ele estava com Althea, Arsen quis seguir aquilo à risca. Parecia mais sensato… para todos.
— Por que você não responde? — Vanessa voltou a gritar.
Arsen já ia falar algo quando seus olhos encontraram os de Daven. O olhar afiado do chefe disse tudo. Sem dizer uma palavra, Daven fez um gesto para que ele se aproximasse, queria que algo fosse anotado. Arsen obedeceu imediatamente, levando o telefone ao ouvido pela última vez.
— Me desculpe, senhora Vanessa. Preciso voltar ao trabalho.
E desligou.
Antes mesmo que Daven comentasse, Arsen se adiantou:
— Desculpe, senhor Daven. A senhora Vanessa estava insistindo que eu—
— Não me interessa o que você falou com aquela mulher. — Interrompeu Daven, entregando-lhe alguns documentos já revisados. — Fique de olho nessa obra. O prefeito disse que a maioria dos contratos foi para a família Miller. Parece que a influência daquele homem é ainda maior do que minhas fontes indicavam.
— Sim, senhor Daven.
— Você não disse a ela que eu estive com a Althea? — Perguntou, com calma.
— Eu... Não achei que fosse meu lugar informar algo assim à senhora Vanessa.
Um leve sorriso surgiu nos lábios de Daven.
— Devia ter dito, Arsen. Sabe por quê? Porque é verdade, não é? Só hoje de manhã, e até ontem à noite, nossos caminhos se cruzaram, mesmo sem conversa.
Arsen permaneceu em silêncio.
Daven estalou a língua, impaciente, e mudou de assunto.
— O Rio já entrou em contato?
— Ainda não, senhor. — Respondeu Arsen, acompanhando-o enquanto saíam do gabinete do prefeito. A cada poucos passos, lembrava Daven dos próximos compromissos, incluindo a visita à escola de Josh que ele havia mencionado.
Não era que Arsen quisesse se envolver.
Mas esperava, no fundo, que Daven desistisse daquela ideia fixa.
Aquela convicção...
De que Josh era seu filho.
— Quando ele entrar em contato... — Disse Daven. — Diga para vir falar comigo pessoalmente. Não vou tratar disso por telefone. E, se meu pressentimento estiver certo, ele já está em SunCity.
— Entendido, senhor.

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