— Senhor Daven! — Chamou Arsen em voz baixa, tomando cuidado para não quebrar a tranquilidade que o outro parecia ter construído para aquela manhã.
Daven estava sentado sozinho no canto de um café de estilo industrial, a poucos minutos da escola de Josh. À sua frente, uma xícara de café preto ainda soltava vapor, e o aroma forte dos grãos robusta preenchia o ar. Mesmo assim, como sempre, sua expressão permanecia indecifrável.
Arsen se aproximou e lhe entregou um tablet com as duas mãos.
— A senhora Vanessa acabou de enviar a agenda atualizada, senhor.
Daven lançou um olhar rápido para a tela e logo voltou a atenção para o café. Não havia nada de relevante ali. Normalmente, ele analisaria cada detalhe, sempre em busca de uma brecha, qualquer oportunidade de encontrá-la, nem que fosse por alguns minutos. Já havia remanejado compromissos, adiado reuniões, feito o impossível por um almoço ou jantar com a esposa.
Ainda que, muitas vezes, precisasse cancelar.
E, pensando bem... Ela também cancelava.
E ali estava o problema.
Ultimamente, ele começava a se perguntar: Será que eram mesmo compromissos de trabalho? Ou sempre foi o James? Era com ele que Vanessa vinha passando seu tempo?
Como aquilo nunca lhe ocorreu antes?
Droga... Há quanto tempo ele vinha sendo feito de idiota?
— Não me traga coisas irrelevantes, Arsen. — Disse, seco, deixando claro que não queria interrupções.
— Mas—
— Eu não me importo com a agenda daquela mulher. — Cortou, frio. — Apenas guarde isso.
Arsen assentiu, rígido, e se afastou. Não havia muito o que dizer quando Daven decidia algo. E, sinceramente, se estivesse no lugar dele, talvez reagisse da mesma forma.
Ainda assim... Aquela situação também o estava afetando. Seu celular não parava de tocar, quase sempre Vanessa.
O que ele deveria fazer?
Enquanto isso, Daven tomou um gole lento do café, deixando o olhar se perder na rua além das grandes janelas de vidro. Tudo o que podia fazer agora era esperar, acompanhado pelo gosto amargo da bebida.
Então, no horário de sempre, um carro de cor neutra estacionou.
Segundo os relatórios, era aquele que levava Josh todos os dias à escola.
Daven não desviou o olhar.
No instante seguinte, Josh saiu do banco de trás, cheio de energia. Logo atrás dele, um homem adulto.
Chase Miller.
E não demorou para Daven reconhecer a mulher que saiu do banco da frente.
Althea Grayson.
Sua ex-esposa.
Ela estava sorrindo, um sorriso leve, natural.
O vento da manhã brincava com seus cabelos, emoldurando o rosto enquanto ela usava uma blusa azul simples e uma saia na altura dos joelhos. Nada chamativo. Nada forçado.
Simples.
Como sempre foi.
E, ainda assim, algo apertou no peito de Daven.
Chase estendeu a mão para ela, como se a guiasse ao atravessar. O gesto era claro. Protetor. Íntimo. Ele se inclinou para dizer algo ao seu ouvido, e Althea respondeu com uma risada suave, tocando de leve o braço dele.
Nada exagerado, nada encenado.
Era sutil, natural demais, como qualquer casal feliz, e isso doeu mais do que ele esperava.
Sua mão se fechou em torno da xícara.

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