O olhar de Chase não vacilou em nenhum momento ao fazer a pergunta. Era firme, calculado, como se ele já esperasse aquele instante desde o início da conversa. Para Daven, ficou claro: Aquilo não era espontâneo. Era o verdadeiro objetivo por trás de toda a negociação.
Daven puxou o ar lentamente, mantendo a calma. — Não tenho objeções, se é isso que você quer, senhor Miller.
— Ótimo. — O sorriso de Chase surgiu, mas seus olhos permaneceram atentos, analisando cada reação. — Você entende bem a situação. E posso garantir... Isso será vantajoso para ambos.
Chris, que até então permanecia em silêncio, observava tudo com atenção. Agora começava a entender. Não era à toa que Chase havia insistido em participar daquela reunião, havia algo muito específico por trás disso, algo diretamente ligado ao seu futuro cunhado. Ainda assim, deixou aquilo de lado por enquanto. Depois, cobraria explicações.
— Essa negociação está mais intensa que uma reunião de conselho. — Comentou, quebrando o clima.
Daven deu um leve sorriso. — Não é verdade que, às vezes, assuntos pessoais são mais complicados do que negócios?
— Dessa vez... Vou concordar com você. — Respondeu Chase. — Mas acredito que podemos resolver tudo sem ultrapassar limites pessoais. Certo, senhor Daven?
Daven se endireitou na cadeira. — Então vamos ao que interessa. Quero saber o que realmente aconteceu com esse projeto. Sem mais omissões. Preciso disso antes de assinar qualquer contrato com o Harold.
O almoço foi servido em um restaurante semiaberto no centro da cidade. A mesa redonda estava cheia de frutos do mar fumegantes, mas, diferente da reunião anterior, a conversa fluía com mais leveza.
— Foi basicamente isso que aconteceu naquela época. — Concluiu Chris, levando mais uma garfada à boca. — Imagino que seu assistente já tenha investigado esse lugar também, não é?
Os lábios de Daven se curvaram levemente. — Queríamos causar uma boa impressão... Especialmente depois da conversa de hoje. Para ser sincero, estou ansioso para dar andamento a isso.
— Você realmente age rápido... Mas sempre calculando cada passo. — Comentou Chase.
— Experiência ensina... — Respondeu Daven. — E não existe professor melhor do que ela.
Na visão de Daven, Chase era o tipo de homem que preferia agir nas sombras. Mas, quando falava, sua leitura de cenário era precisa. Ele conseguia prever problemas antes mesmo de existirem, antecipando riscos com uma clareza incômoda.
Era justamente por isso que Daven sabia que não podia subestimar aquele acordo.
Em sua mente, os cálculos já estavam feitos. Vanessa, por si só, não o preocupava. Mas, se ela resolvesse interferir na vida de Althea ali em SunCity... Tudo poderia sair do controle.
Ela sempre teve talento para criar caos. E qualquer escândalo poderia respingar diretamente nos negócios dele, principalmente no novo projeto que estava prestes a consolidar. O acordo com Harold era apenas o primeiro passo. Ele já mirava algo muito maior do que aquele empreendimento residencial.
O antigo projeto tinha seu valor, mas o que viria agora... Era outro nível. E uma parceria com o Grupo TnC só ampliava isso.
Se quisesse, poderia destruir Vanessa em um único movimento. Todas as provas do caso com James estavam em suas mãos. Bastava tornar público. Mas não era assim que ele agia.
Por enquanto, ele se conteria.
Tanto na vingança... Quanto na curiosidade sobre Josh.
Talvez fosse isso.
Manter distância.

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