Mas o olhar insistente de Josh dizia o contrário. Ele então voltou aquele pedido silencioso para Chris, como se implorasse, só dessa vez, por mais um pouco de tempo com Daven.
— Tá bom, tá bom... — Chris cedeu com um suspiro, completamente derrotado. Aquele olhar era impossível de negar. — O senhor não se importaria com o pedido do meu sobrinho, não é, senhor Daven?
— De forma alguma. — Daven sinalizou para o motorista se preparar.
Mas, antes que pudesse entrar no carro, Chris o interrompeu.
— Eu realmente não entendo... Qual é exatamente a sua ligação com o Josh? — Havia uma ponta clara de desconfiança em sua voz. — Ele é filho da—
— Althea Grayson. Sim, eu sei. — Respondeu Daven, com um leve sorriso, quase nostálgico. — Mas, se está pensando que sou o pai dele... Pode tirar isso da cabeça agora. Por mais que eu quisesse dizer que ele é meu filho... Infelizmente, isso é impossível.
Ele fez uma breve pausa, acompanhando com o olhar o pequeno Josh entrando no carro.
— Ainda assim... Eu ficaria muito feliz se fosse.
Chris o analisou por alguns segundos antes de falar novamente. — Imagino que esse “arranjo” esteja funcionando bem até agora. E é melhor continuar assim. Não quero nada interferindo na vida da minha irmã e do futuro marido dela por sua causa, senhor Daven. Só estou permitindo isso hoje por causa do Josh. Então... Respeite os limites que combinou com o meu irmão.
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— Meu Deus... — Sussurrou Althea, a voz trêmula. — Por favor... Protege a Lydia. Ela é minha melhor amiga.
Ela abaixou a cabeça, as mãos entrelaçadas com tanta força que os nós dos dedos ficaram pálidos. — Eu estou pedindo a sua ajuda... Por um milagre.
Chase já tinha perdido a conta de quantas vezes olhou para ela durante o trajeto até Mighatan. Althea não parava de chorar. Os olhos estavam inchados, vermelhos, e a voz falhava sempre que tentava explicar algo entre os soluços.
— Tenho certeza de que Deus está cuidando dela, minha querida. — Disse ele, mantendo o olhar na estrada. — A Lydia é uma boa pessoa. E se importa muito com você. Ele não vai abandonar ela.
Althea levantou o olhar, ainda abalada. — O médico disse que o estado dela é crítico, Chase... Eu estou com medo. Tenho medo que—
A mão dele apertou a dela com firmeza, enquanto a outra permanecia no volante. — Isso não vai acontecer.
Seria mentira dizer que ele não estava preocupado. Pelo que tinha ouvido da ligação, a situação de Lydia era grave. Mas ele se recusava a assumir o pior antes de saber todos os detalhes.
— Escuta! — Disse, com a voz baixa, mas firme. — A gente vai chegar logo. E a Lydia... Ela é forte. Já passou por coisas piores. Confia em mim... Ela vai sair dessa.
Althea assentiu de leve, se agarrando às palavras dele como se fossem a única coisa que a mantinha de pé. Lydia morava sozinha em Mighatan. Assim como Althea, não tinha mais ninguém, a diferença era que agora Althea tinha Josh. E Chase.
Lydia não tinha ninguém.
Depois da traição devastadora do noivo, ela escolheu viver sozinha, fechando o coração para qualquer possibilidade de amor e mergulhando no trabalho. Foi isso que aproximou as duas, uma ligação forte, quase como irmãs.
E agora... Aquela notícia tinha abalado Althea completamente.
A chuva começou a cair fina, borrando as luzes da rua no asfalto molhado. O carro de Chase seguiu firme pela estrada até que, pouco antes da meia-noite, chegaram a Mighatan.

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