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O Arrependimento Dele - Ex-Marido Me Quer de Volta romance Capítulo 321

O som suave da chuva batia contra a janela do escritório.

Era tarde, mas as luzes do último andar do prédio do Grupo Callister ainda brilhavam intensamente.

Atrás das amplas paredes de vidro, Daven estava de pé, com o paletó afrouxado, encarando as luzes da cidade que tremulavam no reflexo de seus olhos cansados.

Já fazia quase dois anos desde que ele havia estabelecido uma filial do Grupo Callister em SunCity, uma decisão tomada para que não precisasse viajar constantemente entre Mighatan e SunCity.

Uma batida na porta quebrou o silêncio.

Sua voz, calma, mas baixa, atravessou a sala.

— Entre.

Arsen entrou com sua educação habitual, segurando uma pilha de documentos.

— Desculpe incomodá-lo, senhor. Notei que o senhor não foi para casa desde esta tarde.

Daven virou-se levemente, oferecendo um sorriso discreto.

— Tudo bem. Eu só precisava de um pouco de tempo sozinho.

Ao colocar os papéis sobre a mesa, Arsen hesitou antes de falar em voz baixa.

— Se me permite ser sincero, senhor... Raramente o vejo trabalhar tanto, mas também raramente o vejo tão calmo.

Daven ergueu uma sobrancelha.

— O que quer dizer?

— Bem... — Começou Arsen com cuidado, o olhar desviando brevemente para a janela. — Nos últimos dois anos, sua vida parece... Mais estável. Mais acolhedora, até. Acho que isso se deve à pequena família que o senhor tem em SunCity.

Um sorriso irônico puxou os lábios de Daven.

— Uma pequena família, hein...

Ele baixou os olhos para a xícara de café frio em sua mão.

— Essa frase parece mais pesada do que deveria.

— Peço desculpas se fui longe demais.

— Não! — Interrompeu Daven em voz baixa. — Você não está errado.

O silêncio veio em seguida.

Apenas o som da chuva preenchia o espaço entre eles.

Daven respirou lentamente.

— Arsen, você sabe por que ainda vou tanto àquela casa, não sabe?

Arsen abaixou a cabeça levemente.

— Por causa da Sra. Althea e das crianças, senhor.

Daven assentiu.

— Se não fosse por eles, talvez eu tivesse parado de tentar há muito tempo. Josh... Ele olha para mim como se eu fosse alguém que não deveria ir embora. E Grace... Ela não dorme se eu não estiver por perto.

— Crianças se apegam rápido quando recebem afeto sincero. — Disse Arsen com gentileza. — E elas sabem, senhor. O senhor nunca fingiu amá-las.

Daven voltou a ficar em silêncio, os olhos fixos na cidade molhada pela chuva além do vidro.

— Esse é o problema, Sen. Eu não sei se o que estou fazendo é certo. Eu apareço todos os dias, ajudo Althea, cuido dos filhos dela. Mas, às vezes, me pergunto se não estou apenas impedindo que eles sigam em frente de verdade.

— Com todo o respeito, senhor... — Respondeu Arsen, suavemente, mas com uma convicção silenciosa. — Acredito que seja o contrário. Sua presença não os está prendendo ao passado. Está mantendo todos de pé. A Sra. Althea parece mais calma agora. Mais forte.

Um sorriso fraco, mas sincero, tocou os lábios de Daven.

— Então me deixe ficar lá por mais um tempo. Enquanto eles ainda precisarem de mim.

— E enquanto seu coração ainda quiser ficar. — Respondeu Arsen suavemente. — Às vezes, esse tipo de devoção silenciosa vale mais do que qualquer confissão.

A sala voltou a mergulhar em silêncio.

A chuva havia diminuído, deixando para trás o cheiro terroso de chão molhado entrando pela fresta da janela.

Daven olhou para o relógio e então se levantou.

— Está tarde. Você deveria ir para casa.

Arsen assentiu respeitosamente.

— Sim, senhor. Mas o senhor também deveria descansar. Sua agenda está cheia amanhã de manhã.

Daven abriu um pequeno sorriso.

— Eu sei. Mas talvez... Eu passe na casa de Althea antes de ir para o escritório.

Os lábios de Arsen se curvaram em um sorriso cúmplice.

— Tenho certeza de que a Sra. Althea e as crianças ficarão felizes em saber disso.

Quando a porta se fechou e os passos de Arsen desapareceram pelo corredor, Daven deixou os olhos se fecharem.

Seu coração estava calmo, mas silenciosamente assustado.

Porque, pela primeira vez na vida, ele finalmente entendia o que significava amar... Sem ousar pedir nada em troca.

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