A chuva ainda caía quando o carro de Daven parou em frente à casa de Althea.
As luzes do jardim lançavam um brilho dourado e suave sobre o chão molhado, pintando a noite com uma ternura calma.
— Vou acompanhá-la até a porta. — Disse Daven, pegando um guarda-chuva.
Althea sorriu discretamente.
— Você não precisa, Daven. Eu consigo.
— É perigoso demais deixar você andar na chuva. — Respondeu ele depressa, o tom leve, mas sincero. — Além disso... Ainda não estou pronto para dizer boa-noite.
As bochechas dela aqueceram enquanto baixava o olhar, um sorriso tímido surgindo em seus lábios.
— Tudo bem. Mas só até a varanda.
Eles caminharam lado a lado sob o guarda-chuva, próximos o bastante para que seus ombros quase se tocassem. O ar frio da noite se misturava ao cheiro de chuva e ao perfume de Daven, envolvendo-os em um calor estranhamente reconfortante.
Quando chegaram à porta, o som de pequenos passos veio de dentro.
— Papai! — A voz animada de Josh ecoou quando ele abriu a porta, o rosto iluminado.
Daven riu, abaixando-se para recebê-lo nos braços.
— Ei, já não passou da sua hora de dormir?
Josh o abraçou com força.
— Eu não consegui dormir. Estava esperando você e a mamãe voltarem para casa!
Da sala de estar, Lydia apareceu apoiada na bengala, com um sorriso cansado, mas divertido.
— Tentei colocá-los na cama, mas acho que eles formaram uma aliança esta noite.
Grace, meio adormecida nos braços de Cale, de repente deu leves tapinhas na própria bochecha e murmurou:
— Pa... Pai...
O sorriso de Daven se suavizou quando ele pegou a menininha dos braços de Cale.
— Ei, meu amor. Você também ainda está acordada?
Grace tocou o rosto dele e riu baixinho.
Sua risada preencheu a sala, afastando os últimos vestígios de cansaço daquele dia.
Althea permaneceu à porta, observando os três, Daven, Josh e Grace com um calor florescendo em seu peito.
Parecia um vislumbre da vida que um dia ela pensou ter perdido para sempre.
— Está vendo? — Murmurou Lydia ao seu lado, com um sorriso cúmplice. — Ele realmente faz parte da sua família agora.
Althea olhou para Daven embalando Grace e baixou o olhar.
— Sim... Eu sei.
Daven se aproximou, ainda segurando Grace, que agora começava a bocejar.
— Vou levá-la para cima, Thea. Deixe que eu a coloque para dormir.
— Daven, você está exausto. Eu posso...
— Por favor, deixe-me fazer isso. — Interrompeu ele gentilmente. — Eu quero.
Sua voz carregava uma sinceridade tranquila que tornava impossível recusar.
Althea apenas assentiu, deixando-o ir.
Josh puxou a mão dela de leve.
— Mamãe, o papai está cansado?
Althea sorriu.
— Está, meu amor. Mas o papai sempre arruma tempo para vocês.

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