Tenho me questionado sobre a sensibilidade da vida, sobre como somos insignificantes; em um momento somos tudo, e logo não somos nada. Eu nunca pensei na nossa história terminando assim, nunca. Agora está tudo acabado. Não que eu me importasse, mas é realmente uma cena que sei que não esquecerei tão cedo.
— Pode vê-lo agora — disse a enfermeira.
Entrei na sala e Ethan estava sentado na maca com alguns hematomas no rosto e cerca de cinco pontos perto do cabelo.
Olhei para ele, que ainda não me encarava.
— Eu perdi o controle, e não há nada que eu vá fazer ou dizer que vá mudar isso. — Ele olhava para baixo. — Eu errei, magoei e não pude proteger vocês. Eu prometi a você anos atrás e não pude cumprir minha promessa. — Ele parece deplorável, com sua voz oprimida e cheia de vergonha.
Abaixo meu rosto em minhas palmas e as esfrego.
— Porque não me contou? — Não posso lutar contra a enxurrada de lágrimas que desce pelo meu rosto. — Porque não falou que seu pai era responsável pelo seu ataque? Porque não me contou sobre Luck estar envolvido? — Minha voz oscila ligeiramente. — Eu quase te perdi! Eu entendo que você estava quebrado, mas por que não me falou? Por que não me disse toda a verdade?
— Vergonha, Nicole, eu sentia vergonha da minha vida, da minha família! — Um rubor extremamente vermelho sobe pelo seu rosto. Não sei se já estava lá devido aos golpes ou se ele está enrubescendo. — O que você esperava que eu dissesse, Nicole? Que meu próprio pai mandou me matar? Que descobri recentemente que irmão sabia e foi cúmplice? — As suas palavras saem mais duras do que o pretendido, e eu sei que ele sabe disso, porque ele fecha os lábios em uma linha tensa. — Porra, se você soubesse como isso me matou por dentro! Anos! Fui correndo atrás de cada pessoa que esteve comigo, me segurando naquela merda de cativeiro e matei todos! — Ele suspira pesadamente. — Como você me vê agora, hein? O mesmo homem bom? Eu sou isso aqui, Nicole! — Ele me encara de novo, os cílios loiros parecendo embebidos com lágrimas. — Quanta dor um corpo humano pode suportar? — Ethan me olhou e seu queixo tremeu novamente, assim que desviou o olhar para a janela.
Eu não posso fazer nada além de segurar a sua mão para passar qualquer tipo de tranquilidade. Olhos tristes e arruinados encontram os meus. Meu coração para no peito e a tensão envolve minha espinha.
— Eu estava há três meses em cativeiro na Colômbia. Inicialmente pensei que queriam dinheiro, mas os dias foram passando e eu percebi que o meu captor tinha satisfação pelo que estava fazendo. — Seus olhos se perdem de novo, tão obscuros e cheios de segredos que refletem a escuridão atrás de seus olhos. — A humilhação, as surras.
Náusea gira dentro do meu estômago, e eu quase vomito tudo no chão. Porém, ao invés disso eu só olho para ele.
— Ele tinha prazer em me causar medo. Em me causar submissão e dor. Não importava o quanto de dinheiro eu oferecesse.
Ficar aprisionado a um lugar, sendo subjugado e humilhado diariamente faz algo com a cabeça do melhor dos homens. — Suas palavras pairam no ar entre nós, um lembrete sombrio de quão diabólico foi oque passou.
— Eu pude observar melhor, com o passar dos meses, o sistema de segurança deles, assim como o dia em que a salvaguarda estava mais fraca. Eles não apostavam que eu seria um risco, estava fora do peso, fraco, atormentando.
Ele da um sorriso sombrio.
— Foi no dia do meu banho. — Suas pálpebras tremem um pouco e seu punho que não está segurando minha mão se fecha com a lembrança. — Era permitido apenas uma vez por semana. — Vergonha enche seu rosto de rubor. — Eu consegui derrubar alguns homens. Mas ainda era fraco, eu não conseguiria sair dali. Excerto que uma operação de resgate estava acontecendo no mesmo dia.
— Lucian...— Sussurro lentamente.
— Lucian. — Ele não luta contra o sorriso que puxa um pouco seus lábios para cima.
Eu estava bem mais magro, faminto, fedendo. Perdido, me vi em um grande complexo de fábricas do outro lado do país. Ainda sem a ajuda de Lucian, golpeei mais alguns homens antes de finalmente conseguir sair, exceto pelo que vi na sala de vigilância. Minha mão ainda pingava de sangue dos guardas e foi quando achei a sala; diversos televisores mostravam o lugar, mas um em especial me chamou a atenção. — Ele cerra os punhos ao lado do corpo, o corpo tenso, a mandíbula apertada. — Meu pai estava do outro lado. Fugindo feito um rato covarde. Ele viu tudo que aconteceu. Ele fez parte daquilo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O bebê do bilionário
Está faltando capítulos autora...
Cadê o resto dos capítulos?...