Encarei suas mãos que estavam fechadas em punho, notei também que suas mãos estavam machucadas, os nós inchados e com algumas contusões, como se tivesse socado uma parede de concreto. Quando ele percebeu meu olhar, abriu as mãos, fechando-as em seguida e repetindo o movimento, para o sangue voltar a correr.
Caminhei até ele e peguei nas suas mãos. Ele hesitou, mas eu puxei de volta e encarei sua mão ferida.
— Jesus Colle. — Um soluço sai do meu peito e enterro meu rosto contra o peito forte dele. — Porque está fazendo isso consigo mesmo? Porque? — Outro soluço sai dos meus lábios e eu seguro forte sua blusa.
Nem percebo que Colle está me abraçando firme de volta, até que quase me falte ar. Sua cabeça está apoiada na minha, ele é porra, muito mais alto que eu.
— Droga Nicole, eu sou um grande pedaço de merda. — Sua voz cheia de arrependimento vibra. — Eu...E-eu não sei oque acontece comigo, é toda essa situação... é essa cidade. — Sua voz tá tensa e ele ainda me abraça. — Eu não sei oque fazer Nicole...eu simplesmente não...
Sua voz quebra um pouco e me sinto uma merda.
Ergo minha cabeça para cima, tenho que dar um passo de distância para encontrar seus olhos. Tenho a impressão de que seus olhos Azuis estão manchados por lágrimas não derramadas, mas Colle se vira, quando me pega encarando seu rosto. Não sei porque, mas tenho o sentimento de que para ele, chorar soa como um sinal de fraqueza. Porque seu rosto fica um pouco vermelho, e ele se vira olhando para o outro lado.
— Eu não posso deixar que ele se safe depois disso. — ele disse depois de uma longa pausa. — Não depois de tudo.
— Não assim, Colle. — Eu disse, mantendo a voz baixa. — Eu preciso de você aqui comigo. Eu e Nicholas. Se você se perder agora, o que vai ser de nós? Você não sabe como isso está sendo difícil para mim.
— Ele precisa pagar! — Ele enrijeceu o maxilar e uniu as sobrancelhas, indignado. — Se alguém tivesse livrado o mundo de merdas como o meu pai e Luck, nada disso estaria acontecendo!
— Ainda que seja... — Eu mordo de volta um gemido de angústia. — Mesmo que seja verdade oque diz, não é você quem fará justiça. Colle, eu sei que você teve um passado, sei que você já foi capaz de m-matar...— Há um tremor em minha voz, não importa o quão forte eu tente soar. — Mas isso não significa que precise, que deva fazer isso. Você tem uma equipe grande fazendo a busca. — Passo a mão pelo meu rosto. — Deixe que a justiça seja feita da maneira correta. — Eu digo soando muito mais calma do que estou me sentindo.
Colle me encara. Seus cabelos loiros escuros grossos e profundos, barba maior que já vi. E um ar de tristeza e raiva tão espessos que estava me deixando sem ar. Ele estava vibrando de ira contra o irmão. seus olhos piscando sobre mim com tristeza.
Seus lábios se abrem como se ele fosse dizer algo, mas não diz. Em seguida ele fecha os olhos, como se estivesse se concentrando em algo... novamente depois respira fundo mas não diz nada.
— Eu sei que pensou que Luck era uma boa pessoa. — Cerro os dentes. — Mas ele escolheu seu próprio destino, você não fez nada além de confiar no seu irmão.
Uma expressão de remorso cruza meu rosto. Mas não posso evitar.
— Mas você não acha que é isso que ele quer? — Continuo. — Você é superior a tudo isso Colle. Não deixe que ele faça isso com você. Que te destrua.
— É isso que você não entende. — dando um sorriso triste, a decepção clara em seus olhos. — Ele já me destruiu Nicole. Ele me danificou de uma maneira que acredito que nunca mais poderá se reconstruir.
Ele segura meu olhar, um lampejo de depressão em seus olhos.
Oh, isso se tratava de eu e Nicholas?
— Sinto muito por ter lhe colocado nisso. Por ter insistindo que viesse para cá. — Eu mordo meu lábio para controlar minhas lágrimas. — A responsabilidade é minha. Se eu não tivesse solicitado, você nunca teria voltado...nada disso teria acontecido com Nicholas ou você.
Ele passou a mão por suas ondas loiras desgrenhadas se aproximando mais de mim.
— Oque você está falando? Não! — franziu as sobrancelhas em preocupação. — Não foi isso que eu quis dizer Amor. — choque pisca em seu rosto. — Cristo, eu só estou piorando as coisas. — ele diz, com uma ponta de aborrecimento. — A culpa não é sua amor. Não é culpa sua aquela merda com o psicopata do Luck, muito menos o fato de eu estar aqui. É oque é. — Com os lábios pressionados em uma linha dura, ele balança a cabeça. — Isso cairia sobre nós de uma maneira ou de outra. E isso de forma alguma é responsabilidade sua, como também não foi há cinco anos atrás.
Ele pega a minha mão, e beija bem o centro dela.
— Não foi isso que eu quis dizer com o fato de ele ter me destruído. — Confessa. — Ele e meu pai arruinaram a minha vida. E agora, Luck quase matou Nicholas! Eu não posso... — Sua mandíbula endureceu. — Eu pensei que ele não fosse como meu pai, eu acreditei nele. — Ele não desviou o olhar. — Eu vou matá-lo.
— Você não pode matá-lo! Meu Deus! Você não é um psicopata Colle — Meu coração estava batendo violentamente contra o meu peito.
— Eu não posso matá-lo? Ele quase matou, nosso fil... Nicholas! — ele completou, fazendo com que meu coração doesse ainda mais.
Ele deve ter lido algo em minha fisionomia, porque a expressão em seu rosto fica desconfortável.
Enquanto voltávamos para o hospital, a viagem correu em silêncio. A verdade é que pela primeira vez, eu não acreditei nele. Colle era um homem quebrado e um homem quebrado era capaz de qualquer coisa.
— Ele assistiu desenho — minha mãe disse quando voltei ao quarto de hospital. — Recebeu visitas de Will, Vivian, Maria e a irmã. Alice ligou também. — Ela sorriu para mim, levantando da cadeira. — Ele está bem, levantou, andou, o médico o examinou. O corpo está se recuperando aos poucos. Ele logo vai estar em casa. —Deu-me um sorriso encorajador. — Embora seu remédio seja muito forte. Ele deve dormir profundamente pelas próximas horas. O médico está pensando em começar a suspender amanhã.
— Isso é ótimo. — Massageio minha nunca tensa, tentando desfazer o nó que se formou ali e sorrio fraco para a minha mãe.
— Está tudo bem querida? Como foi lá com Ethan? — Ela perguntou, mantendo a voz baixa para não atrapalhar o sono de Nicholas.
— Estou preocupada com ele mãe. — Confesso. — Essa situação com Luck o deixou desatinado. Não sei oque fazer. — Minha voz treme enquanto falo.
As sobrancelhas pretas da minha mãe se unem em preocupação.
— Oh, querida. — Ela me abraça. — Quando isso tudo acabar a vida de vocês voltará ao normal. Você vai ver.
Eu aperto minha mandíbula contra a dor que se alastra dentro de mim.
— Estou confiando nisso. Eu realmente estou.
Minha mãe me dá um sorriso cheio de aflição. Seus olhos estão cansados, droga. Ela parece tão cansada. Nem percebi que ela está aqui há horas.
— Mãe, porque não desce, toma um café? Já vai anoitecer e você não saiu daqui.
— Isso seria bom. — Ela da um pequeno sorriso e pega a sua bolsa. — Pediria a Summer, mas lhe dei férias temporariamente. — Sua resposta é suave. — Trarei um café para você.
Então, saiu.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: O bebê do bilionário
Está faltando capítulos autora...
Cadê o resto dos capítulos?...