Duas semanas depois, o apartamento de Zoe em Milão parecia, pela primeira vez em anos, ter uma luz diferente. O peso do sobrenome Salvattore finalmente havia sido removido de seus ombros, deixando apenas a leveza de ser, novamente, Zoe Garcia.
Dominic Pausini, seu advogado de confiança, fechou a pasta de couro sobre a mesa de centro. Com um sorriso profissional, mas genuinamente satisfeito, ele deslizou um documento oficial para ela.
— Aqui está, senhora Garcia. Oficialmente, a certidão de divórcio. Você é uma mulher solteira novamente.
Dominic fez uma breve pausa, ajustando os óculos.
— Quanto à partilha, conforme discutido, o Sr. Henry Salvattore deixou para você metade dos bens pessoais dele. Imóveis, contas bancárias e investimentos privados. No entanto, as ações do Grupo Salvattore permanecem intactas sob o controle da família.
Zoe pegou o papel, sentindo a textura do papel timbrado. Um sorriso amargo tocou seus lábios.
— Eu já imaginava, senhor Pausini. E, honestamente? Não me importo. Sei que o senhor Lorenzo Salvattore nunca permitiria que eu levasse uma única ação da empresa. Ele guarda aquele império como um cão de guarda para seu herdeiro. O que Henry deixou é mais do que suficiente para que eu e minha mãe tenhamos o conforto que merecemos aqui em Milão.
— É uma atitude sensata.
Assentiu o advogado, levantando-se.
— Se precisar de qualquer ajuste na transferência dos imóveis, sabe onde me encontrar.
Assim que a porta se fechou após a saída de Dominic, Laura, a mãe de Zoe, aproximou-se com um semblante preocupado. Ela não esperou nem que a filha processasse a liberdade recém-adquirida.
— Zoe, você precisa sair da Salvattore Technologies o quanto antes.
Sentenciou Laura, cruzando os braços.
— Não faz sentido você continuar lá, cruzando com o Henry e aquela... aquela mulher nos corredores. Karen já causou dano suficiente como pivô dessa separação. Você não precisa ver o "felizes para sempre" deles de perto.

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