MARCANDO TERRITÓRIO
A noite, durante o jantar, a atmosfera na mansão dos Salvattore estava carregada. O retorno de Lorenzo, o patriarca que muitos temiam nunca mais ver fora de uma UTI, deveria ser um momento de paz e recuperação.
Henry mantinha os olhos fixos no prato, mal tocando na comida. Para ele, cada risada de Karen soava como vidro quebrado, a raiva que ele vinha guardando a semanas estava quase entrando em combustão.
_"Vovô, o senhor não deveria estar aqui fora; por favor, retorne aos seus aposentos. Fui explícito ao dar ordens aos empregados para que seu jantar fosse servido no conforto da sua cama esta noite. Sabe perfeitamente que o ar gélido do corredor não lhe faz bem. Sua saúde ainda é frágil e exige um repouso absoluto que o senhor insiste em negligenciar. Deixe que cuidemos de tudo; agora, mais do que nunca, o seu silêncio e o descanso são as únicas prescrições que importam."
Henry insistiu, a voz firme mas carregada de preocupação.
_"A alta hospitalar foi hoje. O médico foi claro sobre o repouso absoluto."
O silêncio na sala tornou-se cortante. Lorenzo estava pálido, a cor fugindo de seu rosto como se a própria vida estivesse em disputa, mas sua espinha permanecia rígida, negando qualquer sinal de fraqueza. Com a autoridade gélida que o nome Salvattore exigia, ele ergueu a mão em um gesto lento e soberano. O movimento, embora sutil, foi o suficiente para golpear o ar e silenciar o neto imediatamente, deixando apenas o som da respiração pesada entre os dois.
_"Eu passei semanas olhando para paredes brancas, Henry. Quero sentir que ainda sou o dono desta casa, não um prisioneiro dela."
Karen, sentada estrategicamente ao lado de Lorenzo, deslizou a mão sobre o braço do velho patriarca com uma delicadeza ensaiada. Ela usava um vestido impecável, exalando um perfume caro que preenchia o ambiente.
_"Henry, querido, não seja tão rígido,"
Karen disse, com um sorriso que não chegava aos olhos.

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