— Eu... eu estou bem!
Henry finalmente conseguiu articular, a voz saindo mais grave e polida do que um faxineiro comum deveria ter. Ele segurou gentilmente os pulsos dela para que parasse de esfregar a mancha.
— Respire. É só café e chá, acontece. Eu também não olhei para frente.
Zoe parou. O toque dele era firme, e por um segundo, o desespero dela foi substituído por uma estranha confusão. Aquele homem tinha mãos cuidadas demais para quem carregava esfregões, e um olhar que parecia analisar sua alma.
O tempo pareceu desacelerar.
— Meu nome é Lucca, sou o novo faxineiro.
Disse ele, com uma voz que soava firme demais para quem deveria estar apenas cuidando do chão.
Zoe franziu a testa por um instante. A engrenagem da memória girou rápido, trazendo à tona a fofoca de Juliana na copa dias atrás. Sua amiga tinha passado vinte minutos descrevendo "o homem mais bonito que já segurou uma vassoura", e Zoe, cética, achou que era apenas exagero de quem bebeu café demais.
Mas ali, sob a luz fria dos LEDs, ela percebeu que Juliana tinha sido até modesta.
Sacudindo a cabeça para espantar o transe e a percepção de que ele era, de fato, hipnotizante, ela esboçou um sorriso e estendeu a mão.
— Prazer, Lucca. Eu sou a Zoe e trabalho como copeira.
Respondeu, tentando manter a voz profissional, apesar da súbita curiosidade que aquele homem despertava.
Henry sentiu a textura da mão dela contra a sua. Era um aperto que trazia uma humanidade que ele não esperava encontrar naquele ambiente de negócios implacáveis.
— Zoe... o prazer é todo meu.
Ele replicou, permitindo que o sorriso permanecesse um segundo a mais do que o necessário para um simples disfarce.
Zoe olhou para a mancha escura que se espalhava rapidamente pela camisa clara do homem à sua frente. O pânico subiu pelo seu pescoço. Na sua cabeça, ela não tinha acabado de sujar um funcionário; ela tinha, possivelmente, causado uma queimadura de terceiro grau no rapaz da limpeza.
— Meu Deus! Me desculpa, eu sou uma completa idiota!
Zoe gesticulava freneticamente, tentando secar o líquido com as mãos, o que só piorava a situação.
_Isso deve estar doendo. Você vai ficar em carne viva!
— Está tudo bem, sério... não queimou tanto.

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