Grupo Mancini
A atmosfera na sala de reuniões do Grupo Mancini ainda carregava o cheiro de café recém-passado e o eco das discussões sobre as novas estratégias de imagem da empresa. Enzo Mancini, como de costume, havia conduzido tudo com sua mistura característica de autoridade e proximidade. Ele não era o tipo de CEO que ficava encastelado em sua cobertura; ele ouvia desde o estagiário até o diretor de departamento.
Antonella, porém, mal conseguia focar nos gráficos de desempenho. Seus olhos teimavam em desviar para a nova secretária executiva, uma loira cujos olhos azuis pareciam lançar faíscas na direção de Enzo durante toda a manhã. O desconforto de Antonella era físico, uma pontada de insegurança que ela tentava mascarar sob uma pilha de pastas.
O clima só descontraiu para alguns, quando Juliana, percebendo o jogo de sedução barato da nova secretária, "tropeçou" convenientemente com uma xícara de café fumegante am mãos. O grito contido da loira e sua retirada apressada para o toalete foram o ponto alto do entretenimento de Juliana, que não hesitou em dar uma piscadela cúmplice para Antonella antes de sair da sala com o restante da equipe.
Após a reunião e a saída de todo departamento de Relações Públicas, o silêncio que se seguiu foi denso. Antonella começou a recolher seus pertences, evitando olhar para Enzo.
— Antonella, por favor, aguarde um momento.
A voz de Enzo era firme, mas não rígida.
— Preciso falar com você a sós.
Ela parou, as mãos levemente trêmulas sobre o tablet. Quando a porta se fechou, o vasto escritório pareceu diminuir de tamanho. Enzo deu a volta na mesa, encostando-se na borda, os braços cruzados sobre o peito, observando-a com uma intensidade que a desarmava.
— Você esteve distraída a reunião inteira.
Começou ele, com um leve erguer de sobrancelhas.
— E eu tenho a leve impressão de que não foi por causa das projeções do próximo trimestre.
— Eu estava apenas... observando o novo dinamismo da equipe, mas sua nova secretária é muito bonita, parece ser muito... eficiente em chamar atenção.
Antonella respondeu, tentando manter o tom profissional, embora sua voz tenha falhado levemente no final.
Enzo soltou uma risada curta, um som rouco que fez o estômago de Antonella dar voltas.
— Eficiente? Talvez. Bom digamos, ela é do tipo que se mete na cama de qualquer chefe. Mas você me conhece o suficiente para saber que eu prezo pela substância, não pelo espetáculo.
— Ele deu um passo em direção a ela.
— O que realmente está acontecendo? Senti sua tensão do outro lado da mesa. Seria ciúmes?

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