O silêncio no apartamento de Zoe era interrompido apenas pelo som da chuva fina contra a janela e a respiração pesada de Henry. Ele parecia um homem quebrado, longe da aura de poder que a linhagem Salvattore costumava impor.
Após a notícia de que a saúde de Lorenzo estava finalmente cobrando seu preço, Henry não teve dúvidas de onde deveria estar. Batera à porta de Zoe com uma insistência que beirava o desespero até que ela, num suspiro de resignação, permitiu que ele entrasse. Laura, a mãe dela, estava na igreja, deixando o ex-casal em um isolamento necessário e denso.
Assim que a porta se fechou, os olhos de Henry caíram sobre a silhueta de Zoe. A barriga, agora nitidamente proeminente, era o testemunho vivo do tempo que passaram longe um do outro. Sem dizer uma palavra, Henry se ajoelhou. O orgulho dos Salvattore caiu por terra enquanto ele encostava o rosto no ventre dela.
As lágrimas molharam o tecido do vestido de Zoe.
— Eu amo você Zoe, e amo o nosso pequeno.
Sussurrou ele, a voz embargada.
— O papai está aqui. Eu estou aqui por vocês... eu juro.
Zoe sentiu o chute do bebê contra o rosto de Henry, um timing quase cruel da natureza. Seu coração vacilou; ela sentiu o impulso de acariciar os cabelos dele, mas manteve as mãos cruzadas. A firmeza era sua única proteção.
Henry levantou-se, limpando o rosto com as costas das mãos, mas sem desviar do olhar dela.
_ Zoe, eu sei o que eu errei, fui um crápula, e minha família fez o mesmo com você. Eu sei o peso que você suportou, o quanto te negligenciei.
Ele disse com urgência.
_ Me perdoe! Eu farei tudo diferente. Você não precisará pisar naquela mansão. Não precisará conviver com Lorenzo ou com as intrigas da minha tia. Eu vou construir um muro entre eles e nós.
Zoe ouviu cada palavra, sentindo a sinceridade vibrar no ar, mas as cicatrizes do divórcio e da convivência com o clã Salvattore não se fechariam com uma única promessa.
_ Henry, promessas são fáceis quando se está desesperado.
Ela respondeu, a voz calma e decidida.
_ Eu vou esperar meu filho nascer. Só quando ele estiver nos meus braços, e eu tiver clareza, é que decidirei o que faremos do nosso futuro. Até lá, não há 'nós'.
O rosto de Henry se contraiu com a dor da incerteza, mas ele aceitou a condição. Se ele queria provar que mudara, precisaria respeitar o tempo dela.
— Eu entendo Zoe e aceito!
Ele murmurou.
— Mas, por favor... deixe-me estar presente. Deixe-me acompanhar o nascimento do nosso Henrico. Eu não quero ser um estranho para o meu próprio filho no dia em que ele chegar ao mundo.
Zoe olhou para a porta, imaginando Laura voltando da igreja, e depois voltou-se para Henry. O amor que um dia os unira ainda restava ali, escondido sob camadas de mágoa.
— Tudo bem, Henry. Você poderá estar lá.
Ela concedeu, vendo um brilho de esperança retornar aos olhos dele.

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