O relógio na parede da maternidade parecia correr em um ritmo próprio, marcando o compasso de uma espera ansiosa que durava nove meses. Dois meses haviam se passado voando desde os últimos sustos, e a calmaria finalmente se estabelecia na família.
O avô de Henry apresentava uma melhora encorajadora a duas semanas; já acomodado na suíte VIP, ele já tinha deixado a UTI. Isso deixou Henry mais ao lado de Zoe nos últimos dias.
O choro agudo rompeu o silêncio da sala de parto, anunciando a chegada de Henrico. Quando a enfermeira entregou o pequeno embrulho nos braços de Henry, o mundo exterior deixou de existir. Henry, sempre tão firme, sentiu as pernas fraquejarem. Lágrimas de uma alegria pura e desconhecida inundaram seus olhos ao tocar a pele macia do filho. Naquele instante, ele não era o herdeiro de um império, mas apenas um pai maravilhado. Henrico era lindo.
No quarto, o clima era de festa e ternura, Laura, a mãe de Zoe, não conseguia conter o sorriso. Ao observar o neto, foi categórica:
_ Zoe, minha querida, não tem como negar... o Henrico é a cara do pai! Olha esses olhos, o nariz, o furinho no queixo.
Juliana e Antonella pareciam hipnotizadas. Elas se revezavam ao lado do berço, completamente apaixonadas por cada pequeno movimento do bebê.
Zoe, embora cansada, irradiava uma luz própria. Do seu leito, ela observava o filho com um fascínio magnético, como se ainda estivesse processando o milagre que acabara de realizar.
A recuperação de Zoe foi rápida. No dia seguinte, o cheiro de hospital deu lugar ao aroma de lavanda do seu apartamento. Estar em casa, com Henrico em seus braços e o pai do seu filho ao seu lado, trazia uma sensação de completude. Para Henry, não restavam dúvidas: ele era, sem sombra de dúvida, o homem mais feliz do mundo. Cada pequeno suspiro do bebê em seu berço era uma sinfonia para seus ouvidos.
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Enquanto a vida pulsava com cores vibrantes no apartamento, o cenário no hospital era cinzento para outro homem. Em seu leito, Lorenzo sentia o peso sufocante do esquecimento. O silêncio do corredor era o lembrete cruel de suas escolhas passadas. Ele sabia, no fundo de sua alma amargurada, que os muros que Zoe erguera eram altos demais. A consciência de que jamais seguraria Henrico nos braços ou veria o brilho dos olhos do neto era o preço mais alto que ele estava pagando. O bisneto que ele tanto sonhou foi rejeitado por ele mesmo quando ele resolveu colocar uma estranha na família, ignorando completamente a verdadeira esposa do neto.
Duas semanas depois, a saúde de Lorenzo Salvattore piorou drasticamente, os médicos haviam lhe dado pouco tempo de vida.
Henry, com os olhos vermelhos e o rosto marcado pelo cansaço, afastou-se da cama quando a porta se abriu suavemente.
Zoe entrou. Em seus braços, envolto em uma manta azul clara, estava o pequeno Henrico.
Lorenzo, cujas mãos tremiam sobre o lençol branco, desviou o olhar da janela para a porta. Quando seus olhos encontraram os de Zoe, um soluço escapou de seu peito enfraquecido.
— Você veio...
A voz dele era pouco mais que um sussurro.
— Eu não achei que... depois de tudo...
Zoe aproximou-se da lateral da cama. Ela observou o homem que outrora fora a imagem do poder e da arrogância, agora reduzido a uma figura frágil e implorante.
— Eu não vim pelo passado, Lorenzo.
Disse ela.

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