O eco dos saltos agulha de Antonella contra o mármore italiano de Carrara parecia ditar o ritmo de sua ansiedade. Ela soltou um riso amargo, sem qualquer vestígio de humor, enquanto ajeitava com os dedos tensos a alça da bolsa de couro estruturada. As duas caminhavam pelo suntuoso corredor do Departamento de Relações Públicas do Grupo Mancini, um espaço que exalava opulência, com painéis de jacarandá e janelas imensas que emolduravam o horizonte cinzento e imponente de Milão.
— Exatamente o que eu perguntei ao Enzo, Ju. Parece uma piada de mau gosto, daquelas bem cruéis que a família dele vem fazendo comigo.
Antonella desabafou, abaixando o tom de voz conforme passavam pela mesa de uma das secretárias.
— O nome dela é Francesca. Francesca Valli. Segundo os pais dele, as duas famílias são parceiras comerciais na indústria vinícola há gerações, e seria uma "indelicadeza inaceitável" deixá-la em um hotel cinco estrelas sendo que a mansão dos Mancini tem uma ala inteira de hóspedes vazia. Mas nós duas sabemos bem qual é o nome real dessa "indelicadeza". É estratégia para me afastar do Enzo.
Juliana parou abruptamente no meio do corredor polido, os braços cruzados sobre o blazer sob medida, a indignação faiscando em seus olhos escuros.
— Eles estão tentando empurrar essa mulher para a cama e para a vida dele, Antonella! Não precisa ser nenhuma estrategista de imagem para enxergar o óbvio. Que nojo dessa gente aristocrática e desses casamentos arranjados disfarçados de diplomacia corporativa. Será que eles não aprenderam nada com o rastro de destruição que ficou entre a Zoe a familia do Henry? O Henry quase perdeu a mulher da vida dele por causa desse orgulho arcaico e elitista da família. Mas você não vai abaixar a cabeça, amiga. Você é a namorada do Enzo. Todos nesta empresa e na alta sociedade de Milão sabem disso, queiram ou não.
Antonella suspirou profundamente.
— Eu sei, Ju... Eu sei. Mas o pior de tudo é ver o Enzo no meio desse fogo cruzado. Ele está sendo pressionado pelo conselho da empresa e pelos pais todos os dias.
Ela parou ao lado de uma das grandes colunas do corredor, buscando um instante de privacidade antes da reunião.
— Ele me garante, com todas as letras, que não quer nada com ela. Diz que me ama, que eu sou o futuro dele e que vai resolver essa situação com os pais. Mas o processo é um desgaste diário. A Francesca não se comporta como uma hóspede; ela vive desfilando pela mansão com aquele ar de superioridade de quem nasceu sabendo o valor do próprio sobrenome. Toma o café da manhã com a mãe do Enzo na varanda dourada, opina sobre as fusões e aquisições da empresa como se já fizesse parte do conselho... Às vezes, Ju, quando eu olho para eles, me sinto uma intrusa na vida do homem que eu amo. Só porque não nasci em berço de ouro, a família dele me trata como se eu fosse um vírus no sistema deles. Eles simplesmente se recusam a me aceitar.

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